yngwie malmsteen

yngwie malmsteenYngwie Malmsteen é sem dúvida o guitarrista mais técnico que surgiu durante os anos 80. Combinando uma técnica deslumbrante aperfeiçoada durante anos de prática obsessiva até que seus dedos sangrassem e muito amor por compositores clássicos reescreveu a música da guitarra heavy metal e foi o grande catalisador para o fenômeno da guitarra tocada incrivelmente rápida na década de 80. Malmsteen lançou uma série de álbuns e para os críticos que o acusaram de apresentar apenas pequenas diferenças na abordagem e execução entre um álbum e outro, Yngwie respondeu que uma vez que ele tocava a música que ele amava, ele não tinha desejo de desenvolver ainda mais o seu estilo e características. Malmsteen também caiu em desgraça entre o público do heavy metal, e após uma série de contratempos pessoais, tragédias, e até mesmo graves ferimentos, continuou a tocar a sua música neo-clássica. Depois de vários anos na obscuridade Malmsteen voltou às manchetes em 2002, quando passageiros de um avião jogaram água sobre ele depois de ter feito uma observação insultuosa sobre os homossexuais. Embora sua popularidade tenha se desvanecido, principalmente nos EUA, Malmsteen ainda encontra platéias na Europa e é mais popular na Ásia, principalmente no Japão.

Lars Johann Yngwie Lannerback nasceu em Estocolmo, Suécia, e criou um estilo misturando o bombástico rock e a beleza da música clássica. Exposto à música erudita pela mãe Rigmor que ouvia Bach; pela irmã Ann Louise que tocava flauta e piano; pelo pai, capitão do Exército, que tocava guitarra; e o irmão multi-instrumentista Bjom, que tocava bateria, piano, violino e acordeão; Yngwie teve aulas de piano e trompete. A maior influência de Malmsteen foi Paganini quando na adolescência ouviu pela primeira vez a sua música sendo executada pelo violinista russo Gideon Kremer em um programa de TV sueca, tornando-se assim o seu ídolo. Aos cinco anos ganhou seu primeiro violão que ficou esquecido até que viu na TV, em 1970, um especial sobre a morte de Jimi Hendrix. O que lhe chamou a atenção não foi a técnica de Hendrix, mas o momento em que ele pôs fogo em sua guitarra após quebrá-la sendo influenciado mais por essa imagem do que pela sua música. Para Yngwie, Jimi Hendrix era um ator fantástico. Aos 10 anos adotou o sobrenome Malmsteen, nome de um ex-namorado de sua mãe e passou a se dedicar a música. Na escola era considerado um pesadelo comportamental, brigava frequentemente e só gostava das aulas de inglês e artes. Sua mãe percebendo o dom de Yngwie para a música permitiu que ele ficasse em casa ouvindo os discos de ‘Deep Purple’, admirado pelas influências clássicas de Ritchie Blackmore, e tocando o seu violão.

yngwie malmsteen

Aos 15 anos, como assistente em uma oficina de guitarra aprendeu a trabalhar com madeira. Foi lá que ele encontrou pela primeira vez um alaúde do século XVII com o pescoço recortado. Intrigado, Yngwie fez o mesmo com o pescoço de uma velha guitarra e ficou surpreso com os resultados. Era um pouco mais difícil de tocar, mas o controle de Yngwie sobre as cordas melhorou tanto que ele adotou como uma mudança permanente. Yngwie Malmsteen começou a tocar em várias bandas e aos 18 anos gravou uma demo que enviou para várias pessoas, inclusive para o fundador da gravadora 'Shrapnel'. Foi chamado para tocar na banda ‘Steeler’ em Los Angeles. Com a banda gravou um álbum e depois foi para o ‘Alcatrazz’, uma banda no estilo do ‘Rainbow’ fundada por Graham Bonnett. Apesar de ter feito nessa banda alguns dos seus melhores solos, seu trabalho ainda era limitado e insatisfeito formou sua própria banda, ‘Rising Force’, com o amigo de longa data e tecladista Jens Johansson. O primeiro álbum da nova banda, todo instrumental, também chamado ‘Rising Force’, de 1984, com harmonias poderosas de Jens Johansson, ex ‘Stratovarius’, é considerado por muitos como o documento definitivo do rock neo-clássico. O álbum recebeu uma indicação para o Grammy e Yngwie obteve várias votações em revistas como revelação e de melhor guitarrista. ‘Rising Force’ tornou-se o álbum do ano. As composições neo-clássicas de Yngwie alcançaram novo status em 1986 com o álbum ‘Trilogy’. Até hoje considerado um dos seus discos favoritos, tanto nas letras quanto musicalmente.

yngwie malmsteen

Em 1987, Yngwie bateu seu Jaguar em uma árvore e feriu a cabeça surgindo um coágulo no cérebro que danificou os nervos motores do seu braço direito. Depois de ficar em coma por uma semana e de perder alguns movimentos da mão começou um tratamento muito doloroso para regenerar os nervos. Enquanto estava se recuperando, soube que sua mãe, a principal inspiração de sua vida, havia morrido de câncer na Suécia. Ao invés de desistir Yngwie voltou à música. O resultado foi o aclamado álbum ‘Odyssey’ com o ex-vocalista do ‘Rainbow’, Joe Lynn Turner. Começando com uma nova fase de sua carreira, Yngwie se mudou para Miami, Flórida, e recrutou uma nova banda com músicos suecos pouco conhecidos fora do país. O primeiro álbum com a nova formação foi ‘Eclipse’ que mostrou um lado mais comercial, mas sem abandonar o estilo neo-clássico. Em 1991, em uma nova gravadora, foi lançado ‘Fire and Ice’, um álbum nada comercial e construído sobre as estruturas do barroco. Em 1997, depois de meses de intenso trabalho em seu estúdio em Miami, Yngwie produziu seu primeiro álbum totalmente clássico, ‘Concerto Suite for Electric Guitar and Orchestra in Eb menor, Op.1’ gravado com a famosa Orquestra Filarmónica de Praga.

yngwie malmsteen - flamenco diablo


‘Concerto Suite for Electric Guitar and Orchestra’ foi a sua primeira tentativa de um concerto clássico de uma suíte com solos de uma guitarra elétrica. Yngwie Malmsteen compôs todas as músicas que foram revisadas por seu amigo e colega músico David Rosenthal, conduzidas pelo maestro romeno Yoel Levi, e tocadas pela Orquestra Filarmônica Checa. Malmsteen fez questão de salientar que, ao contrário de outras colaborações entre músicos de rock e orquestras clássicas, como por exemplo, - a apresentação da banda ‘Metallica’ com a Sinfônica de São Francisco ou ‘Deep Purple’ no ‘Concerto for Group and Orchestra’, concerto composto por Jon Lord, com letras escritas por Ian Gillan -, que apresentam um grupo de rock tocando com acompanhamento orquestral, em ‘Concerto Suite for Electric Guitar and Orchestra’ a guitarra elétrica se apresenta como instrumento solo.

Na coletânea ‘Anthology 1994-1999’ a primeira faixa é inédita e se chama ‘Gimme! Gimme! Gimme!’. Trata-se de um cover do Abba. E se para muitos o resultado seria ridículo, Malmsteen, como sempre, soube colocar peso na guitarra, intercalando a música do Abba com os toques de hard rock/metal neo-clássico já bem famosos em suas composições. E conta com a maravilhosa atuação, técnica espetacular e vocal poderoso de Mark Boals, cantor estadunidense de hard rock e metal progressivo, conhecido como um especialista na nota A5 (lá soprano), que ele alcança em muitas canções. Na sequência músicas de alguns de seus álbuns de sucesso e finalizando com mais duas instrumentais inéditas, ‘Flamenco Diablo’ e ‘Amadeus Quattro Valvole’, duas excelentes composições, que confirmam a volta de Malmsteen aos bons tempos do guitarrista sueco.

yngwie malmsteen - the yngwie nalmsteen collection (1991)    yngwie malmsteen - concerto suite (1998)    yngwie malmsteen - anthology 1994-1999

The Yngwie Malmsteen Collection (1991)
Concerto Suite for Electric Guitar and Orchestra (1998)
Anthology 1994-1999

The Yngwie Malmsteen Collection
01. Black Star 02. Far Beyond the Sun 03. I'll See the Light, Tonight 04. You Don't Remember, I'll Never Forget 05. Liar 06. Queen in Love 07. Hold On 08. Heaven Tonight 09. Deja Vu 10. Guitar Solo (Trilogy Suite/Spasebo Blues) 11. Spanish Castle Magic 12. Judas 13. Making Love (with extended guitar solo) 14. Eclipse

Concerto Suite for Electric Guitar and Orchestra
01. Icarus Dream 02. Fanfare Cavalino 03. Rampante Fugue 04. Prelude To April 05. Toccata 06. Andante 07. Sarabande 08. Allegro 09. Adagio 10. Vivace 11. Presto Vivace 12. Finale

