salif keita, uma voz da áfrica

salif keita

Salif Keita é albino e esse fato, além de ser uma marca distintiva da sua figura, é um dado mais do que importante na sua biografia. É que o músico, que viria a ser considerado ‘a voz dourada de África’, foi desprezado pela própria família e pela comunidade da cidade de Djoliba, onde nasceu. Uma versão da história diz que Keita foi ostracizado porque, na cultura mandinga, uma das maiores da África Ocidental, o albinismo é sinônimo de azar. Segundo outra versão, o pai deserdou-o, pois Keita insistiu em seguir a carreira de música. Em teoria, ele nunca poderia ter enveredado por esse caminho porque a linhagem real não permitia, a música estaria reservada aos contadores de histórias. Nasceu numa família monárquica, fazendo parte da mesma linhagem que Soundjata Keita, fundador do Império do Mali em 1240. Salif Keita teve que quebrar todas as tradições para poder prosseguir o seu sonho ligado à música. Depois de cortar relações com a família, mudou-se para Bamako em 1967, onde tocava em bares com um dos seus irmãos. Em apenas dois anos é convidado para se juntar à ‘Rail Band’, um grupo bastante popular e patrocinado pelo Governo, que tocava regularmente no Hotel De La Gare.

Devido a sua capacidade vocal, o cantor aventurou-se em vôos mais altos, tendo partido para Abidjian, em 1973, com alguns elementos da banda, que adotou o nome de ‘Les Ambassadeurs Internationaux’, continuando a chamar a atenção de todos com a fusão de sons que vinham de Cuba, Zaire e Mali. Em 1977 é galardoado com o prêmio da Ordem Nacional da Guiné, atribuído pelo presidente Ahmed Sekou Toure. Encorajado a prosseguir uma carreira solo, Salif Keita decide mudar-se para Paris em 1984, onde encontra uma comunidade de mais de 15 mil pessoas vindas do Mali. Apesar de todos os que o rodeavam sempre terem acreditado na sua capacidade musical, só em 1987, Salif Keita, consegue editar o álbum de estréia ‘Soro’ onde combina influências vindas de África com o jazz, funk, pop e R&B, deixando a crítica rendida aos seus pés. Em uma crítica da revista ‘Rolling Stone’ da época, pode ler-se: a voz de Keita fala por si. O canto sensual do samba brasileiro com o chamamento das rezas islâmicas. O sucesso de Keita estava assegurado, mas isso não o fez parar, editou vários discos nos anos 90, incluindo a antologia ‘Mansa Of Mali’, ‘Papa’ em 1999 e em 2002 o álbum ‘Moffou’. (por Rita Severino)

salif keita - yamore


Salif Keita – Moffou (2002)

Moffou (2002)

Tracklist
01. Yamore 02. Iniagige 03. Madan 04. Katolon 05. Souvent 06. Moussolou 07. Baba 08. Ana Na Ming 09. Koukou 10. Here

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