bagdad cafe

‘Bagdad Cafe’ ou ‘Out of Rosenheim’ é um filme singelo que silenciosamente permanece na alma e na mente muito depois do sol laranja se pôr atrás do pequeno café perto da curva da estrada. É um filme que fala através das cores, da música e dos gestos. É um filme que fala sobre a doce libertação. Um filme que aborda a sensação de deserto interior, e a vontade de abandonar e mudar tudo sob um sol abrasador. Um filme cult que retrata as diferenças culturais onde é possível encontrar possíveis afinidades. As duas personagens principais são marcantes: Jasmim e Brenda cujas vidas se cruzam em um ponto situado no meio de lugar nenhum de uma estrada que corta o deserto de Mojave na Califórnia. ‘Bagdad Cafe’, em todo momento, mostra o sentimento da solidão e a magia das transformações. É uma obra de arte do cinema, uma fábula do mundo contemporâneo, é um daqueles filmes de rara beleza e sensibilidade. ‘Bagdad Cafe’ nos faz lembrar quão belo e diferente é o cinema europeu.

Do diretor Percy Adlon, um dos mais respeitados do cinema alemão, que também colaborou com o roteiro e a produção, ‘Bagdad Cafe’ é um clássico do cinema europeu que, apesar de datar de 1987, é atual. Com um roteiro simples e surrealista, conta a história de Jasmim (Marianne Sägebrecht), uma turista alemã que após uma discussão na estrada abandona o marido que a maltratava. Com nada além de uma mala pesada e seu terno de lã cambaleia pelo deserto hostil onde encontra um pequeno motel, um posto de gasolina e o café que levam o nome do filme. Um local empoeirado e decadente gerido por uma proprietária negra, Brenda (CCH Pounder), que também discute com o marido que nesse caso, é quem não entende a grosseria da esposa e vai embora. O local que não têm hóspedes e nem clientes é freqüentado por uma combinação estranha de habitantes e todos são motivos de aborrecimento, decepção ou transtorno para Brenda. Brenda é seca e árida como o deserto.

As palavras são poucas, e o silêncio é quebrado pela música de um velho piano e pelos gritos de Brenda. As raízes do caos e da hostilidade cresciam fortes até o momento que Jasmim surge, igualmente perdida e esquecida, mas guiada por sonhos e penetra como hóspede naquele mundo duro e seco. Inicialmente hostilizada por Brenda, conquista espaço aos poucos e de repente, estão todos se ajudando como num passe de mágica. Jasmim limpa, organiza e harmoniza o bar-café e o transforma num ponto de parada obrigatória para motoristas que passam pela região. E cresce, então, a flor dos sonhos, cobrindo as raízes secas da amargura. Desde o início, Rudi Cox foi o único que a compreendeu, talvez por ser pintor tenha conseguido ver luz onde havia apenas sombras. E Jasmim torna-se a amiga estrangeira que fascina e compreende os filhos de Brenda; torna-se a mulher que alimenta as fantasias do velho pintor solitário; e passa a ser a companheira da dona do Café Bagdad. Jasmim, a enorme alemã, liga-se a Brenda, a negra de corpo mirrado, mas ambas são fortes. ‘Bagdad Cafe’ é um filme de contrastes onde surgem as identificações.

São nas interpretações que o filme encontra sustentação do início ao fim. A atriz alemã Marianne Sägebrecht, ex-artista de cabaré, é o grande nome do filme, é tão perfeita que é difícil saber o que mais nos cativa nela. Brenda é magnificamente interpretada por CCH Pounder, nascida na Guiana Inglesa. Jack Palance, num papel menor, se destaca como ex-ator e pintor. Mas, a trilha sonora merece destaque. A canção tema, ‘Calling You’, de Bob Telson que é cantada por Jevetta Steele de forma esporádica durante todo o filme concorreu ao Oscar de melhor canção original. ‘Calling You’ é de uma beleza melancólica que não envelhece nunca, uma espécie de lamúria profunda que reflete perfeitamente o clima de solidão do deserto e das personagens. Todas as vezes que o filho de Brenda tenta quebrar esse clima com uma canção alegre ao piano, é impedido de tocar, deixando a sensação de que não há espaço para sentimentos harmoniosos naquele lugar. ‘Brenda, Brenda’ é uma animada canção e soa como a resposta para as transformações realizadas por Jasmin na vida de todos, principalmente na vida de Brenda. Também digna de nota é a sublime 'C-Major Prelude' de Bach aumentando ainda mais o peso emotivo do filme. Mas o momento de maior beleza é mesmo o grito doce, mas desolado de ‘Calling You’. Já no início do filme com Jasmim arrastando a sua mala e sua dor pela beira da estrada, a câmera a focaliza pelas costas, e ‘Calling You’ preenche o cenário e ecoa pela longa estrada da solidão como uma brisa quente vinda justamente na sua direção, com a esperança de uma mudança se aproximando, como uma doce libertação. E de repente, no meio da desolação do deserto, cria-se um oásis de possibilidades escondidas. ‘Bagdad Cafe’ e ‘Calling You’ são um dos momentos cinematográficos mais belos que já vi e ouvi.

Bagdad Café
Bagdad Café
Bagdad Café
Bagdad Café
Bagdad Café
Bagdad Café

jevetta steele - calling you


soundtrack - bagdad cafe (1988)

Bagdad Cafe: Original Motion Picture Soundtrack (1988)
parte I    parte II

Tracklist
01. Jevetta Steele - Calling You (Bob Telson)
02. William Galison - Blues Harp (Bob Telson)
03. Deninger Blasmuski - Zweifach (German Traditional)
04. Jearlyn Steele Battle, Marianne Sagebrecht - Brenda, Brenda (Bob Telson)
05. Darron Flagg - Prelude and Fugue No. 1 in C major (Johann Sebastian Bach)
06. Bob Telson – Calliope (Bob Telson)
07. Bob Telson - Calling You (Bob Telson)
08. Deninger Blasmuski - Bagdad Café (Percy Adlon)

champion jack dupree

champion jack dupreeQuando se trata de pianistas é realmente difícil comparar com outra cidade o número de talentos que Nova Orleans produziu. Durante a primeira parte do século 20, Tony Jackson e Jelly Roll Morton foram as estrelas locais de uma longa e distinta linhagem de pianistas seguidos depois por Kid Stormy Weather, Rock Sullivan, Tuts Washington, Professor Longhair, Bertrand Robert, James Booker entre outros. Talvez um dos maiores da cidade tenha sido o incomparável Champion Jack Dupree. Embora não tenha ficado grande parte de sua vida na cidade ele foi a personificação do blues de New Orleans e também um pianista de ‘boogie woogie’, um estilo de blues caracterizado pelo uso sincopado da mão esquerda ao piano. Champion Jack Dupree não era um músico ou cantor sofisticado, mas tinha um jeito irônico e inteligente com as palavras. Ele cantou sobre a vida, a prisão, sobre o vício da bebida e das drogas, embora ele próprio fosse um beberrão, mas não usasse outras drogas. Entre uma apresentação e outra Dupree foi também um contador de histórias e transformou muitas dessas histórias em canções. Em busca de uma alternativa que uma sociedade racista não lhe dava, Dupree deixou Nova Orleans, em primeiro lugar foi para as cidades do norte e depois para a Europa, apenas para voltar à sua cidade natal no crepúsculo de sua vida.

