ópera rock: hair

opera rock - hairEm 1967, Gerome Ragni, ator e dramaturgo estadunidense, em parceria com James Rado, ator e escritor, escreveram os textos e letras das músicas, enquanto Galt MacDermot musicou ‘Hair’ que capturou o espírito rebelde dos anos 60. ‘Hair’ é um musical sobre os hippies, de sua cultura, música, paz e amor. Ficou famosa por suas músicas e quebrou a tradição teatral por suas cenas de nudez com um elenco despojado que cantou a sodomia. No Teatro Biltmore, na Broadway, foi à cena por quase 2.000 vezes. ‘Hair’ provocou controvérsia desde sua primeira apresentação. Mas em Nova York e em outros grandes centros, o descontentamento ficou circunscrito a críticas desfavoráveis dos conservadores. No entanto, quando a peça saiu em excursão pelos Estados Unidos, seus produtores sofreram ações legais por práticas obscenas e desrespeito à bandeira americana, discussão que chegou à Suprema Corte. Seguiram-se outras montagens em Los Angeles, Sydney e Londres onde também teve problemas com a censura. No Brasil o filme foi censurado na época de seu lançamento, vivíamos a ditadura dos moralistas, mas assassinos generais. Foi exibido nos cinemas no início da década de 1980. No México, depois da primeira apresentação, a peça foi proibida pelo governo e os atores, ameaçados de prisão, tiveram que deixar apressadamente o país. Outras montagens se seguiram através do mundo. Apesar do choque, ‘Hair’ foi aclamada e logo os jovens que protestavam em todos os lugares contra a guerra estavam cantando ‘Let the Sunshine In’. No entanto, como muitas criações, em um intervalo de tempo, o show se tornou velho demais para os anos 70. Assim, em 1979, o produtor de cinema Lester Persky apostou que ‘Hair’ estava maduro para a redescoberta. A versão cinematográfica foi escrita por Michael Weller, e um bando de novatos talentosos foi dirigido pelo emigrante tcheco Milos Forman, acompanhados por uma exuberante sequência musical.

Gerome Ragni Galt MacDermot James RadoO enredo da peça teatral difere do enredo da versão cinematográfica. O musical segue a trajetória do recém-chegado do interior, Claude Bukowski (John Savage) à Nova Iorque onde pretende se alistar para a guerra do Vietnã. Ao chegar, ele conhece um grupo de hippies no Central Park chamado ‘A Tribo’, da Era de Aquário e politicamente ativos, em sua luta contra o recrutamento militar. Claude se apaixona pela bela Sheila (Beverly DAngelo) e fica amigo de Berger (Treat Williams) o líder pacifista dos hippies. Eles e os outros membros do grupo sintetizam o pensamento e a prática dos hippies nos anos 60. No final, a maior diferença entre os enredos da peça e do filme: Claude chega à conclusão que a vida no grupo não é o que ele realmente deseja e vai para o Vietnã. No filme, Berger toma seu lugar e morre na guerra. O musical encerra sem que o público fique sabendo o destino de Claude na guerra. Sobre a adptação cinematográfica de ‘Hair’ as opiniões se dividem. Para uns tantos, foi um desastre concebido pelo roteirista Michael Weller, e por um diretor expatriado que não tinha a menor familiaridade com os hippies, os anos 60, a América, ou mesmo com a Broadway. Com um roteiro artificial, a versão de Hollywood com as jovens estrelas Treat Williams, John Savage e Beverly D'Angelo é um caso exemplar de como não fazer uma adptação. Pelo menos pode-se dizer que, ao contrário de alguns dos filmes musicais desastrosos de 1930 e 40, a música sempre foi eclética, um tanto satíricas, assim como líricas, e foi capaz de resistir à mediocridade. Mesmo assim é mais aceitável em disco do que no filme. O álbum com as canções da peça foi agraciado com o Grammy de 1969.

 milos formanPara outros, o filme enquanto uma decepção nas bilheterias, é notável por vários motivos, entre eles é uma adaptação surpreendentemente boa, sem enredo discernível no palco o diretor Milos Forman criou uma história coerente com um impacto emocional considerável. O talentoso elenco foi de enorme ajuda, especialmente os três principais atores, mas quem fez o filme ser deslumbrante foi a lendária coreógrafa Twyla Tharp que planejou as danças. As músicas são encenadas com uma rara combinação de confiança e vitalidade que marcam os melhores momentos em filmes musicais. Os escritores James Rado e Gerome Ragni ficaram descontentes com o filme. Na opinião dos dois, Milos Forman não conseguiu captar a essência de ‘Hair’ e os hippies foram retratados como excêntricos e algum tipo de aberração, sem qualquer conexão com o movimento pela paz. Em 2005, nova montagem de ‘Hair’ foi encenada em Londres, com a ação ambientada não mais na Guerra do Vietnã, mas na Guerra do Golfo de 2003. James Rado concordou inicialmente com a montagem, mas o espetáculo mereceu críticas de atores que trabalharam na versão original.