Anthology 1994-1999
01. Gimme gimme gimme 02. Never die 03. Brothers 04. Seventh sign 05. Crash and burn 06. Vengeance 07. Fire in the sky 08. Like an angel-for april 09. My resurrection 10. Another time 11. Rising force (live) 12. I'll see the light tonight (live) 13. Wield my sword 14. Hangar 18 area 51 15. Flamenco diablo 16. Amadeus quattro valvole

‘G3: Rockin' in the Free World’ é um álbum duplo gravado ao vivo no ‘The Uptown Theater’ em Kansas City, Missouri. G3 é uma turnê de concertos organizados pelo guitarrista Joe Satriani, com ele ao lado de dois outros guitarristas. Desde a sua criação em 1996, G3 já se apresentou quase todos os anos e já contou com muitos guitarristas. Neste álbum, o líder do projeto, Joe Satriani, contou com o seu ex-aluno Steve Vai e Yngwie Malmsteen como guitarrista convidado.

yngwie malmsteen - g3 rockin' in the free world (2004)

G3: Rocking In The Free World (2003)
(Joe Satriani/Steve Vai/Yngwie Malmsteen)
CD 1    CD 2

Tracklist CD 1
01. The Extremist (Joe Satriani) 02. Crystal Planet (Joe Satriani) 03. Always With Me, Always With You (Joe Satriani) 04. Midnight (Joe Satriani) 05. The Mystical Potato Head Groove Thing (Joe Satriani) 06. You Here (Steve Vai) 07. The Reaper (Steve Vai) 08. Whispering (Steve Vai) 09. Blitzkrieg (Yngwie Malmsteen) 10. Trilogy Suite Opus 3 - Movement One (Yngwie Malmsteen) 11. Red House Blues (Yngwie Malmsteen) 12. Fugue (Yngwie Malmsteen) 13. Finale (Yngwie Malmsteen)

Tracklist CD 2
01. Voodoo Child (Satriani, Vai, Malmsteen) 02. Little Wing (Satriani, Vai, Malmsteen) 03. Rockin' In The Free World (Satriani, Vai, Malmsteen)

all that jazz

Em ‘All That Jazz’ (no Brasil traduzido para ‘O Show Deve Continuar’) o dançarino, escritor, diretor e coreógrafo estadunidense Robert Louis Fosse, nascido em Chicago numa família norueguesa, tem a coragem de se mostrar um viciado, mulherengo, perfeccionista e um cretino manipulador. As seqüências de danças são fabulosas, a coreografia de Bob Fosse é simplesmente magnífica e tanto Jessica Lange, uma das minhas favoritas, quanto Roy Scheider estão perfeitos. O filme apresenta uma série de momentos inesquecíveis e tecnicamente é maravilhoso. Bob Fosse dirigiu apenas cinco filmes e cada um deles é um clássico. O musical-autobiográfico ‘All That Jazz’, uma revitalização de um gênero essencialmente americano, o musical, foi premiado em cenografia, figurino, montagem e trilha sonora adaptada por Ralph Burns, pianista, maestro e compositor de jazz nascido em Massachusetts.

Curiosidades sobre Bob Fosse e Ralph Burns

bob fosseBob Fosse disse de si mesmo numa entrevista: ‘Meus amigos sabem que para mim a felicidade é quando estou miserável e não suicida’. Alguns dizem que as danças de Michael Jackson foram copiadas de filmes de Fosse. Para muitos ele foi o inventor do ‘casting couch’, um termo que envolve a troca de favores sexuais por atrizes aspirantes ou para progressão na carreira. Originado na indústria cinematográfica, o termo agora é frequentemente usado em referência a outras indústrias, além de entretenimento.

ralph burnsRalph Burns admitiu que aprendeu mais sobre o jazz por transcrever as obras de Count Basie, Benny Goodman e Duke Ellington. Em 1971, ele compôs a trilha sonora para ‘Bananas’ de Woody Allen. Em 1972 recebeu um Oscar por ‘Cabaret’ dirigido por Bob Fosse. Depois veio ‘Lenny’ em 1974, que conta a história da vida do comediante Lenny Bruce. A colaboração entre Ralph Burns e Bob Fosse continuou em ‘All That Jazz’ (1979), e Star 80 (1983). Em 1989, o último trabalho do compositor de jazz foi no filme de animação ‘All Dogs Go To Heaven’ (1989), no Brasil ‘Todos os Cães Merecem o Céu’ de Don Bluth.

all that jazz movie‘It's show time folks!’. Esta é a primeira frase que o protagonista de 'All That Jazz', Joe Gideon, diz antes de sair de casa pela manhã. E Joe Gideon não é ninguém além do próprio diretor do filme, Bob Fosse, interpretado pelo ator Roy Scheider. Bob Fosse, pouco reconhecido no meio cinematográfico, mas de importância considerável para a dança e o teatro musical do final do século XX, começou sua carreira artística muito cedo e desde os 13 anos já se apresentava com um pequeno grupo de dança. Coreografou e atuou em vários filmes musicais e criou versões de filmes para o palco. Embora ‘All That Jazz’ seja classificado como musical, como todos os filmes dirigidos por Fosse, apresenta forte crítica ao mundo da mídia e do entretenimento norte-americano, sugerindo uma reflexão. Na maioria dos típicos musicais hollywoodianos, de ‘The Jazz Singer’ a ‘Chorus Line’, o eixo principal da ação não é a narrativa ou a linguagem cinematográficas, mas a dança. Em ‘All That Jazz', Bob Fosse consegue realizar um musical realmente cinematográfico. Os temas abordados são muito pertinentes e as cenas de dança, além de excelentes, se encaixam perfeitamente no roteiro.

O filme começa com um toca-fitas sendo ligado. É anunciado, assim, o início. O início de mais um dia na vida do personagem Joe Gideon. Ele liga o toca-fitas, pinga colírio nos olhos, toma alguns comprimidos de dexedrina, entra no banho, se olha no espelho e diz: ‘It's show time folks!’. Na primeira vez que esta seqüência é mostrada no filme, é intercalada com uma cena de Joe andando numa corda bamba, num lugar escuro que parece um circo. De longe, uma mulher toda de branco (Jessica Lange) conversa com ele. Esta mulher de fisionomia angelical, com um véu e um vestido branco, neste ambiente escuro e onírico, aparece durante o filme inteiro e percebe-se que Joe está falando sobre os acontecimentos de sua vida para ela. Depois, Joe está numa sala de projeção vendo um filme por ele dirigido sobre um pop-star. Ele fala sobre vida e morte, temas principais de ‘All That Jazz’. Outro tema é a fama e a indústria cinematográfica, descrita por Joe como uma indústria muito estranha.

Em ‘All That Jazz', Bob Fosse, vivo, mostra sua morte. E esta não é uma morte qualquer, mas uma cena de um musical muito alegre. O espectador penetra na alma do personagem principal, um diretor que vive cercado de produtores, aspirantes a atores, críticos, e amantes. E além de tudo isso têm o passado se cruzando com o presente. O presente seria a corda bamba sobre a qual está Joe à beira da morte. A conversa de Joe com a mulher angelical naquele ambiente onírico se passa no limiar entre a vida e a morte. A morte e o mundo do espetáculo, que, de certa maneira estão fortemente interligados são os dois principais temas abordados e analisados por Bob Fosse. A idéia central de ‘All That Jazz’ é a idéia de que vivemos no mundo do espetáculo. Tudo é espetáculo. Até a própria morte. (sinopse por patricia alegre)

peter allen - everything old is new again


soundtrack - all that jazz (1979)

All That Jazz (1995)

Tracklist
01. Main Title (Instrumental) - Ralph Burns
02. On Broadway - George Benson
03. Michelle (Instrumental) - Ralph Burns
04. Take Off With Us - Sandahl Bergman & Chorus
05. Vivaldi Concert In G (Instrumental) - Ralph Burns
06. Ponte Vecchio (Instrumental) - Ralph Burns
07. Everything Old Is New Again - Peter Allen
08. South Mt Sinai Parade (Instrumental) - Ralph Burns
09. After You've Gone - Leland Palmer
10. There'll Be Some Changes Made - Ann Reinking
11. Who's Sorry Now - Chorus
12. Some Of These Days - Erzsebet Foldi
13. Going Home Now (Instrumental) - Ralph Burns
14. Bye Bye Love - Ben Vereen & Roy Scheider

badlands

badlandsUma banda de hard rock bluesy dos anos 80 que fazia uma mistura de ‘Whitesnake’ e ‘Led Zepellin’ e que teve alguns grandes nomes ‘Badlands’ tinha tudo para dar certo, mas surgiu em uma época em que o hard rock se despedia do cenário musical, as brigas entre os integrantes eram constantes e a morte do vocalista Ray Gillen selou o seu destino. A banda foi formada em 1988, por Jake E. Lee e Ray Gillen após a sua saída de um bem sucedido projeto chamado ‘Phenomena’ criado por Glenn Hughes, sendo o primeiro registro oficial de Ray Gillen no mundo da música. ‘Badlands’ contava também com Craig Chaisson e Eric Singer, músicos experientes que tiveram passagens por bandas como ‘Black Sabbath’, ‘Ozzy’, ‘Steeler’ entre outras. Ray Gillen com uma voz cristalina e poderosa foi o sucessor de Glenn Hughes no ‘Black Sabbath’, demitido por problemas com drogas e após uma briga durante a turnê do álbum 'Seventh Star' onde sofreu uma lesão na cavidade nasal que inundava de sangue suas cordas vocais. Ray foi o vocalista do ‘Black Sabbath’ no disco ‘The eternal Idol’, mas devido à baixa vendagem e por imposição da gravadora foi substituído por Tony Martin. Eric Singer, que era o baterista nesta época, tornou-se amigo de Ray que mais tarde o convidou para o ‘Badlands’. A guitarra ficou a cargo de Jake E. Lee que não tocou no ‘Black Sabbath’, mas fez parte da banda do ex-vocalista, Ozzy Osbourne. O baixista Greg Chaisson tinha uma boa experiência musical.