William Thomas Dupree era ainda uma criança quando seus pais foram mortos na casa onde moravam por um incêndio provocado pela Ku Klux Klan e foi enviado para o orfanato ‘New Orleans Home for Colored Waifs’, o mesmo orfanato para onde o jovem Louis Armstrong também tinha sido levado. Seu pai era do Congo Belga e sua mãe era descendente de africanos e cherokees. Ele deixou o orfanato aos 14 anos adotado por Olivia Gardner e rapidamente aprendeu os caminhos da rua e fã dos esportes foi introduzido no pugilismo em uma academia localizada na Rampart Street. Mas, foi mesmo no orfanato que Dupree conheceu o piano através de um padre italiano. Ele ampliou seus conhecimentos sob a tutela dos pianistas Tuts Washington e Willie Hall a quem chamava de pai e com quem aprendeu a canção ‘Junker's Blues’, um clássico que se tornou notório na interpretação de Jack Dupree. Tocando em bordéis e barrelhouses (bar ou salão) ele encontrou um outro jovem pianista, Roy Byrd, mais tarde conhecido como Professor Longhair, com quem fez um acordo para ensiná-lo a cantar em troca de aulas complementares sobre o piano.

champion jack dupree 1

As tensões raciais em New Orleans fizeram com que Dupree partisse para o norte estabelecendo-se em várias cidades diferentes ao longo dos anos: Detroit, Indianapolis e Chicago. Em Detroit, ele foi apresentado a Joe Louis, uma lenda do boxe que reacendeu em Dupree o seu interesse pelo esporte e o encaminhou para o ringue. Durante esse tempo como pugilista, Dupree ganhou o apelido de Champion Jack. Em 1940, ele voltou para o piano e rapidamente se tornou uma estrela da cena local de entretenimento como comediante e dançarino, assim como músico e atraiu a atenção do produtor de blues, Lester Melrose. Mas, em 1942, Dupree foi convocado para o serviço militar e foi enviado para o front do Pacífico, onde trabalhou como cozinheiro na Marinha. Ele acabou sendo capturado pelos japoneses, e passou dois anos como prisioneiro de guerra. Após a guerra, ele se mudou para New York, onde mais uma vez buscou a carreira como músico. Muito parecido com o guitarrista John Lee Hooker, Dupree não ligava muito para obrigações contratuais e gravou com uma série de apelidos diferentes. Em 1955, o hit ‘Walking the Blues’ em um dueto que fez com Teddy McRae ficou 11 semanas nas paradas.

champion jack dupree 2

Ainda assim, parecia que Dupree não conseguia escapar do preconceito e do racismo em qualquer lugar nos Estados Unidos. Finalmente no final de 1958, ele decidiu se mudar para a Europa e durante os 32 anos seguintes viveu em uma série de localidades: Suíça, França, Inglaterra, Dinamarca e Alemanha. Ele também gravou uma infinidade de álbuns maravilhosos durante este tempo para uma longa lista de rótulos europeus. Entre eles o que é considerado por muitos como sua obra-prima, ‘Blues From The Gutter’, um álbum de histórias de prostituição e uso de drogas e que incluiu vários clássicos. Em 1990, Champion Jack Dupree voltou para os Estados Unidos e sua cidade natal para o famoso ‘New Orleans Jazz and Heritage Festival’, foi sua primeira visita à cidade desde 1954 e ele era simplesmente a sensação do evento. Ele concordou em ficar o tempo suficiente para gravar o aclamado álbum ‘Back Home In New Orleans’, produzido por Ron Levy. A gravação mostrou a um público americano que, mesmo na idade de 79 anos, Dupree ainda tinha a voz poderosa e um talento impressionante no piano barrelhouse - uma forma antiga de jazz improvisado no piano e com ritmo acentuado - e que muitos haviam esquecido ao longo dos anos.

Champion Jack Dupree voltou para sua casa em Hanover, na Alemanha, onde morreu de complicações de câncer em 1992. Foi homenageado postumamente pela ‘Blues Foundation’, entrando para o ‘Hall of Fame’, juntamente com o álbum ‘Blues From The Gutter’ que foi selecionado como ‘Classic of Blues’. Dupree era um homem amoroso, divertido, irônico e envolvente músico apesar dos temas de suas canções e era conhecido por levantar e dançar ao mesmo tempo em que tocava o seu piano. Ele encontrou o sucesso em uma infinidade de profissões ao longo da sua vida: músico, boxer, cozinheiro e no final, até mesmo como pintor.

champion jack dupree - black cat shuffle



champion jack dupree - the complete blue horizon sessions (2005)

Complete Blue Horizon Sessions (2007)
CD 1    CD 2

Tracklist CD 1
01. See My Milk Cow 02. Mr. Dupree Blues 03. Yellow Pocahontas (Extended Version) 04. Gutbucket Blues/Ugly Woman 05. Street Walking Woman 06. Income Tax 07. Roll On 08. I've Been Mistreated (Extended Version) 09. A Racehorse Called Mae 10. My Home's in Hell 11. How Am I Doing It 12. I Haven't Done No One No Harm 13. Street Walking Woman (alternate take) 14. Big Fat Woman 15. Whiskey, Look What You Done to Me 16. Going Down to the Blue Horizon 17. Juke Box Jump 18. Black Cat Shuffle

Tracklist CD 2
01. I Want to Be a Hippy 02. Grandma (You're a Bit Too Slow) 03. Puff Puff 04. Blues Before Sunshine 05. I'll Try 06. Going Back to Louisiana 07. Ain't That a Shame 08. Stumbling Block 09. Old and Grey 10. Who Threw the Whiskey in the Well 11. Postman Blues 12. Lawdy, Lawdy 13. Kansas City 14. Ba' la Fouche 15. Rub a Little Boogie 16. Black and White Blues 17. Drinkin' Wine Spo-Dee-O-Dee 18. The Shiek of Araby 19. You Make Me Feel Alright 20. Do the Boogie Woogie

champion jack dupree - early cuts (2009)

Early Cuts (2009)
CD 1    CD 2    CD 3    CD 4

CD 1: Chicago 1940-41
01. Gamblin' Man Blues 02. Warehouse Man Blues 03. Chain Gang Blues 04. New Low Down Dog 05. Black Woman Swing 06. Cabbage Greens No. 1 07. Cabbage Greens No. 2 08. Angola Blues 09. My Cabin Inn 10. Bad Health Blues 11. That's All Right 12. Gibing Blues 13. Dupree Shake Dance 14. My Baby's Gone 15. Weed Head Woman 16. Junker Blues 17. Oh, Red 18. All Alone Blues 19. Big Time Mama 20. Shady Lane 21. Hurry Down Sunshine 22. Jackie P. Blues 23. Heavy Heart Blues 24. Morning Tea 25. Black Cow Blues

CD 2: Chicago, New York 1941-45
01. My Cabin Inn (alt) 02. Bad Health Blues (alt) 03. Gibing Blues (alt) 04. Dupree Shake Dance (alt) 05. My Baby's Gone (alt) 06. Jackie P Blues (alt) 07. Black Cow Blues (alt) 08. Jitterbug 09. Slow Boogie 10. Mexico Reminiscences 11. Too Evil To Cry 12. Clog Dance (Stomping Blues) 13. Rum Cola Blues 14. She Makes Good Jelly 15. Johnson Street Boogie Woogie 16. I'm Going Down With You 17. Fdr Blues 18. God Bless Our New President 19. County Jail Special 20. Fisherman's Blues 21. Black Wolf 22. Lover's Lane 23. Walkin' By Myself 24. Outside Man 25. Forget It Mama

Tracklist CD 3: New York 1945-49
01. You've Been Drunk 02. Santa Clause Blues 03. Gin Mill Sal 04. Let's Have A Ball 05. Going Down Slow 06. Hard Feeling 07. How Long, How Long Blues 08. Mean Old Frisco 09. I Think You Need A Shot 10. Bad Whiskey And Wild Woman 11. Bus Station Blues 12. Love Strike Blues 13. Wet Deck Mama 14. Big Legged Mama 15. I'm A Doctor For Women 16. Cecelia, Cecelia 17. Going Down To The Bottom 18. Fifth Avenue Blues 19. Highway 31 20. Come Back Baby 21. Chittlins And Rice 22. One Sweet Letter 23. Lonesome Bedroom Blues 24. Old Woman Blues 25. Mean Mistreatin' Mama 26. Featherweight Mama 27. Day Break

Tracklist CD 4: New York, Cincinnati 1951-53
01. Deacon's Party 02. My Baby's Comin' Back Home 03. Just Plain Tired 04. I'm Gonna Find You Someday 05. Goin' Back To Louisiana 06. Barrel House Mama 07. Old, Old Woman 08. Mean Black Snake 09. The Woman I Love 10. All Night Party 11. Heart Breaking Woman 12. Watchin' My Stuff 13. Ragged And Hungry 14. Somebody Changed The Lock 15. Stumbling Block Blues 16. Highway Blues 17. Shake Baby Shake 18. Number Nine Blues 19. Drunk Again 20. Shim Sham Shimmy 21. Ain't No Meat On De Bone 22. The Blues Got Me Rckin' 23. Tongue Tied Blues 24. Please Tell Me Baby 25. Walkin' Upside Your Head 26. Rub A Little Boogie 27. Camille

playlist + plus: classic rock


Tracklist CD 1
01. Procol Harum - A Whiter Shade of Pale
02. Steppenwolf - Magic Carpet Ride
03. Joe Cocker - Feelin' Alright
04. Dave Mason - Only You Know And I Know
05. Free - All Right Now
06. The Moody Blues - Question
07. GuessWho - AmericanWoman
08. Humble Pie - I Don't Need No Doctor
09. Rod Stewart - Maggie May
10. Traffic - Rock & Roll Stew

Tracklist CD 2
01. James Gang - Walk Away
02. Mott The Hoople - All The Young Dudes
03. Uriah Heep - Easy Livin'
04. Joe Walsh - Rocky Mountain Way
05. Bachman-Turner Overdrive - Let It Ride
06. Golden Earring - Radar Love
07. The Doobie Brothers - Black Water
08. Lynyrd Skynyrd - Sweet Home Alabama
09. Nazareth - Love Hurts
10. Peter Frampton - Do You Feel Like We Do Live

Tracklist CD 3
01. Foreigner - Cold as Ice
02. Styx - Renegade
03. Robert Palmer - Bad Case of Loving You
04. Scorpions - No One Like You
05. Rainbow - Street of Dreams
06. Deep Purple - Knocking At Your Back Door
07. Iggy Pop - Real Wild Child
08. The Robert Cray Band - Smoking Gun
09. Kingdom Come - Get It On
10. Cinderella - Don't Know What You Got


Playlist + Plus: Classic Rock (2008)
CD 1    CD 2    CD 3

playlist + plus classic rock (2008)

deep purple - knocking at your back door



the very best of jazz


Tracklist CD 1: Sunrise
01. Louis Armstrong - Hobo You Cant Ride This Train
02. Tommy Dorsey and His Orchestra - Loose Lid Special
03. David Fathead Newman - Weird Beard
04. Benny Goodman and His Orchestra - Did You Mean It
05. Oscar Brown Jr - Hazels Hips
06. Glenn Miller And His Orchestra - In The Mood
07. Stanley Clarke - The Dancer
08. Donald Byrd - Cristo Redenter
09. Billy Cobham - Spectrum
10. Duke Ellington - Tuxedo Junction
11. Ella Fitzgerald - Things Aint What They Used to Be
12. Roy Ayers - what the people say
13. Keith Jarrett - Mortgage on My Soul
14. Elvin Jones - Forever Summer
15. Joe Sample - Spellbound
16. David Sanborn - Slam

Tracklist CD 2: Sunset
01. Miles Davis - Mr Pastorius
02. Carmen Mcrae - What are You Doing the Rest of Your Life
03. Dizzy Gillespie - Mrs Diz
04. John Coltrane - My Favourite Things
05. Mose Allison - Your Mind is on Vacation
06. Art Blakeys Jazz Messengers & Thelonious Monk - Blue Monk
07. Charles Mingus - My Jelly Roll Soul
08. Nina Simone - I Love You Porgy
09. Ornette Coleman - Congeniality
10. Bill Evans - Sometime Ago
11. Sonny Rollins - You do Something to Me
12. Lee Konitz - All of Me
13. Billie Holiday - Strange Fruit
14. Ben Webster - Stella by Starlight
15. Roland Kirk - Black and Crazy Blues
16. Jaco Pastorius - Chromatic Fantasy


The Very Best of Jazz (2008)
CD 1    CD 2

 the very best of jazz (2008)

mose allison - your mind is on vacation



best of the blues


Tracklist CD 1
01. B.B. King - Caldonia
02. Buddy Guy - Broken Hearted Blues
03. Charles Brown - Trouble Blues
04. Ray Charles - Sentimental Blues
05. Leadbelly - Big Fat Woman
06. Big Maybelle - I Cried For You
07. Mississippi Fred McDowell - Good Morning Little School
08. Memphis Slim - I'll Just Keep Singin' the Blues
09. Jimmy McGriff - Jumpin' the Blues
10. Lightnin' Hopkins - Lonesome Dog

Tracklist CD 2
01. Buddy Guy & Junior Wells - Every Day I Have the Blues
02. Memphis Slim - It's Been So Long
03. Mike Bloomfield - Blues in B Flat
04. John Mayall - Baby What Do You Want Me To Do?
05. B.B. King - Payin' the Cost to be the Boss
06. John Lee Hooker - Boom Boom
07. Ray Charles - Blues Is My Middle Name
08. Charles Brown - Livin' In Misery
09. Leadbelly - The Bourgeois Blues
10. Big Maybelle - You Doing To Me

Tracklist CD 3
01. John Lee Hooker - House Bent Boogie
02. Buddy Guy & Junior Wells - Woman Blues
03. George Benson - All Blues
04. Mike Bloomfield - Between the Hard Place and the Ground
05. Billie Holiday - Strange Fruit
06. Bo Diddley - I Don't Know Where I've Been
07. B.B. King - Why I Sing the Blues
08. Ella Fitzgerald - Crying My Heart Out For You
09. Dinah Washington - Blues On My Weary Mind
10. Big Joe Williams - Baby Please Don't Go


Best of the Blues (2008)
CD 1    CD 2    CD 3

best of the blues (2008)

big maybelle - you doing to me




apocalypse now

apocalypse now

Foto tirada pelo fotógrafo pacifista Philip Jones Griffiths em 1968 durante a Batalha de Saigon. O soldado vietcongue, ferido no estômago, sobreviveu durante três dias segurando as entranhas com uma bacia. A foto, onde soldados americanos oferecem água ao combatente, serviu de inspiração para o diretor Coppola em uma cena célebre com o Tenente-Coronel Kilgore, interpretado por Robert Duvall, no filme ‘Apocalypse Now'.

apocalypse now redux (2001)

Com quase 50 minutos adicionais, o diretor Francis Ford Coppola apresentou em 2001 a versão definitiva de ‘Apocalypse Now’ com cenas preciosas cortadas da versão original. Apresentado como ‘Apocalypse Now Redux’, a palavra latina redux significa ‘trazido de volta’, no sentido de alguém que retornou, por exemplo, da guerra, é uma versão renovada, reeditada e remixada de um filme considerado como um dos mais importantes já realizados. Baseado na novela ‘Heart of Darkness’ de Jósef Teodor Konrad Korzeniowski, conhecido como Joseph Conrad, escritor ucraniano de uma região que foi parte da Polônia, mas na época estava sobre controle russo. Um livro cuja ação se passa na África do final do século passado, mas que Francis Ford Coppola transpôs para o Vietnã de 1969, retratando a guerra como um mergulho na loucura. Neste cenário, o capitão Willard (Martin Sheen), já no limite, é designado para encontrar e matar o Coronel Kurtz (Marlon Brando), um oficial brilhante que, de acordo a alguns rumores, perdeu o juízo e instalou-se na selva do vizinho Camboja como uma divindade local e letal e organizou um exército particular para atacar as tropas americanas. Coppola discorda. Desde a primeira e antológica cena, aquela em que helicópteros cruzam uma selva em fogo, ao som da canção ‘The End’, do grupo ‘The Doors’ até o final da longa descida de Willard pelo Rio Mekong, o filme defende a tese de que não há diferença entre a loucura de Kurtz e a insanidade da presença americana no Vietnã. ‘Apocalypse Now’ é a inscrição numa parede de pedra na aldeia onde Kurtz se refugia e na penumbra de uma choça declama ‘The Hollow Men’ (Os Homens Ocos), de T.S. Eliot.

francis copollaGuiado pelo Coronel Kilgore (Robert Duvall), fã de napalm, surfe e de música clássica, ao longo do caminho, Willard assiste a todos os absurdos possíveis: um show de coelhinhas da ‘Playboy’ em plena selva vietnamita; um coronel insano que se utiliza da música do compositor Wagner em megafones presos aos helicópteros e chacina um vilarejo inteiro só para poder surfar nas ondas de sua praia. O mesmo coronel é dono da fala mais célebre do filme: ‘Sente esse cheiro? É napalm, nada mais no mundo cheira assim. Adoro o cheiro de Napalm pela manhã.’ A viagem ao longo do rio num pequeno barco, é acompanhado por um louco que comanda recrutas que preferem navegar e usar drogas. Cercado de perigos e incidentes, Willard se confronta com seus medos interiores, com o terror da guerra e da selva quando sai a procura de mangas e é surpreendido por um tigre. O aspecto mais arrasador do filme é que seus personagens não têm nenhuma motivação além do horror ou do absurdo, e nenhuma reação além da indiferença ou da perplexidade.