O auto-intitulado álbum lançado em 89 vendeu razoavelmente. Em 91 com a saída de Eric Singer para assumir as baquetas no ‘Kiss’ entrou em seu lugar Jeff Martin e gravaram ‘Voodoo Highway’ que foi um tremendo fiasco, sendo massacrado pela mídia americana. A banda já dava sinais que não pretendia continuar, e Ray Gillen já debilitado pela Aids entrou em estúdio para gravar o terceiro disco da banda, que não foi aprovado pela gravadora na época, tendo sido lançado anos mais tarde, em 99, sob o título ‘Dusk’. Com o fim da banda, Jake E Lee partiu para uma carreira solo que não deu certo, Ray Gillen formou a banda ‘Sun Red Sun’ e após lançar o primeiro álbum, faleceu aos 33 anos de idade. Dois anos após a morte de Freedie Mercury, o rock perdia mais um músico para a Aids.

badlands

Craig Chaisson, Jake E. Lee, Eric Singer e Ray Gillen

Ray Gillen nasceu em um bairro de classe média de New Jersey. Filho único de uma família bem estruturada, descendente por parte de mãe de índios Cherokee, ele sempre manteve uma boa ligação com seus antepassados. Ele cursou o colégio, mas sem grande destaque. Foi na época do ginásio que ele começou a ter uma ligação maior com a música, timidamente a principio, ganhando confiança depois, para ingressar em bandas covers que tocavam nas festas estudantis. As bandas faziam sucesso nos bares das redondezas, e ele começava a construir um nome e uma reputação. Então chegou o dia em que ele ingressou na banda ‘Vendetta’, e foi quando decidiu procurar um professor de canto. A banda era um sucesso e a técnica de Ray crescia a cada dia quando ele mudou novamente de banda, passando para a ‘Harllet’. Nessa mesma época, o Rondinelli tinha saído do ‘Rainbow’, e estava formando uma banda solo. Em New Jersey mesmo ele encontrou sem problemas o baixista e o baterista, mas o vocal era um problema, afinal ele tinha trabalhado com o Dio no ‘Rainbow’. Ele estava decidido a procurar fora da cidade quando lhe falaram de Ray Gillen. Ray entrou no Sabbath em 1986, por indicação da namorada do baixista Dave Spitz que fazia aula de canto com ele em New Jersey.

Badlands (1989)

Badlands (1989)

Tracklist
01. High Wire 02. Dreams in the Dark 03. Jade's Song 04. Winter's Call 05. Dancing on the Edge 06. Streets Cry Freedom 07. Hard Driver 08. Rumblin' Train 09. Devil's Stomp 10. Seasons 11. Ball and Chain

badlands - Voodoo Highway [1991]

Voodoo Highway (1991)

Tracklist
01. The Last Time 02. Show Me the Way 03. Shin On 04. Whiskey Dust 05. Joe's Blues 06. Soul Stealer 07. Day Funk 08. Silver Horses 09. Love Don't Mean A Thing 10. Voodoo Highway 11. Fire And Rain 12. Heaven's Train 13. In a Dream

badlands - Time Goes By...In Memory  of Ray Gillen (1993)

Time Goes By...In Memory of Ray Gillen (1993)

Tracklist
01. Time Goes By 02. Heartbreak 03. Let It Bleed 04. Shake Down 05. Get Ready 06. Soul Lives in the Heart 07. Badland 08. You Shook Me 09. Rock And Roll 10. Bottoms Up 11. Runnin' With the Devil 12. Ain't Talkin' About Love 13. Rock And Roll 14. Another Piece of Meat 15. Heaven and Hell 16. Green Manalishi 17. Strange Wings 18. Rock And Roll

badlands - Dusk [1998]

Dusk (1998)

Tracklist
01. Healer 02. Sun Red Sun 03. Tribal Moon 04. The River 05. Walking Attitude 06. The Fire Lasts Forever 07. Dog 08. Fat Cat 09. Lord Knows 10. Ride the Jack

badlands - the river



beginner’s guide to jazz


Beginner's Guide To Jazz (2008)

Beginner's Guide To Jazz (2008)

CD 1: Classic Jazz     |    CD 2: Jazz Vocal     |    CD 3: Jazz Fusion

rosemary clooney & duke ellington
(grievin)


Tracklist CD 1: Classic Jazz
01. Duke Ellington Orchestra - Minnie the Moocher
02. Charles Mingus - Things Ain't What They Used To Be
03. Thelonious Monk - Blue Bolivar Blues
04. Milt Jackson & John Coltrane - Bags & Trane
05. Ornette Coleman - Ramblin'
06. Chet Baker & Paul Desmond - Tangerine
07. Duke Ellington Orchestra - Big Fat Alice Blues
08. Chet Baker - You Don't Know What Love Is
09. John Coltrane - Naima
10. Ray Charles featuring Milt Jackson - The Genius after Hours
11. Dexter Gordon - Body and Soul
12. Ben Webster - There's No You
13. Yusef Lateef - Like It Is
14. Elvin Jones - Elvin Elpus
15. Eddie Harris - Tampion

Tracklist CD 2: Jazz Vocal
01. Jimmy Scott - Sometimes I Feel Like a Motherless Child
02. Billie Holiday - Gloomy Sunday
03. Nina Simone - My Man's Gone Now
04. Rosemary Clooney with Duke Ellington & His Orchestra - Grievin
05. Dave Brubeck feat Carmen Mcrae - Travelin' Blues
06. Ella Fitzgerald - Willow Weep For Me
07. Caterina Valente - Never Will I Mary
08. Dave Brubeck feat Louis Armstrong - Summer Song
09. Chet Baker - Fair Weather
10. Rahsaan Roland Kirk & Al Hibblerb Feat Leon Thomas - Dream
11. Mose Allison - One of These Days
12. Torun Eriksen - Fever Skin
13. Jon Lucien - A Sunny Day
14. Dizzy Gillespie feat Joe Carroll - Groovin' the Nursery Rhymes

Tracklist CD 3: Jazz Fusion
01. Freddie Hubbard - Lonely Soul
02. Don Ellis Orchestra - Alone
03. Herbie Mann - Consolacao
04. Roy Ayers - I Love You Michelle
05. Herbie Hancock - Wiggle-Waggle
06. Yusef Lateef - Russell and Eliot
07. Mongo Santamaria - Sofrito
08. Miles Davis - Frelon Brun (Brown Hornet)
09. Roland Kirk - Blacknuss
10. Keith Jarrett - Margot
11. Maria Kannegaard - Hey Ya
12. Atomic - Pyramid Song
13. Our Theory Feat Erik Truffaz - Our Theory
14. Bugge Wesseltoft - Min By
15. Bill Evans - Gary'stheme
16. Lonnie Liston Smith - Quiet Dawn

willie dixon - o poeta do blues

willie dixonCertamente o maior cantor, compositor e arranjador de Chicago. Ao lado de Muddy Waters, ele foi a pessoa mais influente na formação do blues pós-guerra. Os maiores hits de blues são composições de William James Dixon, nascido em uma pequena fazenda de Vicksburg, onde viveu e cresceu, junto com seus quatorze irmãos, trabalhando durante boa parte da infância. Aos onze anos já participava do grupo vocal ‘The Union Jubilee Singers’ onde cantava por algumas moedas. Suas maiores influências foram sua mãe, uma poetisa religiosa, e o ambiente gospel do local em que vivia. E influenciou toda uma geração de músicos em todo o mundo, sendo um importante elo entre o blues e rock and roll, trabalhando com Chuck Berry e Bo Diddley no final da década de 1950, sendo suas canções gravadas pelas maiores bandas dos anos 1960 e 1970, incluindo Bob Dylan, 'Cream', 'Led Zeppelin', 'The Yardbirds', 'The Rolling Stones', 'The Doors', 'The Allman Brothers Band' e 'Grateful Dead'.