Foram quinze meses de filmagens. Martin Sheen teve um enfarte, e muitos da equipe foram derrubados por doentes tropicais, enquanto outros desistiram no meio do caminho. Um filme espetacular que custou a Coppola quatro anos de trabalho, mais de 30 milhões de dólares, um colapso nervoso e a perda de vinte quilos durante as filmagens com chuvas em selvas filipinas. A produção caótica também experimentou furacões que destruíram cenários e freqüentemente as Forças Armadas filipinas tomavam de volta os helicópteros que haviam emprestado, interrompendo o trabalho. Quando o filme pronto foi exibido em Cannes, em 1979, Francis Ford Coppola apresentou-o com uma frase que ficou célebre: ‘Este não é um filme sobre o Vietnã. É o próprio Vietnã’. O resultado final foi uma obra inquietante e para mim, continua sem rival. E as melhores cenas do filme ainda são aquelas encontradas na versão original.

apocalypse now  martin sheen

Capitão Willard (Martin Sheen)

apocalypse now robert duvall

Coronel Kilgore (Robert Duvall), dono da fala mais célebre
do filme: ‘adoro o cheiro de napalm pela manhã...’

apocalypse now bombardeio

ao som de 'Ride of the Valkyries', de Wagner,
o bombardeio à ilha vietnamita.

apocalypse now coelhinhas da playboy

ao som de ‘Susie Q’, as coelhinhas da ‘Playboy’
se apresentam: ‘estamos orgulhosas de vocês,
sabemos que tem sido difícil. E como prova
disso, estamos oferecendo entretenimento’

Apocalypse Now

ao som de 'Strange Voyage, a viagem
vai chegando ao seu fim...

apocalypse now

‘Querido filho, deixarei em suas mãos contar
para sua mãe o que quiser desta carta. Quanto
às acusações contra mim, não estou preocupado.
Estou além da moralidade tímida e mentirosa
deles, por isso estou além da preocupação.
(W. Kurtz)


carmine coppola E o álbum da trilha sonora original foi igualmente inovador: uma colagem intrigante de diálogos, monólogos e efeitos sonoros e não apenas música. Estão lá a voz de Martin Sheen no papel do Capitão Willard intercalada com sons da selva, com Marlon Brando declamando a sua poesia, com gongos e sinos da Ásia. Em todos os sentidos, esta trilha sonora traz o tom e a essência da imagem. Duas décadas depois, Coppola voltou a analisar o projeto, acrescentando cerca de uma hora de cenas inéditas e renovou a trilha sonora também. Mas enquanto o filme foi levado a novas dimensões, o novo álbum da trilha sonora parece despido de praticamente todas as principais contribuições. O que permanece é principalmente música. ‘The End’ continua a ser um marco icônico e outras revelam claramente as inspirações de Tomita, Holst, Wagner, Stravinsky. ‘Apocalypse Now Redux’ contém a maioria das faixas originais (remastered), bem como algumas novas como ‘Clean´s Funeral ‘ e ‘Love Theme’. O ‘Redux CD’ tem de fato somente a música, que é assustadoramente bela.

A trilha foi composta por Carmine Coppola e Francis Ford Coppola, com algumas faixas de Mickey Hart e Richard Hansen. Carmine Coppola é compositor de grandes obras além de partes da trilha de ‘Apocalypse Now’. Criou e regeu a trilha sonora de ‘The Godfather III’, última soundtrack do veterano maestro-compositor, pai do diretor Francis. Tendo estudado flauta e composição, em Nova York, foi músico da sinfônica de Detroit e, mais tarde, tocou sob a regência de Toscanini na sinfônica da NBC. Dirigiu comédias musicais na Broadway e seu primeiro trabalho no cinema foi ‘Finninan's rainbow’, musical dirigido por Francis. Depois Carmine Coppola teve a felicidade de ter a colaboração de um dos maiores compositores da música do cinema, Nino Rotta. Sua contribuição à música de cinema não ficou apenas nos filmes do ilustre filho. Um de seus trabalhos mais importantes foi criar uma trilha sonora original para ‘Napoleon’, que Abel Gance realizou em 1925.

algumas curiosidades do filme

- Laurence Fishburne mentiu sobre sua idade (ele tinha 14 anos) quando a produção começou.
- Harvey Keitel foi originalmente escalado como Capitão Willard. Com duas semanas de filmagens, Coppola o substituiu por Martin Sheen.
- Foi filmado nas Filipinas, onde Ferdinand Marcos concordou em oferecer helicópteros e pilotos. O governo de Marcos também precisava deles para lutar contra os rebeldes, e algumas vezes os tirava no meio das filmagens, mandando diferentes pilotos cada vez e que não estavam familiarizados com as filmagens.
- Quando Martin Sheen teve o ataque do coração durante as filmagens; algumas cenas de Willard de costas são, na verdade, outra pessoa.
- Marlon Brando pediu um milhão de dólares adiantado. Ele ameaçou desistir e Coppola disse a seu agente que se não conseguisse Brando, ele tentaria Jack Nicholson, Robert Redford e Al Pacino. Brando apareceu atrasado, bêbado e admitindo que não tinha lido o script e muito menos o livro ‘Heart of Darkness’. Ele leu o roteiro de Coppola, e se recusou a fazer. Após alguns dias de discussão um novo roteiro foi feito, e esse foi filmado de acordo com a vontade de Brando que tinha que aparecer nas sombras por estar 40kg mais gordo.
- O produtor Sam Bottoms estava sobre os efeitos de speed, LSD e maconha durante as filmagens de algumas cenas do filme.
- O diretor Francis Ford Coppola propôs fazer esse filme dez anos antes dele ter recebido o dinheiro para projeto. O estúdio não achava que ele pudesse dar conta de um projeto tão grande e o incumbiram da trilogia ‘The Godfather’, tornando-se extremamente famoso, rico e respeitado.
- Coppola investiu muitos milhões de seu próprio bolso depois que o filme passou drasticamente do orçamento.
- Coppola ameaçou cometer suicídio várias vezes durante as filmagens.
- O personagem de Harrison Ford veste um uniforme que está escrito Lucas. George Lucas dirigiu Ford em Guerra nas Estrelas, o filme que tornou Ford famoso.
- O jornalista fotógrafo, personagem de Dennis Hopper, foi inspirado no lendário fotógrafo Tim Page.
- Em maio de 1979, 'Apocalypse Now' se tornou o primeiro filme a vencer a Palma de Ouro em Cannes sem mesmo ter sido completado. Por causa dos jurados que não conseguiram chegar a um voto unânime, o filme teve que dividir o prêmio de melhor filme com ‘The Tin Drum’.

apocalypse now - strange voyage


soundtrack - apocalypse now (1979)

Apocalypse Now: Original Motion Picture Soundtrack (1979)
CD 1    CD 2

Tracklist CD 1
01. The End 02. Saigon [Narration and Dialogue] 03. The End (Pt. 2) 04. Terminate [Narration and Dialogue] 05. Delta 06. P.B.R. [Narration and Dialogue] 07. Dossier #I 08. Colonel Kilgore [Narration and Dialogue] 09. Orange Light 10. Ride of the Valkyries (Vienna Philharmonic Orchestra) 11. Napalm in the Morning (Dialogue) 12. Pre-Tiger 13. Dossier #II 14. Susie-Q 15. Dossier #III 16. 75 Klicks (Dialogue) 17. The Nung River

Tracklist CD 2
01. Do Lung Bridge 02. Letters from Home 03. Clean's Death 04. Chief's Death/Strange Voyage 05. Strange Voyage 06. Kurtz' Compound (Dialogue) 07. Willard's Capture 08. Errand Boy (Dialogue) 09. Chef's Head 10. Hollow Men 11. Horror (Dialogue) 12. Even the Jungle Wanted Him Dead (Dialogue) 13. The End

soundtrack - apocalypse now redux (2001)

Apocalypse Now Redux (2001)

Tracklist
01. Opening: The End (The Doors) 02. The Delta 03. Dossier 04. Orange Light 05. Ride of the Valkyries (Vienna Philharmonic Orchestra) 06. Suzie Q (Flash Cadillac) 07. Nung River 08. Do Lung 09. Letters From Home 10. Clean´s Death 11. Clean´s Funeral 12. Love Theme 13. Chief´s Death 14. Voyage 15. Chef´s Head 16. Kurtz Chorale 17. Finale

dee dee bridgewater

Dee Dee Bridgewater’

O seu pai, Mathew Garrett, era um trompetista e professor que ensinou música a Booker Little, George Coleman e Charles Lloyd e também participava da orquestra da cantora Dinah Washington. Com sua mãe ouvia e acompanhava cantando as divas do jazz Ella Fitzgerald e Billie Holliday. Denise Garrett nasceu em Memphis e cresceu no Texas, e pelo caminho recebeu o apelido Dee Dee e ganhou o sobrenome Bridgewater quando em 1970 se casou com o pianista Cecil Bridgewater. Sua carreira profissional começou aos 16 anos, cantando em um trio de rock e rythm and blues, e aos 18 o diretor da ‘jazz band’ da universidade onde estudava convidou-a para uma turnê de shows na então União Soviética. Após se casar, o marido foi contratado por Horace Silver e o casal mudou-se para New York onde Dee Dee Bridgewater cantou com o ‘Thad Jones-Mel Lewis Jazz Orquestra’ e quatro anos depois foi solicitada pelos grandes do jazz como Dizzy Gillespie, Dexter Gordon, Pharoah Sanders, Sonny Rollins e Max Roach, entre outros. Em 1974 participou de seu primeiro musical, 'The Wiz', que lhe deu o prêmio Tony, gravou neste mesmo ano seu primeiro disco ‘Dee Dee Bridgewater’. Em 1984 participou de outro musical, ‘Sophisticated Lady’, e viajou para Paris onde vive até hoje. Ela também cantou e atuou em ‘Carmen’, ‘Cabaret’, ‘Black Ballad’ e com destaque em ‘Lady Day’, um retrato da vida conturbada e criativa de Billie Holiday.

Dee Dee Bridgewater’Dee Dee Bridgewater voltou a ser cantora de jazz em 1987 e partir daí, continuou cantando em clubes e festivais de jazz e a gravar. Seus álbuns seguintes sedimentaram definitivamente seu sucesso. Foi indicada ao Grammy por seu álbum ‘Live in Paris’, e a faixa de seu disco ‘Victims of Love’ que conta com a participação de Ray Charles atingiu as primeiras posições nas paradas de sucesso. ‘Keeping Traditions’ de 1993 aborda, com modernidade, temas tradicionais do jazz. Dois anos mais tarde Dee Dee realizou seu sonho e gravou um disco somente com composições do pianista Horace Silver, que as compôs exclusivamente para ela. Horace Silver faz duas participações neste álbum, em 'Nica's Dream' e em ‘Song for My Father’. Com este disco, Dee Dee recebeu a sua segunda indicação ao Grammy de melhor álbum de jazz vocal. E finalmente gravou ‘Dear Ella’, um tributo à primeira dama do jazz Ella Fitzgerald. Fazendo uma releitura das músicas cantadas pela diva, Dee Dee conseguiu escapar dos perigos da imitação. Um quarto de século depois de Dee Dee homenagear Billie Holiday com a aclamada produção teatral ‘Lady Day’, onde foi necessário imitá-la vocalmente, agora, em 2010, fez mais uma homenagem e lançou ‘To Billie with love from Dee Dee Bridgewater’.

dee dee bridgewater - good morning heartache


dee dee bridgewater - keeping tradition (1993)

Keeping Tradition (1993)

Tracklist
01. Just One of Those Things 02. Fascinating Rhythm 03. The Island 04. Angel Eyes 05. What Is This Thing Called Love 06. Les Feuilles Mortes/Autumn Leaves 07. I'm A Fool to Want You/I Fall In Love Too Easily 08. Lullaby of Birdland 09. What A Little Moonlight Can Do 10. Love Vibration 11. Polka Dots and Moonbeams (Around A Pug-Nosed Dream) 12. Sister Sadie

dee dee bridgewater - love and peace (1995)

Love and Peace (1995)
Tribute to Horace Silver

Tracklist
01. Permit Me to Introduce You to Yourself 02. Nica's Dream 03. TheTokyo Blues 04. Pretty Eyes 05. St. Vitus Dance 06. You Happened My Way 07. Soulville 08. Filthy McNasty 09. Song for My Father 10. Doodlin' 11. Lonely Woman 12. TheJody Grind 13. Blowin' the Blues Away

Uma homenagem à Ella Fitzgerald é uma tarefa difícil para qualquer músico. E esta foi a tarefa que Dee Dee Bridgewater enfrentou, enquanto observava o medo e a ansiedade que eram seus companheiros constantes, ao assumir esse projeto. Dee Dee teve o privilégio de conhecer Ella em várias ocasiões, e sabiamente, não tentou soar como Ella, o que só poderia terminar em fracasso. Em vez disso, capturou a essência da grande diva: o seu calor, a sua jovialidade, a sua graça. O álbum começa com o maior hit de Ella, ‘A-Tisket, A-Tasket’ e Dee Dee dá sua própria atmosfera especial, mas mantendo intacto o caráter lúdico da canção.

dee dee bridgewater - dear ella (1997)

Dear Ella (1997)

Tracklist
01. A Tisket, A Tasket 02. Mack the Knife 03. Undecided 04. Midnight Sun 05. Let's Do It (Let's Fall In Love) 06. How High the Moon 07. If You Can't Sing It, You'll Have To Swing It (Mr. Paganini) 08. Cotton Tail 09. My Heart Belongs To Daddy 10. I'd Like To Get You On A Slow Boat To China 11. Oh, Lady, Be Good! 12. Stairway to The Stars 13. Dear Ella

dee dee bridgewater - this is new (2002)

This is New (2002)

Tracklist
01. This Is New 02. Lost In The Stars 03. Bilbao Song 04. My Ship 05. Alabama Song 06. The Saga Of Jenny 07. Youkali 08. I'm A Stranger Here Myself 09. Speak Low 10. September Song 11. Here I'll Say

‘Red Earth - A Malian Journey’ este título se deve à paisagem que Dee Dee viu do quarto do seu hotel, na primeira manhã da sua visita a Mali, na respectiva capital, Bamako. Depois de projetos dedicados a grandes músicos de jazz e no cancioneiro francês, Dee Dee visita a música de Mali, em busca das suas próprias raízes. Com sonoridades africanas e acompanhada de vários músicos locais como Cheick Tidiane Seck, que ficou responsável pela seleção das músicas tradicionais do Mali, este projeto, segundo a própria cantora é um projeto musical, político e espiritual. Um dos temas que Dee Dee fez questão de incluir foi ‘No More (Bambo)’, canção com belos cânticos africanos e com mensagem política e social que nos anos 60 levou o governo de Mali a abolir os casamentos forçados. Fora do repertório de Mali, Dee Dee foi buscar Nina Simone (Four Women), Mongo Santamaria (Afro Blue) e Wayne Shorter (Footprints). Red Earth permite também o contacto com instrumentos tradicionais de Mali, como a kora, que se fundem com os instrumentos convencionais.

dee dee bridgewater - red earth (2007)