Em 1929, com quinze anos, mudou-se para Chicago, onde passou a ganhar a vida como boxeador, tendo conquistado em 1932 as ‘Luvas de Ouro’ na categoria ‘Peso Pesados Amadores’ no Estado de Illinois, tornando-se profissional no ano seguinte. É também durante esta época que aprendeu a tocar contrabaixo. Em 1939, passou um ano na cadeia por se recusar a prestar o serviço militar. Em 1940, começou a gravar com grupos e bandas diversas, assinando no final da década com a gravadora 'Chess Records', primeiro como cantor, depois como músico de estúdio, compositor, arranjador, produtor e caça-talentos. Suas canções: ‘Little Red Rooster’, ‘Hoochie Coochie Man’, ‘Evil’, ‘Spoonful’, ‘Back Door Man’, ‘I Just Wanna Make Love to You’, ‘I Ain't Superstitious’, ‘My Babe’, ‘Wang Dang Doodle’ e ‘Bring It On Home’, foram escritas no intervalo de 1950-1965, o pico da 'Chess Records', e gravadas por Muddy Waters, Howlin 'Wolf e Little Walter.

willie dixon (1966)

da esquerda: Big Joe Williams, Bukka White, Willie Dixon, Muddy Waters,
Sunnyland Slim, James Madison, Mabel Hillary, James Cotton

willie dixon & koko taylor

Willie Dixon e Koko Taylor

Todos os grandes artistas do blues e posteriormente do rock já cantaram ou gravaram Willie Dixon. Apesar do riquíssimo acervo, Willie Dixon nunca recebeu o pagamento relativo a direitos autorais, até que na década de setenta ele e Muddy Waters processaram a ‘Arc Music’, editora que cuidava de angariar os direitos autorais e repassá-los aos devidos artista. Finalmente na década de oitenta Dixon passou a receber o que lhe era de direito. Nesta época, também processou o ‘Led Zeppelin’ pela gravação de ‘Bring It on Home’ e ‘Whole Lotta Love’, provando que esta última era um descarado plágio da canção ‘You Need Love’, de sua autoria. Excursionando em turnês pelos Estados Unidos e Europa, trabalhou também para várias organizações que prestavam assistência jurídica aos bluesmen menos conhecidos, igualmente prejudicados nos seus direitos autorais. Com a saúde cada vez mais frágil, no final da década de 80, Dixon acabou por ter sua perna amputada devido a problemas com diabetes e em 1992 faleceu enquanto dormia.

willie dixon - so long



willie dixon - the big three trio (1945-1950)

The Big Three Trio (1945-1950)

Tracklist
01. Big 3 Boogie 02. If the Sea Was Whiskey 03. I Ain't Gonna Be Your Monkey Man 04. 88 Boogie 05. Money Tree Blues 06. Big 3 Stomp 07. Since My Baby Gone 08. Hard Notch Boogie Beat 09. No One to Love Me 10. Don't Let That Music Die 11. It's All over Now 12. Tell That Woman 13. Got You on My Mind 14. Etiquette 15. You Don't Love Me No More 16. Come Here Baby 17. O.C. Bounce 18. Cool Kind Woman 19. Juice-Head Bartender 20. What Am I to Do 21. Signifying Monk

willie dixon - I am the blues (1970)

I Am The Blues (1970)

Tracklist
01. Back Door Man 02. I Can’t Quit You, Baby 03. The Seventh Son 04. Spoonful 05. I Ain’t Superstitious 06. You Shook Me 07. I’m Your Hoochie Coochie Man 08. The Little Red Rooster 09. The Same Thing

willie dixon - the chess box (1988)

The Chess Box (1988)
CD 1    CD 2

Tracklist: CD 1
01. Little Walter - My Babe
02. The Big Three - Violent Love
03. Eddie Boyd - Third Degree
04. Willie Mabon - Seventh Son
05. Willie Dixon - Crazy For My Baby
06. Willie Dixon - Pain In My Heart
07. Muddy Waters - Hoochie Coochie Man
08. Howlin' Wolf - Evil
09. Little Walter - Mellow Down Easy
10. Jimmy Witherspoon - When The Lights Go Out
11. Muddy Waters - Young Fashioned Ways
12. Bo Diddley - Pretty Thing
13. Muddy Waters - I'm Ready
14. Lowell Fulson - Do Me Right
15. Muddy Waters - I Just Want To Make Love To You
16. Lowell Fulson - Tollin' Bells
17. Willie Dixon - 29 Ways
18. Willie Dixon - Walkin' The Blues

Tracklist: CD 2
01. Howlin' Wolf - Spoonful
02. Otis Rush - You Know My Love
03. Bo Diddley - You Can't Judge A Book By Its Cover
04. Howlin' Wolf - I Ain't Superstitious
05. Muddy Waters - You Need Love
06. Howlin' Wolf - Little Red Rooster
07. Howlin' Wolf - Back Door Man
08. Little Walter - Dead Presidents
09. Howlin' Wolf - Hidden Charms
10. Muddy Waters - You Shook Me
11. Sonny Boy Williamson - Bring It On Home
12. Howlin' Wolf - 300 Pounds Of Joy
13. Willie Dixon - Weak Brain, Narrow Mind
14. Koko Taylor - Wang Dang Doodle
15. Muddy Waters - The Same Thing
16. Howlin' Wolf - Built For Comfort
17. Little Milton - I Can't Quit You Baby
18. Koko Taylor - Insane Asylum

willie dixon - Poet of the Blues (1998)


Poet of the Blues (1998)


Tracklist
01. Back Door Man 02. I Can't Quit You Baby 03. The Seventh Son 04. Spoonful 05. I Ain't Superstitious 06. (I'm Your) Hoochie Coochie Man 07. Little Red Rooster 08. Big 3 Stomp 09. I Ain't Gonna Be Your Monkey Man 10. It's All Over Now 11. If the Sea Was Whiskey 12. O.C. Bounce 13. Money Tree Blues 14. Cool Kind Woman Blues 15. Juice-Head Bartender 16. Signifying Monkey

Quando Willie Dixon deixou seu Mississippi natal e viajou para o norte de Chicago, sozinho, como produtor e arranjador, arrastou o blues para a era moderna. Esta estupenda compilação de dois discos retrata Dixon como um dos principais arquitetos do blues moderno. No primeiro disco com Dixon no estúdio e em concertos, incluindo várias faixas ao vivo, com Johnny Winter, e o segundo com ele tocando baixo e seu trabalho de produção com Robert Nighthawk, Boyd Eddie, Muddy Waters, Little Walter, Fulson Lowell, Bo Diddley, Willie Mabon e Howlin 'Wolf.

willie dixon - giant of the blues (2008)

Giant Of The Blues (2008)
CD 1    CD 2

Tracklist: CD 1
01. You Sure Look Good to Me – Big Three Trio
02. Signifying Monkey – Big Three Trio
03. Reno Blues – Big Three Trio
04. Violent Love – Big Three Trio
05. Cool Kind Woman – Big Three Trio
06. Wang Dang Doodle – Willie Dixon
07. So Long – Willie Dixon
08. Walking the Blues – Willie Dixon
09. Crazy for My Baby – Willie Dixon
10. This Pain in My Heart – Willie Dixon
11. Twenty-Nine Ways (To My Baby’s Door) – Willie Dixon
12. All the Time – Willie Dixon
13. Sittin’ and Cryin’ the Blues [Live] – Willie Dixon
14. Spoonful [Live] – Willie Dixon
15. I Just Wanna Make Love to You [Live] – Willie Dixon
16. Chicago Here I Come [Live] – Willie Dixon
17. Tore Down [Live] – Johnny Winter
18. You Know It Ain’t Right [Live] – Johnny Winter
19. Mean Mistreater- Johnny Winter
20. Roach Stew [Live] – Johnny Winter
21. Killing Floor [Live] – Johnny Winter

Tracklist: CD 2
01. My Sweet Lovin’ Woman – Robert Nighthawk
02. Black Angel Blues (Sweet Black Angel) – Robert Nighthawk
03. Third Degree – Robert Nighthawk
04. I’m Your Hoochie Coochie Man – Muddy Waters
05. I’m Ready – Muddy Waters
06. I Just Wanna Make Love to You – Muddy Waters
07. Don’t Go No Further – Muddy Waters
08. I Love the Life I Live, I Live the Life I Love – Muddy Waters
09. My Babe (Mercy Babe) – Muddy Waters
10. (I Love You So) Oh Baby – Muddy Waters
11. Crazy for My Baby – Muddy Waters
12. Sloppy Drunk – Jimmy Rogers
13. When the Lights Go Out – Jimmy Witherspoon
14. I Can’t Make It with You – Jimmy Witherspoon
15. Do Me Right – Lowell Fulson
16. Loving You – Lowell Fulson
17. Tollin’ Bells – Lowell Fulson
18. Diddy Wah Diddy – Bo Diddley
19. Pretty Thing – Bo Diddley
20. Seventh Son – Willie Mabon
21. Evil (Is Going On) – Howlin’ Wolf
22. Shake for Me [Live] – Howlin’ Wolf
23. Little Red Rooster [Live] – Howlin’ Wolf
24. Wang Dang Doodle [Live] – Howlin’ Wolf
25. Built for Comfort [Live] – Howlin’ Wolf

joão bosco

joão boscoJoão Bosco de Freitas Mucci nasceu no Estado de Minas Gerais, na cidade de Ponte Nova, região da Zona da Mata Mineira. Viveu sua infância em um ambiente musical. O bandolim, o piano, o canto e o violino faziam parte de seu cotidiano familiar. Aos quatro anos de idade cantava nas missas de sua paróquia. Aos 12 anos, ganhou seu primeiro violão. Em 1967 ingressou no curso de engenharia da Universidade de Ouro Preto. Por essa época teve seu interesse musical despertado e João Bosco conheceu o poeta Vinicius de Moraes, mas a parceria não decolou. Em 1970 conheceu o poeta carioca Aldir Blanc e tornaram-se parceiros em mais de uma centena de músicas. Formou-se como engenheiro civil em 1972.