Red Earth (2007)
A Malin Journey

Tracklist
01. Afro Blue 02. Bad Spirits (Bani) 03. Dee Dee 04. Mama Don'T Ever Go Away (Mama Digna Sara Yé) 05. Footprints 06. Children Go 'Round (DemissèNw) 07. The Griots (Sakhodougou) 08. Oh My Love (Djarabi) 09. Four Women 10. No More (Bambo) 11. Red Earth (Massane Cissé) 12. Meanwhile Écouter 13. Compared To What

Neste álbum de doze clássicos de Billie Holiday, não surpreende que a performance de Dee Dee seja estonteante desde a sensualidade de ‘Mother’s Son-in-Law’ até as profundezas da melancolia em ‘Strange Fruit’. Os maiores créditos devem ser destinados ao pianista Edsel Gómez, responsável pelos arranjos. Algumas faixas representam completa transformação, e Gómez mostra excelência nas atraentes alterações. Acompanhando Gómez nesta soberba realização, está a banda dos sonhos de Dee Dee formada pelo baterista Lewis Nash, pelo baixista Christian McBride e pelo saxofonista James Carter. Um álbum mágico.

dee dee bridgewater - to billie with love (2010)

Eleonora Fagan (1915-1959)
To Billie with love from Dee Dee Bridgewater

Tracklist
01. Lady Sings the Blues 02. All of Me 03. Good Morning Heartache 04. Lover Man 05. You've Changed 06. Miss Brown to You 07. Don't Explain 08. Fine and Mellow 09. Mother's Son-In-Law 10. God Bless the Child 11. A Foggy Day 12. Strange Fruit

motor city josh & the big 3

motor city josh & the big 3Com letras inteligentes em ritmo de funk blues e presença de palco carismática, ‘Motor City Josh & The Big 3’ é uma das principais bandas de blues de Detroit na atualidade. O guitarrista Joshua Ford, conhecido como Motor City Josh, nativo de Detroit, começou em 1991, juntamente com outros músicos talentosos da área de Detroit, como músico de blues com o Projeto de Curtis Sumter, vocalista, percussionista e bandleader. Josh passou 10 anos tocando na área de Motor City, em seguida, mudou-se para Atlanta, em 1999, para fazer o mesmo. Em 2003 foi para Chicago, onde ele recrutou o extraordinário baixista, Chris Douglas. Depois de um ano em Chicago, ele voltou para Detroit, onde, em seguida, recorreu aos serviços de Joe Neely nos teclados e Matt Kelly na bateria, formando o ‘Motor City Josh & The Big 3’. A banda teve várias formações inclusive com Caleb Ford, irmão de Josh, Adam Spafford e Damien Lewis misturando talento, trabalho duro e a arrogância própria da juventude. O grupo realiza cerca de 300 shows por ano, a maioria nos EUA, Inglaterra e Escócia e seus fãs continuam a crescer, assim como suas vendas.

motor city josh‘Motor City Josh & The Big 3’ é um fenômeno que chegou com a força de um furacão e eles sabem instintivamente como se colocar em um show. Atualmente é muito raro se deparar com algo verdadeiramente diferente no blues e ouvir o vocal notável do bem-humorado Josh Ford e sua banda é como estar em um barco no velho rio Mississippi. O blues escolheu Josh Ford e ele sabe que essa não é a maneira mais fácil de ganhar a vida. Mesmo assim, Josh, filho de um pregador, e sua banda têm conseguido um sucesso incrível. A banda atual é formada por Motor City Josh na guitarra e vocal, Johnny Rhoades na guitarra e vocal, Alex Lyon no baixo e vocal e Eric Savage na bateria. No álbum ‘Forty Four a Tribute to Howlin Wolf’, ‘Motor City Josh’ mostra respeito e apreço por honrar o trabalho da grande lenda do blues e membro do ‘Rock and Roll Hall of Fame’, Howlin 'Wolf. O convidado especial é o gaitista Jason Ricci que interpreta de forma soberba. As 13 faixas do conjunto são algumas das maiores canções de blues de todos os tempos.

motor city josh - dust my broom



motor city josh - stringer full of blues (2002)

Stringer Full of Blues (2002)

Tracklist
01. No Fish 02. Blues Playin' Bassman 03. Catfish Bbq 04. The Skillet 05. True Fishin' Man 06. Early Worm 07. Gonna Do Some Fishin' Baby 08. Goin' Fishin' 09. New Fishin' Lure 10. Stringer Full of Blues 11. Monster Bass

motor city josh - blue collar blues man (2004)

Blue Collar Blues Man (2004)

Tracklist
01. Tim's Blues 02. I'm Going Away 03. I Was Born to Play the Blues 04. Detroit Michigan 05. Detroit Lady 06. Funky Man of the Blues 07. Sit Back and Let the World Go By 08. Born in the Dog House 09. I'm Down for That 10. I Can't Win for Losin' 11. I Paid the Doctor 12. Blue Collar Bluesman 13. I Was Born to Play the Blues (Radio Edit) 14. Blue Collar Bluesman (Radio Edit)

motor city josh - covered up (2007)

Covered Up (2007)

Tracklist
01. Born Under a Bad Sign 02. Dust My Broom 03. Jessica 04. Something 05. Little Red Rooster 06. Boogie Thing 07. Shes 19 Years Old 08. I Cant Be Satisfied 09. On Line - Jim David 10. Honey Hush 11. The Little Drummer Boy 12. Stopped by the Poe-Poe

motor city josh - forty four a tribute to howlin' wolf (2008)

Forty Four a Tribute to Howlin Wolf (2008)

Tracklist
01. Forty Four 02. Spoonful 03. Evil Is Goin' On 04. Back Door Man 05. 300 Lbs of Joy 06. I Ain't Superstitious 07. Sittin' On Top of the World 08. Smokestack Lightnin' 09. Little Red Rooster 10. Built for Comfort 11. Meet Me in the Bottom 12. Wang Dang Doodle 13. Goin' Down Slow

midinight cowboy

midnight cowboy movieJoe Buck (Jon Voight), menino nascido no Texas, terra de homens machos, hiper-masculinos, desde cedo foi ensinado a ver, no caubói, um modelo de masculinidade a ser seguido. Criado pela avó, ainda criança, já a levava a suspirar de prazer ao fazer massagem em seus ombros. Dela recebia beijos e afagos, chegando a partilhar a cama com ela e com o caubói de rodeio que ela namorava. Mimado pelas amigas da avó, desde cedo foi convencido de que era um homenzinho do qual as mulheres gostavam muito. Homenzinho bonito que chegava a desfilar em concurso de galã de rodeio. Menino que se torna um rapaz, amado por Annie, que lhe dizia, que ele era o melhor, o único, superior a todos que a desejavam. Cresceu convencido de que era um garanhão, valente, corajoso, destemido, másculo, potente, como todos os homens que haviam povoado o velho oeste. Homens que tantas vezes vira no cinema, interpretados por seu ídolo John Wayne. Joe não se interessava por atividades intelectuais, como é comum no estereótipo do macho, e dizia que a única coisa que sabia fazer bem era satisfazer uma mulher: ele só tinha um belo corpo, mas era desprovido de cérebro - o filme é de 1969 e continua mais atual do que nunca. Após servir o Exército, e perder a avó, que encontra morta ao voltar, para poder sobreviver dedica-se a lavar pratos em um drive-in, nas margens de uma rodovia. Após anos de preparação para encarnar o macho texano, Joe Buck termina numa cozinha, de avental, exercendo uma atividade tipicamente feminina.