Aldir BlancJoão Bosco e Aldir Blanc foi, com certeza, uma das mais bem sucedidas parcerias da MPB. Lançados por Elis Regina, na década de 70, o engenheiro João e o psiquiatra Aldir formaram uma dupla imbatível de repórteres de uma época. João tentou Vinícius, Aldir compôs com Ivan Lins e Gonzaguinha, mas a cadência não batia. Apresentados por um amigo comum encontraram finalmente a combinação perfeita. A parceria foi montada por correspondência, Aldir mandava as letras para Ouro Preto, onde João fazia sua faculdade e, nas férias, juntavam-se para cantar, jogar sinuca e compor. Até que um dia Aldir mandou a letra de ‘Agnus Sei’ e a parceria se consolidou com uma gravação. O Brasil ouviu, e Elis gravou em 72. A genialidade da dupla está na perfeição de versos e melodias, na história do homem comum que tem sua glória estampada nos jornais, ou no cotidiano de casais, no terreiro de Candomblé, ou no bar da esquina.

joão bosco por joão bosco

Há uma suspeita de que a escassez de cabelos na cabeça influi na quantidade do sono. Enquanto isso meu nariz aponta para a linha do nada onde tudo se reparte em idéias, ilhas e continentes. Meus olhos confirmam tudo. A minha boca é toda ouvidos para o meu coração. Os meus ouvidos atentam para outras bocas. Amamentado pelo meu violão, moro na estrada. Sem saber quem sou e nem porque vim, eu vou. Da primeira vez que nasci, lá pelo ano de 1946, trouxe comigo uma grande alegria para o meu pai que até aquele momento contabilizava o feito de cinco moças e mais os olhares interrogativos e desconfiados da colônia árabe. Cresci em meio aos matagais, trilhas, mata-burro, veredas e grutas; descalço, tive os pés regulados para andar por esses caminhos ao som de pios de uma fauna alegre e ingênua; matuto, vivia contando estrelas, ouvindo carrilhões e sonhava muito. Quando os libaneses se reuniam em nossa casa, se entendiam naquela língua de quem gosta de montar em camelo. Eu achava aquilo meio estranho. Era como clamar no deserto. Passei pela terra de Aleijadinho e o meu coração que até então era vadio, ficou barroco. Subi e desci ladeiras. Descobri que na vida existem mais hipóteses que teoremas. Supor é melhor que demonstrar e na dúvida mora a vontade de continuar. Foi assim que deixei a memória, o patrimônio de séculos construídos pelas mãos do homem, o calçamento em forma de pé-de-moleque, o silêncio das almas, o barulho interno de minha alma. Calcei os sapatos, peguei o trem e vim pra cá, onde as ruas são largas, retas e simétricas; as sirenes são cortantes e os pastores das almas são barulhentos. O vizinho não mora ao lado, as árvores são introvertidas e os pios das aves são intrigantes. Quando nasci da segunda vez, o meu coração bateu aflito. Mas logo que vi o mar, serenei, pois, tudo que havia existido voltou subitamente e volta sempre quando estou caminhando no calçadão que vai do Leblon ao Arpoador. Aí, o que foi e o que poderia vir a ser andam comigo, incluindo as sementes, o pão de queijo e a goiabada. Eu sou do signo de Câncer, por isso prefiro uma toca, entretanto aprendi a contrariar o meu signo várias vezes, por isso gosto tanto de viajar por esse mundo afora, só não consigo contrariar o meu signo de mineiro. Eu sei que esse deveria ser um retrato pintado ou desenhado, falado ou escrito do autor pelo próprio autor, mas quando se trata de revelar-me, prefiro assim, meio de lado, do jeito que a gente anda no samba, no lugar de frente ou verso. O amor é o meu dia de folga. Quem sabe de mim é o meu violão.

joão bosco - corsário


joão bosco – Acústico MTV (1992)

Acústico MTV (1992)

Tracklist
01. Odilê Odilá 02. Holofotes 03. Papel machê 04. Granito 05. Quilombo/Tiro de misericórdia/ Escadas da Penha 06. Memória da pele 07. E então que quereis... ?/Corsário 08. Eleanor Rigby/Fita amarela/Trem bala

o essencial de joão bosco (1999)

O Essencial de João Bosco (1999)

Tracklist
01. Linha de Passe 02. O ronco da cuíca 03. Latin lover 04. Dois prá lá, dois prá cá 05. De frente pro crime 06. Kid Cavaquinho 07. Quando o amor acontece 08. Miss Sueter 09. Incompatibilidade de gênios 10. Siri recheado e o cacete 11. Corsário 12. Papel Machê 13. Gênesis (Parto) 14. Escadas da Penha 15. Agnus Sei 16. O cavaleiro e os moinhos 17. A nível de... 18. Boca de sapo 19. O bêbado e a equilibrista 20. O rancho da goiabada

joão bosco - songbook (2003)

Songbook (2003)
volume 1    volume 2    volume 3

Volume I
01. Caça à raposa [Milton Nascimento]
02. Bala com bala [Edu Lobo]
03. Incompatibilidade de gênios [Chico Buarque]
04. Quando o amor acontece [Zizi Possi]
05. Latin Lover [Luiz Melodia]
06. O rancho da goiabada [Zélia Duncan e Pedro Luiz e Parede]
07. Coisa feita [Alcione]
08. Assim sem mais [Moska e Jacques Morelenbaum]
09. Indeciso coração [Leila Pinheiro e João Donato]
10. Das dores dos oratórios [ Zeca Baleiro]
11. A nível de… [Chico César]
12. Mama Pa Lavra [Arnaldo Antunes]
13. Memória da pele [Rosa Passos e Emílio Santiago]
14. Siameses [Leny Andrade e Emílio Santiago]
15. O bêbado e o equilibrista [Aldir Blanc e João Bosco]

Volume II
01. O corsário [Daniella Mercury]
02. Nação [Simone e João Bosco]
03. Odilê, Odilá [Gilberto Gil]
04. Linha de passe [Ana Carolina]
05. O cavaleiro e os moinhos [Ivan Lins]
06. Kid Cavaquinho [Beth Carvalho]
07. Flor de Ingazeira [Elba Ramalho]
08. Bodas de Prata [Zé Renato e Marco Pereira]
09. Miss Suéter [Edson Cordeiro]
10. Transversal do tempo [Sandra de Sá e Antonio Adolfo]
11. Agnus Sei [Dori Caymmi]
12. De frente pro crime [Tunai e Wagner Tiso]
13. Doce sereia [Joyce e Maogani]
14. Escadas da penha [Dudu Nobre]

Volume III
01. Bijuterias [Burnier, Cartier e Ed Motta]
02. Jade [Pedro Mariano]
03. O Ronco da Cuíca [Lenine]
04. Tiro de misericórdia [Sandra de Sá]
05. Desenho de giz [Djavan]
06. O Mestre Sala dos Mares [Martinho da Vila e João Bosco]
07. Boca de sapo [Zeca Pagodinho]
08. Papel Machê [Paula Toller]
09. Falso Brilhante [Nana Caymmi]
10. Senhoras do Amazonas [Guinga e Leila Pinheiro]
11. Sábios acostumam mentir [Jussata e Luiza Brasil]
12. Enquanto espero [Ney Matogrosso]
13. Nossas últimas viagens [Dominguinhos]
14. Saída de emergência [Fátima e Nelson Faria]
15. Dois pra lá e dois pra cá [Cauby Peixoto]
16. Siri recheado e o Cacete [Jards Macalé]

soundtrack by tarantino

quetin tarantinoFamoso pela mistura de muito sangue e sensacionais trilhas sonoras em suas produções, Quentin Tarantino possui, em sua casa, um quarto só para guardar as centenas de CDs e discos de vinil que ele coleciona desde a sua adolescência. Como ele já revelou em várias entrevistas, boa parte da inspiração para as cenas de seus filmes, é oriunda das músicas que ouve. Algumas foram escritas depois da escolha da trilha sonora e em todos os filmes de Tarantino sempre tem aquela música que gruda e não sai da cabeça. Desde ‘Reservoir Dogs’ (1992) até ‘Inglorious Bastards’, o diretor sempre escolheu composições antigas para embalar cenas cruciais de seus personagens. Outra característica do diretor é colocar trechos dos melhores diálogos dos longas na trilha sonora. Em ‘Reservoir Dogs’ é possível ouvir os protagonistas conversando sobre Madonna. Já em ‘Kill Bill’ há o embate entre Bill e Beatrix. Apenas ‘Inglorious Bastards’ não traz trechos de diálogos. O casamento entre música e personagens costuma ser tão perfeito que as canções sempre se transformam em hit. É o caso da canção ‘Little Green Bag’ que foi gravada por George Baker Selection em 1969 e que embalou a cena inicial de ‘Reservoir Dogs’’(1992), quando o diretor nos apresenta ao time de assassinos do filme. A sensacional ‘Girl, You’ll Be a Woman Soon’ foi gravada originalmente por Neil Diamond em 1967. Em 1994, o ‘Urge Overkil’ fez uma versão, que acabou caindo nas mãos de Tarantino. O diretor gostou tanto que resolveu colocar Uma Thurman para dançar ao som da música.