midnight cowboyTentando livrar-se dessa vida humilhante, Joe resolve utilizar seus dotes de garanhão para ganhar a vida como garoto de aluguel, servindo às mulheres ricas de Nova York que, de acordo com o que pensavam no Texas, estariam carentes de homens de verdade. E com sua bota de caubói, cinto de fivela larga, chapéu, casaco de couro desfiado e uma mala de couro de vaca, Joe Buck parte para Nova York acreditando no seu sucesso como amante másculo. Mas, ao andar pelas ruas da grande cidade, ao seguir as mulheres, suas eventuais presas, percebe que seu espalhafatoso personagem não só não as atrai, como é ridículo e provoca risos. Seus fracassos como garoto de aluguel se sucedem: se relaciona com uma prostituta, que lhe toma algum dinheiro; num bar não consegue distinguir um travesti de uma mulher e só não é enganado porque cruza seu caminho o outro personagem principal da trama: Ratso, interpretado por Dustin Hoffman, um morador de um prédio em ruínas no bairro do Bronx, tuberculoso e coxo, que vive de pequenos furtos e golpes. A penúria financeira obriga Joe a procurar a zona de prostituição masculina para homossexuais. O macho do Oeste tem que se submeter à suprema humilhação de se vender para um garoto feminino e intelectualizado, tudo o que ele sempre abominou. Em discussão com Ratso, descobre perplexo que o tipo caubói agora era coisa de homossexual, e pergunta: será que John Wayne também o era? A Nova York, do final dos anos sessenta, era palco de mudanças profundas nos papéis de gênero e a masculinidade simbolizada pelo caubói texano, está aí completamente fora de lugar, marginalizada, questionada pelo comportamento das mulheres e dos homossexuais, pela militância de gênero.

midnight cowboyRatso, assim como Joe, também simboliza a falência do masculino: ele não trabalha, não é o provedor, não tem sequer casa ou família, suspeita-se que jamais tivesse possuído uma mulher. Tem um corpo precário, doentio, nada atlético, embora tenha se tornado o cérebro que faltava a Joe, por ter a esperteza adquirida nas ruas da cidade, pela necessidade de lutar diariamente para sobreviver na cidade grande. Um menino que não quis seguir a trajetória do pai: um engraxate, que passava quatorze horas por dia no metrô, e que quando morreu nem o serviço funerário conseguiu limpar suas unhas. Joe Buck passa a dividir o espaço com Rizzo, com quem termina construindo uma sólida amizade. Juntos, roubam e estudam estratégias para a promíscua carreira de Buck. E Rizzo sonha em recuperar sua saúde e poder um dia mudar-se para a Flórida, no final os dois embarcam num ônibus a fim de realizar o sonho do amigo. Ao atravessar a fronteira do Estado da Flórida, Joe percebe que Rizzo morreu. Com lágrimas nos olhos, Joe ampara o amigo, ao mesmo tempo em que percebe que está sozinho novamente.

midnight cowboyEm ‘Midinight Cowboy’ (Perdidos na Noite, no Brasil) com roteiro baseado em obra de James Leo Herlihy, o cineasta britânico e abertamente gay John Schlesinger, que foi parceiro por mais de 30 anos do fotógrafo Michael Childers, fez um retrato da sociedade americana, bem distinta daquela que conheceu através do cinema hollywoodiano. Para o cineasta a história americana foi outra. Como estrangeiro, ele observou com olho crítico a atitude nacionalista, guerreira e viril dos Estados Unidos. Os soldados começam a morrer na guerra do Vietnã, e uma intensa mobilização pacifista acontece num país cuja cultura ensinava a exaltar a guerra e, para a perplexidade ainda maior de todos os setores mais conservadores desta sociedade, os homossexuais saem das sombras dos guetos, dos becos e das calçadas para aparecerem na cena pública, reivindicando direitos. É também, a constatação da falência de um modelo de masculinidade, que tornava os homens cada vez mais distantes das mulheres e incapazes de entender as transformações que estavam ocorrendo à sua volta. E Hollywood premia com o Oscar de melhor filme do ano de 1969, ‘Midinight Cowboy' o primeiro filme classificado na categoria X, impróprio para menores de idade por conter cenas consideradas pornográficas, a ganhar este prêmio. Uma versão da história americana contada a partir da amizade entre dois homens, em tudo diferentes, a não ser na solidão e na marginalidade.

Um filme espetacular para uma ótima trilha sonora de John Barry compositor britânico, responsável por diversas trilhas sonoras do cinema, mas mais conhecido por compor onze trilhas para os filmes de James Bond. Além da já conhecidíssima ‘Everybody's Talkin’ com Harry Nilsson, o destaque é para a pouco divulgada ‘A Famous Myth’ em uma interpretação parecidíssima com os ‘The Mamas & The Papas’.

the groop and garry sherman - a famous myth


soundtrack midnight cowboy (1969)

Midnight Cowboy (1969)

Tracklist
01. Everybody's Talkin' (Harry Nilsson)
02. Joe Buck Rides Again (John Barry)
03. A Famous Myth (The Groop and Garry Sherman)
04. Fun City (John Barry)
05. He Quit Me (Leslie Miller and Garry Sherman)
06. Jungle Gym at the Zoo (Elephant's Memory)
07. Midnight Cowboy (John Barry)
08. Old Man Willow (Elephant's Memory)
09. Florida Fantasy (John Barry)
10. Tears and Joys (The Groop and Garry Sherman)
11. Science Fiction (John Barry)
12. Everybody's Talkin' (Edit) Harry Nilsson

dave brubeck

dave brubeckEm certa ocasião, Oscar Peterson, afirmou que existem apenas dois tipos de música: a boa e a ruim. Dentro das grandes formas musicais que englobam o jazz, de forma consistente Dave Brubeck conseguiu tocar e deixar uma música soberba para futuras gerações. Ele tem quase meio século, e é importante como pianista, compositor e líder, talvez, do mais conhecido quarteto da história do jazz. Dave Brubeck é um membro desse círculo encantado de artistas cuja popularidade é compatível com suas realizações musicais. Ele não apenas faz boa música, ele a transmitiu para que toda uma nova geração de amantes de boa música pudesse apreciá-la e encontrá-la doce, como décadas atrás. Reconhecido como um gênio em sua área, ele compôs vários jazz standards, incluindo ‘In Your Own Sweet Way’ e ‘The Duke’. David Warren Brubeck foi um jazzman atípico na década de 50. Começou a aprender piano aos 4 anos de idade com sua mãe e violoncelo aos 9 e apesar, ou talvez por causa, da prevalência de músicos na família, seus irmãos mais tarde se tornariam reitores de música em escolas, Brubeck não tinha sonhos de se tornar um músico profissional, ele queria ser fazendeiro. Quando a família se mudou para uma fazenda, com 11 anos Dave ficou encantado com a vida na fazenda e saboreava cada uma de suas tarefas diárias. Aos 18 anos, Brubeck relutou em deixar a fazenda para estudar, mas seus pais o convenceram a ir para a faculdade sugerindo a possibilidade dele se tornar um veterinário para que ele pudesse voltar para a fazenda. A loucura desse plano se tornou evidente em seu primeiro ano, e, por sugestão de seu conselheiro de ciências optou por trocar as aulas de anatomia pelas de música.

dave brubeck timeDave Brubeck começou sua carreira no início dos anos 50 na região do west coast americano, ou seja, em San Francisco, EUA. Em 1951 ele fundou, com o saxofonista Paul Desmond, seu amigo dos tempos do serviço militar, o quarteto que seria um dos maiores da história do jazz. Inicialmente, o jazz de Dave Brubeck era mais ao gosto de West Coast, um estilo do bebop, o cool jazz, composto por baladas e swing mais lento e suave. Foi o saxofonista Charlie Parker que inventou o bebop, e na época era comum a rivalidade entre os músicos negros de New York e os brancos de San Francisco ou Los Angeles, os músicos negros diziam que os brancos não sabiam swingar com os negros, e os músicos brancos diziam que os negros, apesar de serem virtuoses, não tinham lirismo. E Dave Brubeck, em uma jogada de marketing, provou que tinha capacidade de tocar como os negros chamando a atenção da mídia sendo capa da revista ‘Time’ em 1954. Em 1957 o quarteto se estabilizou até 1967, com Dave Brubeck no piano, Paul Desmond no saxofone alto, Eugene Wright no contrabaixo e o notável Joe Morelo na bateria. Com essa formação, o quarteto gravou o clássico ‘Time Out’, o primeiro álbum de jazz a ganhar um disco de platina em 1959, devido a ‘Take Five’, tema e composição de Paul Desmond, tímido e quieto, mas sempre rodeado de lindas mulheres, com o seu som limpo e lírico, e seus improvisos impactantes fizeram Charlie Parker seu fã. Depois o quarteto lançou os notáveis ‘Time Further Out’, ‘Time Changes’ e ‘Jazz Impressions of Japan’. Todas as capas desses discos foram ilustradas por pintura contemporânea de artistas como Neil Fujita, Joan Miró, Franz Kline e Sam Francis. Dave Brubeck adorava o pintor espanhol Miró.

dave brubeck quartet

'Dave Brubeck Quartet' em 1959 durante a gravação do álbum ‘Time Out’: Joe Morello (bateria), Paul Desmond (saxophone), Dave Brubeck (piano) e Eugene Wright (baixo). Quarteto que também se apresentou no Carnegie Hall em 1963.