roger avaryQuentin Jerome Tarantino, nome dado por sua mãe em homenagem a um personagem da série de TV ‘Gunsmoke’, nasceu em Knoxville, no Tennessee. Seu pai Tony Tarantino, era ator e músico de ascendência italiana, e sua mãe Connie McHugh, era descendente de irlandeses e índios Cherokees. Logo após o nascimento de Quentin Tarantino, sua mãe casou-se com o músico Curt Zastoupil, com quem Tarantino formou fortes laços afetivos. Curt o levava para assistir filmes que eram proibidos para a sua idade e foi por causa dele que Tarantino se interessou por cinema e desenvolveu o gosto por filmes violentos. Tornou-se um cinéfilo compulsivo e o seu primeiro emprego foi em uma vídeo locadora em Manhattan Beach onde conheceu o canadense Roger Roberts Avary, colega de trabalho e amigo com quem discutia sobre filmes e que mais tarde também seguiu a carreira de diretor e roteirista. Após inúmeras tentativas frustradas para entrar no cinema como ator, chegando até a forjar um currículo onde declarava ter sido ator no filme ‘King Lear’ (1987) de Jean Luc-Godard, decidiu escrever o próprio roteiro, do inacabado filme ‘My Best Friend’s Birthday’ que trabalhou com Roger como diretor de fotografia. Parte do filme se perdeu num incêndio, mas rendeu um outro roteiro, o do filme ‘Tru Romance’ (1993) de onde surgiram os dois melhores filmes feitos por Tarantino: ‘Reservoir Dogs’ (1992) e ‘Pulp Fiction' (1994) ganhador do Oscar de melhor roteiro, prêmio que dividiu com Roger Avary. Os dois filmes lhe garantiram uma notoriedade incrível, por seus diálogos afiados e também pela cronologia fragmentada. Para gravar ‘Reservoir Dogs’, Tarantino vendeu os direitos do roteiro de ‘Natural Born Killers’ (1994) para Oliver Stone.

uma thurmanMas, não existiram apenas flores no caminho de Tarantino, em ‘From Dusk Till Dawn’ (1997) (no Brasil, Um Drink no Inferno), um dos piores filmes que eu já vi na vida, Tarantino recebeu uma indicação merecida ao ‘Framboesa de Ouro’ de pior ator coadjuvante ao interpretar um estuprador psicopata. Em 1997 escreveu o roteiro de ‘Jackie Brown’, adaptação do romance ‘Rum Punch’ de Elmore Leonard, dando uma chance a Pam Grier, como atriz principal. Tarantino tem um grupo de atores que freqüentemente participam de seus filmes: Tim Roth, Harvey Keitel, Uma Thurman, Michael Madsen, Steve Buscemi, Bruce Willis e Samuel L. Jackson. Outra característica de Tarantino são as marcas fictícias criadas por ele em seus filmes: os cigarros ‘Red Apple’, a lanchonete ‘Big Kahuna Burgers’, cereal matinal ‘Fruit Brute’ entre outros. Através dos seus roteiros é possivel também notar que os personagens de seus filmes possuem elos entre si: Vicent Vega aparece em ‘Pulp Fiction’, já seu irmão Vic Vega é presente em ‘Reservoir Dogs’. Tarantino esteve romanticamente envolvido com diversas mulheres, incluindo a atriz vencedora do Oscar Mira Sorvino; as diretoras Allison Anders e Sofia Coppola; a atriz francesa Julie Dreyfus; e a comediante Margaret Cho. Surgiram rumores de envolvimento com Uma Thurman, a quem ele se refere como sua ‘musa’.

the george baker selection - little green bag


the tarantino connection (1997)

The Tarantino Connection (1997)

Tracklist
01. Quentin Tarantino – Interview
02. Dick Dale and His Del-Tones – Misirlou
03. The Blasters – Dark Night
04. George Baker Selection – Little Green Bag
05. Charlie Sexton – Graceland
06. Urge Overkill – Girl, You'll Be a Woman Soon
07. Leonard Cohen – Waiting for the Miracle
08. Burl Ives – A Little Bitty Tear
09. Quentin Tarantino - Interview 2
10. Stealers Wheel – Stuck in the Middle with You
11. Chuck Berry – You Never Can Tell
12. Robert Palmer – Love Is (The Tender Trap)
13. Cowboy Junkies – Sweet Jane
14. Dire Straits – Six Blade Knife
15. The Mavericks – Foolish Heart
16. Combustible Edison – Vertigogo

ultimate tribute to quentin tarantino (2008)

The Ultimate Tribute to Quentin Tarantino (2008)
CD 1    CD 2

Tracklist CD 1
01. Nancy Sinatra - Bang Bang (My Baby Shot Me Down)
02. Urge Overkill - Girl You'll Be a Woman Soon
03. Ladybug Transistor - Always On the Telephone
04. The Hurricanes - Out Of Limits
05. Geater Davies - Sad Shades of Blue
06. Joe Cocker - Woman To Woman
07. Screamin' Jay Hawkins - I Put a Spell on You
08. The Surf Coronados - Pipeline
09. Bilie Jo Spears - Fever
10. Chris Farlowe - Paint It Black
11. Scremin' Lord Such - Murder in the Graveyard
12. Duane Eddy - Rebel Rouser

Tracklist CD 2
01. Dick Dale & The Del-Tones - Misirlou
02. Fendermen - Ghost Riders in the Sky
03. Dennis Yost & Classic IV - Spooky
04. The Meters - Look-Ka-Py-Py
05. Wilson Pickett - Something You Got
06. 1910 Fruitgum Co. - Indian Giver
07. Lobo - You Me and a Dog Named Boo
08. The Grass Roots - Midnight Confessions
09. John Fred & His Playboy Band - Judy in Disguise
10. Nino Tempo & April Stevens - Deep Purple
11. Richard Twang & His Cadilacs - Apache
12. Johnny Cash - I Walk the Line

100% Hits Quentin Tarantino Vol.1 (2009)

100% Hits Quentin Tarantino Vol.1 (2009)

Tracklist
01. The Centurians - Zed`s Dead. Baby, Bullwinkle Part II
02. Tito & Tarantula - After Dark
03. The Lively Ones - Surf Rider
04. Tito & Tarantula - Angry Cockroaches
05. Kool & The Gang - Jungle Boogie
06. The George Baker Selection - Little Green Bag
07. Chuck Berry - You Never Can Tell
08. Los Lobos & Antonio Banderas - Morena Del Mi Corazon
09. The Statler Brothers - Flowers In The Wall
10. Harry Nilson - Coconut
11. Combustible Edison - Vertigogo
12. The Lefttovers - Torguay
13. The Revels - Comanche
14. The Blasters - Everybody Be Cool, Dark Night
15. Tito & Tarantula - Strange Face Of Love
16. Hollywood Persuaders - Drums A GO-GO
17. Urge Overkill - Girl, You will Be A Woman Soon
18. Link Wray & His Ray Men - Jack The Ripper
19. The Tornadoes - Bustin` Surfboards
20. Duanne Eddy - Looking For A Man Called Bucho
21. Dick Dale & His Del-Toness - Everybody Be Cool
22. Juliette Lewis - Born Bad
23. Dan Zanes - Moon Over Green Country
24. Los Lobos - Let Love Reign
25. Leonard Cohen – I’am The Law The Future

100% Hits Quentin Tarantino Vol.2 (2008)

100% Hits Quentin Tarantino Vol.2 (2008)

Tracklist
01. ZZ Top - She’s Just Killing Me
02. Creedence - Run Through The Jungle
03. Stevie Ray Vaughan - Marry Had A Little Lamb
04. Stevie Ray Vaughan - Whillie The Wimp
05. Surfaris - Wipeout
06. John Travolta & Olivia Newton John - You Are The One Than I Want
07. Del Shannon - Runaway
08. Travolta & Samuel L. Jackson - Royale With Cheese
09. James Taylor Quartet - Jackie’s Theme
10. The Imagination - Just An Illusion
11. Bobbie Womack - Accross Troth Street
12. Al Green - Let’s Stay Together
13. Dire Straits - Six Blade Knife
14. L7 - Shitlist
15. Eliot Easton’s Tiki Gods - Monte Carlo Nights
16. Leonard Cohen - Waiting For The Miracle
17. The Doors - Riders On The Storm

soul diva sessions

A força interior das ‘divas’ reunidas neste álbum são a prova positiva de que, cada uma delas tem algo a dizer sobre a complexidade de uma das mais indescritíveis emoções humanas, o amor. Aqui, elas proclamam a alegria intensa de encontrá-lo, a mágoa e a dor lancinante de perdê-lo e, em alguns casos, as atribulações de um não correspondido ou abordam o amor de duas relações como um veneno bilioso e amargo. ‘Soul Diva Sessions’ reúne músicas dos anos 60, 70 e início dos 80. São clássicos e raridades de ‘divas’ cuja atitude e força interior foram partes integrantes de suas vidas. A arte pode ser encontrada em qualquer lugar, ela não se limita às ostentosas galerias e salas de concerto ou a teatros de prestígio.

gwen mccrae - lead me on


soul diva sessions

Soul Diva Sessions (2004)
(Classic 60s and 70s ladies soul with attitude)
CD 1    CD 2

Tracklist CD 1
01. Barbara Lynn - This Is The Thanks I Get
02. Betty Lavette - Let Me Down Easy
03. Betty Everett - Getting Mighty Crowded
04. Liz Lands - One Man’s Poison
05. Betty Harris - There’s A Break In The Road
06. Jody Gayles - You Gotta Push
07. Nina Simone - Save Me
08. Aretha Franklin - The Weight
09. Gwen McCrae - Lead Me On
10. Millie Jackson - A Moment’s Pleasure
11. Mavis Staples - Koochie Koochie Koochie
12. Ann Sexton - Color My World Blue
13. Eloise Laws - Love Factory
14. Linda Clifford - Don’t Give It Up

Tracklist CD 2
01. The Ad-Libs - Giving Up
02. Peggy Scott - Every Little Bit Hurts
03. P.P. Arnold - The First Cut Is The Deepest
04. The Fascinations - I Can’t Stay Away From You
05. Doris Allen - Hanging Heavy On My Mind
06. Patti LaBelle & The BlueBelles - All Or Nothing
07. Freda Payne The Easiest Way To Fall
08. Patti Jo - Make Me Believe In You
09. Ann Peebles - I’m Gonna Tear Your Playhouse Down
10. Laura Lee - I Need It Just As Bad As You
11. Jean Knight - Mr Big Stuff
12. Ike & Tina Turner - Cussin’, Cryin’ & Carryin’ On
13. Gladys Knight & The Pips - Stop & Get A Hold Of Myself
14. Mary Love - Lay This Burden Down
15. Betty Harris - Ride Your Pony
16. Barbara Lewis - Baby I’m Yours

miles davis

miles davis

Entre inspiração e devastação, entre talento e mito, entre jazz e cultura pop, o trompetista, compositor e bandleader de jazz norte-americano Miles Davis é considerado um dos mais influentes músicos do século XX. Por mais de 40 anos, desde a Segunda Guerra Mundial até a década de 1990, Miles Davis reinventou o jazz. Além de participar do bebop, foi o fundador do cool jazz. Enquanto o bebop tinha como ponto forte a composição e o improviso, o cool jazz caracterizou-se por formações que permitiam arranjos orquestrais. Miles participou também do jazz modal, do jazz-rock e do fusion, ou acid jazz. Seu som ao trompete, puro, macio e sem vibrato, emitido freqüentemente com o uso da surdina, e seu fraseado conciso e despojado tornaram-se marcas registradas. Sua personalidade difícil, também. Sua carreira, iniciada dentro do bebop, apresentou uma fase brilhante já em 1948, com a formação da célebre ‘Miles Davis-Capitol Orchestra’, onde o genial arranjador Gil Evans escreveu obras-primas sofisticadas que davam condições para a expressividade de Miles. A colaboração Miles-Evans continuou ao longo dos anos 50. A partir de 1949, nascia com Miles o estilo cool, bastante apropriado à sua maneira intimista de tocar. De 1956 em diante liderou um quinteto/sexteto que, através de suas várias formações, entrou para a história do jazz.

miles davis quintet 1957Os talentos envolvidos se revezavam, inicialmente o quinteto contava com o saxofonista John Coltrane, o pianista Red Garland, o contrabaixista Paul Chambers e o baterista Philly Joe Jones. Com a entrada do sax alto Cannonball Adderley, o conjunto se transformou em sexteto. Em 1959 Red Garland foi substituído por Bill Evans e Wynton Kelly, que se revezavam ao piano, e Jones cedeu o lugar a Jimmy Cobb, e o grupo gravou um dos discos mais cult do jazz de todos os tempos, ‘Kind of Blue’. Paralelamente ao trabalho com o quinteto/sexteto, Miles com a colaboração de Gil Evans grava em 1958 e 1960, duas obras-primas absolutas com orquestra: ‘Porgy and Bess’ e ‘Sketches of Spain’. Em 1964 surgiu uma formação inteiramente nova do sexteto, com George Coleman ao sax tenor, Herbie Hancock ao piano, Ron Carter ao contrabaixo e o brilhante adolescente Tony Williams à bateria. Em 1965 a chegada do talentoso saxtenorista e compositor Wayne Shorter dá consistência ainda maior ao grupo. No final dos anos 60, Miles se encaminha para mais uma renovação estética, começando a fazer experiências com a fusão entre jazz e rock.

O jazz-rock, do qual Miles estava se aproximando gradativamente nasceu efetivamente com o revolucionário álbum duplo de 1969, ‘Bitches Brew’. Durante os anos 70, Miles continuou realizando experiências com a integração de linguagens, renovando seus conjuntos com músicos pouco conhecidos, afastando-se do jazz, mesmo do jazz-rock, e aproximando-se do funk até do hip-hop. Embora as opiniões se dividam acerca das obras desse período, o som de Miles continuou inconfundível e poderoso. Entre 1976 e 1981, Miles se afastou dos palcos por causa do consumo de drogas, particularmente heroína. Várias de suas doenças, entre problemas pulmonares, circulatórios e diabetes foram atribuídos, por seus amigos, a esse vício. Ele mesmo admitiu seu estado precário de saúde, em sua última entrevista, em 1991. Morreu três meses depois, de infarto, pneumonia e deficiência respiratória.

miles davisMiles Dewey Davis Jr nasceu em uma família rica em Alton, no estado de Illinois. Seu pai, Dr. Miles Davis II era dentista. A mãe, Cleota Mae (Henry) Davis, queria que seu filho aprendesse a tocar piano, pois, ela era uma hábil pianista de blues, mas manteve isso escondido de seu filho. Os estudos musicais de Miles começaram aos treze anos, quando seu pai lhe deu um trompete novo e providenciou algumas aulas com um trompetista local, Elwood Buchanan. Miles revelou que a escolha de seu pai por um trompete, foi feita propositalmente para irritar sua mulher, que não gostava do som do instrumento. Elwood Buchanan ressaltou a importância de tocar o instrumento sem vibrato, e Miles recebia palmadas na mão toda vez que usava vibrato. E assim Davis levaria seu timbre limpo por toda sua carreira. Aos dezesseis anos, Davis já era membro de um círculo de músicos e trabalhava profissionalmente quando não estava na escola. Aos dezessete, passou um ano tocando no grupo de Eddie Randle, os ‘Blue Devils’. Uma face pouco conhecida de Miles Davis foi a de artista plástico, embora tenha levado exposições bem recebidas pela crítica na Europa, em Nova York e no Japão.

miles davis - bye bye blackbird


‘Kind Of Blue’ (50th Anniversary) é um álbum comemorativo de 50 anos de lançamento do original. A influência de ‘Kind of Blue’ na música, abrangendo gêneros do jazz ao rock e a música clássica, tem levado críticos a reconhecer este como um dos mais influentes álbuns de todos os tempos. Foi, de fato, um salto pioneiro no jazz modal. O trompetista foi acompanhado por uma banda excepcional que inclui John Coltrane (tenor saxofone), Julian Cannonball Adderley (alto saxofone), o pianista Bill Evans (substituído por Wynton Kelly em uma faixa), o baixista Paul Chambers e o baterista Jimmy Cobb. A faixa de abertura, ‘So What’, em particular, se tornou um clássico do jazz. Em 2002, ‘Kind Of Blue’ foi uma das 50 gravações escolhidas para o Registro Nacional de Gravações da Biblioteca do Congresso Americano.

miles davis - kind of blue (50th anniversary)

Kind of Blue (50th Anniversary) (2008)
CD 1    CD 2

Tracklist CD 1
01. So What 02. Freddie Freeloader 03. Blue In Green 04. All Blues 05. Flamenco Sketches 06. Flamenco Sketches (Alternate Take) 07. Freddie Freeloader (Studio Sequence 1) 08. Freddie Freeloader (False Start) 09. Freddie Freeloader (Studio Sequence 2) 10. So What (Studio Sequence 1) 11. So What (Studio Sequence 2) 12. Blue In Green (Studio Sequence) 13. Flamenco Sketches (Studio Sequence 1) 14. Flamenco Sketches (Studio Sequence 2) 15. All Blues (Studio Sequence)

Tracklist CD 2
01. On The Green Dolphin Street 02. Fran-Dance 03. Stella By Starlight 04. Love For Sale 05. Fran-Dance (Alternate Take) 06. So What

Acordes, estruturas melódicas e ritmos da música tradicional espanhola são encontrados em ‘Sketches of Spain’. A incursão de Davis na música tradicional espanhola foi inspirada por ‘Joaquin Rodrigo's Concierto de Aranjuez’, uma obra escrita em 1939, que se apóia fortemente na tradição da guitarra flamenca e música árabe.