Dave Brubeck tinha um estilo percussivo de tocar piano, sempre improvisava, ele não sabia e nem gostava de ler partitura, mesmo depois se cursar a universidade. Ele evitava aprender a ler durante as aulas de piano de sua mãe, alegando dificuldade de visão. Ele queria simplesmente compor suas próprias melodias e por isso nunca aprendeu a ler partituras. Na faculdade, foi por pouco expulso do curso, quando um de seus professores descobriu que ele não sabia ler partituras. Muitos outros professores o defenderam apontando seu talento em contraponto e harmonia, mas a escola continuou com medo de que isso pudesse causar um escândalo, e só concordou em lhe dar o diploma se ele concordasse em nunca dar aulas de piano. Dave Brubeck tinha admiração por Duke Ellington e pela música erudita. Foi acusado, por críticos da época, de não ser um melodista, mas suas ousadias harmônicas e mudanças de andamento anunciavam um pianista inovador e um compositor inspirado. Dave Brubeck é responsável por uma das experiências mais bem sucedidas da ‘Third Stream’ (integração de elementos do jazz e da música erudita), no mesmo patamar de Stan Kenton, do Modern Jazz Quartet e do pianista Bill Evans.

‘Time Out’ foi planejado como um experimento, mas a gravadora resolveu liberá-lo e assim, tornou-se um dos mais conhecidos álbuns de jazz, apesar das críticas negativas na época. Todas as peças foram compostas por Dave Brubeck, com exceção de ‘Take Five’, de Paul Desmond. Era um experimento com base na utilização de assinaturas de tempo que eram incomuns para o jazz. Assinaturas de tempo, também conhecido como assinatura metros, é uma convenção de notação. Existem vários tipos de assinaturas do tempo: simples (3/4 ou 4/4), compostos (9/8 ou 12/8), complexos (5/4 ou 7/8), mista (5/8, 3/8 ou 6/8, 3/4) ou outros medidores. O jazz, na época em que esse disco foi criado, era tocado em 4/4 tempos. ‘Time Out’ rompeu com isso. A música ‘Take Five’ é símbolo de irreverência e trabalho em equipe e da eterna busca pelo aprimoramento o que fez dela um ícone da inovação, pois em 1959, quando foi lançada, ia contra todas as recomendações das gravadoras para se obter um hit de sucesso. Dave Brubeck planejava lançar o álbum ‘Time Out’ quando pediu a Paul Desmond para compor uma música em 5/4 que fez de 'Time Out' o primeiro álbum de jazz a ultrapassar um milhão de cópias vendidas. Muitos supõem incorretamente que ‘Blue Rondo à la Turk’ é baseado em ‘Rondo alla Turca’ da Sonata para piano n º 11, de Mozart, mas é baseado em um ritmo turco que Brubeck ouviu. ‘Time Out’ é um daqueles álbuns que transcende fronteiras musicais, a interação entre o piano de Brubeck e o saxofone de Paul Desmond torna este disco inesquecível e um dos mais poderosos do jazz. Uma obra-prima.

dave brubeck - time out (1959)

Time Out (1959)

Tracklist
01. Blue Rondo à la Turk 02. Strange Meadow Lark 03. Take Five 04. Three to Get Ready 05. Kathy’s Waltz 06. Everybody’s Jumpin’ 07. Pick Up Sticks

Dave Brubeck foi um pioneiro na apresentação de concertos íntimos em faculdades e universidades e nas melhores salas de concerto de pequeno porte. O show no Teatro Wilshire Ebell, em Los Angeles, foi, provavelmente, um dos maiores triunfos pessoais de Brubeck que estabeleceu alto nível artístico, principalmente graças aos estudantes universitários cujo objetivo era trazer bons grupos de jazz para os concertos. O quarteto era constituído por Paul Desmond no alto saxophone, Dave Brubeck no piano, Ron Crotty no baixo e Lloyd Davis na bateria. O evento foi gravado por Dick Bock, e depois dele Dave Brubeck se tornaria o artista mais popular de jazz desde Benny Goodman.

dave brubeck - at wilshire ebell (1953)

Dave Brubeck Quartet
At Wilshire Ebell (1953)

Tracklist
01. I'll Never Smile Again 02. Let's Fall in Love 03. Stardust 04. All the Things You Are 05. Why Do I Love 06. Too Marvelous for Words 07. Blue Moon 08. Let's Fall in Love 09. Tea for Two 10. Jeepers Creepers 11. My Heart Stood Still

No Carnegie Hall, foram apresentados os melhores elementos do quarteto, ao lado do piano de Brubeck, o inovador Paul Desmond no alto saxofone, o baixista Eugene Wright e Joe Morello na bateria. O quarteto adorou a gravação ao vivo, eles não gostavam do estúdio porque não havia energia e o público aplaudindo os solos de Paul Desmond. No Carnegie Hall o grupo revela toda a harmonia, improvisação e a força, quase telepática, entre Dave Brubeck e Paul Desmond.

dave brubeck - at carnegie hall (1963)

Dave Brubeck Quartet
At Carnegie Hall (1963)
CD 1    CD 2

Tracklist CD 1
01. St. Louis Blues 02. Bossa Nova U.S.A. 03. For All We Know 04. Pennies from Heaven 05. Southern Scene 06. Three to Get Ready

Tracklist CD 2
01. Eleven Four 02. It's A Raggy Waltz 03. King for a Day 04. Castillan Drums 05. Blue Rondo a La Turk 06. Take Five (Paul Desmond)

‘The Essential Dave Brubeck’ com 31 faixas de 24 álbuns, dos 53 anos de carreira de Dave Brubeck, é a introdução perfeita para um dos maiores artistas de jazz de todos os tempos. As primeiras nove faixas são mono. Brubeck não apenas fazia boa música, ele experimentou e inventou novos conceitos. Há também vocalistas convidados, como Tony Bennett, Carmen McRae, Jimmy Rushing, e Louis Armstrong, com uma faixa cada. Como Brubeck gosta de se apresentar frente a uma platéia, quase metade do álbum são faixas ao vivo. A coleção começa com ‘Indiana’, gravada em 49 e termina com ‘Love for Sale’ escrita por Cole Porter. Para os fãs de Dave Brubeck, Paul Desmond, Eugene Wright, Joe Morello, Ron Crotty e Lloyd Davis, ‘The Essential Dave Brubeck’ é uma introdução sólida para o que Oscar Peterson classificaria como ‘música boa’.

dave brubeck - the essential (2003)

The Essential Dave Brubeck (2003)
CD 1    CD 2

Tracklist CD 1
01. Indiana 02. Perdido 03. Take the "A" Train 04. Le Souk 05. Audrey 06. The Duke 07. In Your Own Sweet Way 08. Weep No More 09. Some Day My Prince Will Come 10. Tangerine 11. Brandenburg Gate 12. Three to Get Ready 13. Blue Rondo a la Turk 14. There'll Be Some Changes Made

Tracklist CD 2
01. Take Five 02. Maria 03. It's a Raggy Waltz 04. Unsquare Dance 05. Kathy's Waltz 06. Travelin' Blues 07. Summer Song 08. That Old Black Magic 09. Bossa Nova U.S.A. 10. Autumn in Washington Square 11. Mr. Broadway 12. La Paloma Azul 13. Recuerdo 14. Caravan 15. Stardust 16. Brother Can You Spare a Dime? 17. Love For Sale

dave brubeck quartet - take five (Alemanha - 1966)
Dave Brubeck - piano
Paul Desmond - alto sax
Eugene Wright - bass
Joe Morello - drums



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