Miles Davis - Sketches of Spain (1997)

Sketches of Spain (50th Anniversary) (1997)
CD 1    CD 2

Tracklist CD 1
01. Concierto de Aranjuez (Adagio) 02. Will O' The Wisp 03. The Pan Piper 04. Saeta 05. Solea 06. Song Of Our Country

Tracklist CD 2
01. The Maids Of Cadiz 02. Concierto De Aranjuez (Adagio) 03. Concierto De Aranjuez (Adagio) (part one, alternate take) 04. Concierto De Aranjuez (part two, alternate take) 05. Concierto De Aranjuez (Adagio) (alternate ending) 06. The Pan Piper (take 1) 07. Song Of Our Country (take 9) 08. Song Of Our Country (take 14) 09. Saeta (full version of master) 10. Concierto De Aranjuez (Adagio) (Live) 11. Teo

O álbum ‘Bitches Brew’ continuou a experimentação de Davis com instrumentos elétricos, como o piano elétrico e guitarra. Davis rejeitou os ritmos do jazz tradicional em favor de um estilo mais solto, do rock com influências de improvisação e recebeu uma resposta mista, devido ao estilo pouco convencional do álbum e som revolucionário. Mais tarde, ‘Bitches Brew’ ganhou reconhecimento como um dos maiores álbuns de jazz e um progenitor do gênero jazz rock, assim como uma grande influência no rock e músicos de funk.

miles davis - bitches brew (1969)

Bitches Brew (1969)
CD 1    CD 2

Tracklist CD 1
01. Pharaoh's Dance 02. Bitches Brew

Tracklist CD 2
01. Spanish Key 02. John McLaughlin 03. Miles Runs The Voodoo Down 04. Sanctuary 05. Feio

Miles Davis - The Essential Miles Davis (2001)

The Essential Miles Davis (2001)
CD 1    CD 2

Tracklist CD 1
01. Now's The Time 02. Jeru 03. Compulsion 04. Tempus Fugit 05. Walkin' 06. 'Round Midnight 07. Bye Bye Blackbird 08. New Rhumba 09. Generique 10. Summertime 11. So What 12. The Pan Piper 13. Someday My Prince Will Come

Tracklist CD 2
01. My Funny Valentine 02. E.S.P. 03. Nefertiti 04. Petits Machins 05. Miles Runs the Voodoo Down 06. Little Church 07. Black Satin 08. Jean Pierre 09. Time After Time 10. Portia

electric light orchestra

electric light orchestra‘Electric Light Orchestra’ ou ELO, abreviatura adotada pela própria banda, foi um dos grupos mais inovadores da década de 70, e teve suas origens no grupo ‘The Move’, uma das bandas mais enigmáticas e controversas da Inglaterra do final dos anos 60. É difícil imaginar que um grupo tão invulgar, famoso por quebrar aparelhos de televisão e pianos, daria origem ao ‘Electric Light Orchestra’. Roy Wood, conhecido por suas extravagâncias, Jeff Lynne e Bev Bevan, estavam à frente do ‘The Move’ quando surgiu a idéia de um novo caminho, com um som mais complexo, aproveitando a onda progressiva que tomava conta do rock nessa época. Ao invés de usar teclados ou mellotron, a idéia era misturar rock com sons de música clássica, traços de música medieval e folk, e muita psicodelia. Jeff Lynne tocava guitarra, piano, e era vocalista. Rick Price era o baixista. Roy Wood além de guitarra acrescentou violoncelo, fagote, flauta doce, clarinete e até oboé. O trompetista Bill Hunt e o violinista Steve Woolam foram convidados a fim de explorar a sonoridade e os arranjos clássicos.

electric light orchestra - roy woodDisputas contratuais levaram à extinção do ‘The Move’, mas antes que a banda terminasse, o trio remanescente gravou em 1971, o que se tornaria o primeiro álbum do ELO, o ‘Electric Light Orchestra’, um clássico do rock progressivo que alcançou as paradas britânicas, atingindo o Top 10 da época com a música ‘10538 overture’. Bem avaliado pela crítica, o álbum não obteve boas vendas como também, a turnê da nova banda não foi bem sucedida. Nos shows perdia-se muito tempo com a troca de instrumentos e as turbulências surgiram entre os dois líderes, resultando com a saída de Roy Wood, o mentor e principal líder e o que executava a maioria dos instrumentos. Wood saiu para fundar sua banda ‘Wizzard’. Mas Jeff Lynne mostrou a sua força, assumiu os vocais e com novos membros entre os quais o tecladista e esporadicamente guitarrista Richard Tandy e o baixista Kelly Grouncut, importante também nos vocais de apoio, a banda lançou em 1973, o segundo álbum ‘ELO II’ o último registro progressivo do grupo. Nesse álbum eles regravaram o clássico de Chuck Berry: ‘Roll Over Beethoven’. Em 1974 gravaram o famoso ‘Eldorado’ que apesar do sucesso alcançado, a banda continuava conhecida por poucas pessoas e apreciada por menos pessoas ainda.

electric light orchestra - jeff lynneOs shows eram intensos, com cenários grandiosos e efeitos de muitas luzes, mas os integrantes eram pacatos, não seguiam os padrões glam da época, não usavam roupas rasgadas e não tinham tatuagens. Em 1975 lançaram ‘Face the Music’, em 1977, ‘Out of the Blue’, considerado uma obra prima do ELO. Em 1979 é lançado com grande sucesso o ‘Discovery’. Logo depois Jeff Lynne faz a trilha sonora para o filme ‘Xanadu'. Nos anos 80 Lynne auxiliou na produção e gravação do disco ‘Cloud Nine’ de George Harrison. Colaborou também com Roy Orbisom, Bob Dylan e Tom Petty. Em 1988 Bev Bevan formaria o ‘Eletric Light Orchestra II’ com Neil Lockwood, o tecladista Eric Troyer e o baxista Pete Haycock e uma série de álbuns ao vivo foi lançada com a banda tocando com a ‘Orquestra Sinfônica de Moscou’. Na década de 90 Jeff Lynne lançou seu primeiro disco solo, e passou o resto da década produzindo material para artistas como Joe Cocker, Tom Jones e Paul McCartney, além de ter trabalhado no projeto ‘Beatles Anthology’. O último álbum feito pelo ELO foi o ‘Zoom’, lançado em 2001.

electric light orchestra - alright


Electric Light Orchestra - The Gold Collection (1996)

The Gold Collection (1996)

Tracklist
01. 10538 Overture 02. Mr. Radio 03. All Over the World (Showdown Early Version) 04. Look at Me Now 05. Manhattan Rumble (49th. Street Massacre) 06. In Old England Town (Boogie No.2) 07. My Woman (Ma Ma Ma Belle Early Version) 08. Roll Over Beethoven 09. The Battle of Marston Moor (July 2nd. 1644) 10. Queen of The Hours 11. Showdown (Single Version) 12. First Movement (Jumping Biz) 13. Whisper on The Night 14. Momma

Electric Light Orchestra - The Essential  (2003)

The Essential (2003)

Tracklist
01. Evil Woman 02. Do Ya 03. Can't Get It Out Of My Head 04. Mr. Blue Sky 05. Strange Magic 06. Livin' Thing 07. Turn to Stone 08. Sweet Talkin' Woman 09. Telephone Line 10. Shine A Little Love 11. Hold On Tight 12. Calling America 13. Rock and Roll Is King 14. Don't Bring Me Down 15. Roll over Beethoven

Electric Light Orchestra – Greatest Hits (Star Mark Compilations)

Greatest Hits (2008)
CD 1    CD 2

Tracklist CD 1
01. Alright 02. Turn To Stone 03. Twilight 04. Secret Messages 05. Ticket To The Moon 06. Evil Woman 07. Livin’ Thing 08. Just For Love 09. Xanadu [New Version] 10. Love Changes All 11. Ordinary Dream 12. Last Train To London 13. Now You’re Gone 14. Moment In Paradise 15. Four Little Diamonds 16. Strange Magic 17. Showdown 18. Telephone Line 19. Don’t Bring Me Down 20. Mr. Blue Sky

Tracklist CD 2
01. Helpless 02. Sweet Talkin’ Woman 03. Shine A Little Love 04. A Long Time Gone 05. So Serious 06. All Over The World 07. I’m Alive 08. Calling America 09. Can’t Get It Out Of My Head 10. The Diary Of Horace Wimp 11. Confusion 12. Melting In The Sun 13. Every Little Thing 14. Stranger On A Quiet Street 15. Don’t Say Goodbye 16. It Really Doesn’t Matter 17. Great Balls Of Fire 18. Rock & Roll Is King 19. Hold On Tight 20. Do Ya 21. 10538 Overture 22. Roll over Beethoven

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...