E eu, que nunca gostei de filmes musicais assisti a notável ópera rock ‘Tommy’ de 1969, composta pelo guitarrista Pete Townshend do ‘The Who’, e baseada no álbum de mesmo nome e o primeiro álbum da banda explicitamente chamado de ópera rock; e os musicais rock ‘Jesus Christ Superstar’ de 1970 e ‘Hair’ de 1979. Em uma distinção despretensiosa a ópera rock conta uma história coerente enquanto o álbum conceitual mantém o tema até o fim e o musical rock é apresentado como sendo uma produção teatral em vez de um álbum, não tendo sequer referência a qualquer banda. Dito isto, ‘Hair’ com performances muito fortes do elenco é o mais lembrado devido às grandes canções memoráveis que mesclam uma diversidade de sons e ritmos, música negra com mantras orientais, a influência indígena e mexicana. As letras são cheias de significados e falam exatamente daquilo que se estava vivendo: a descoberta do LSD, os horrores da segregação racial e sexual, a guerra do Vietnã sendo televisionada e as canções se transformaram em hinos, em uma causa.

Na verdade, ‘Hair’ é uma peça universal e não fala de uma guerra específica e sim do horror da guerra. De qualquer guerra, até da urbana em que vivemos atualmente, com a segregação racial que ainda existe, com a misoginia, a falta de tolerância com opções sexuais. Para os que viveram a época retratada, assistir novamente ‘Hair’ é uma viagem nostálgica que restaura sensações perdidas ou esquecidas ao longo do tempo. Não há como negar o poder das músicas que fazem de ‘Hair’ uma obra prima, canções brilhantes que ficaram embutidas no cérebro. E a épica ‘Aquarius’ é suficiente para nos levar aos dias passados onde havia a magia das ideologias. Hoje, não são mais feitas passeatas como os estudantes e hippies faziam em 1967. Por isso é fundamental ouvir o grito de ‘Hair’ de tantos anos atrás.

hair (1979)hair (1979)hair (1979)hair (1979)hair (1979)

ren woods - aquarius


‘Aquarius’, por vezes referida como ‘The Age of Aquarius’ ou ‘Let the Sunshine In’ interpretada por Ren Woods foi uma das canções mais populares de 1969, em todo o mundo, e nos Estados Unidos. A letra escrita por James Rado, Gerome Ragni e Galt MacDermot foi baseada na crença astrológica de que o mundo entraria em breve na Era de Aquário, uma era de amor e luz para a humanidade, ao contrário da então Era de Peixes. Essa mudança foi presumida a ocorrer no final do século 20, no entanto, os astrólogos diferem de quando será.

‘Three-Five-Zero-Zero’ é uma canção anti-guerra, constituida de uma montagem de palavras e frases semelhantes às do poema ‘Wichita Vortex Sutra’ de Allen Ginsberg, de 1966. Irwin Allen Ginsberg foi um poeta norte-americano que se opunha vigorosamente contra o militarismo, o materialismo e a repressão sexual. Em 1950, Ginsberg foi uma das principais figuras da Geração Beat, um grupo anárquico de homens e mulheres que com paixão defendeu as liberdades pessoais, um termo usado para descrever o grupo de artistas norte-americanos, principalmente escritores e poetas, que vieram a se tornar conhecidos no final da década de 50 quanto ao fenômeno cultural que eles inspiraram, posteriormente chamados ou confundidos aos beatniks, nome este de origem controversa, considerado por muitos um termo pejorativo. Estes artistas levavam vida nômade ou fundavam comunidades. Foram, desta forma, o embrião do movimento hippie. O poema ‘Howl’, de Allen Ginsberg, no qual ele comemora o seu companheiro, é um dos poemas clássicos da Geração Beat. Na música, as frases são combinadas para criar imagens da violência no combate militar e aspectos da Guerra do Vietnã.

A canção ‘What A Piece Of Work Is Man’ se refere à frase ‘What a piece of work is a man!’ contida em 'Hamlet' de Shakespeare.

hair (1979)

Hair: Original Soundtrack Recording (1979)
CD 1    CD 2

Tracklist
01. Aquarius 02. Sodomy 03. Donna/Hashish 04. Colored Spade 05. Manchester, England 06. I'm Black / Ain't Got No 07. Party Music 08. My Conviction 09. I Got Life 10. Hair 11. L.B.J. (Initials) 12. Electric Blues/Old Fashioned Melody 13. Hare Krishna 14. Where Do I Go? 15. Black Boys 16. White Boys 17. Walking In Space 18. Easy To Be Hard 19. 3-5-0-0 20. Good Morning Starshine 21. What A Piece Of Work Is Man 22. Somebody To Love 23. Don't Put It Down 24. The Flesh Failures/Let The Sunshine In

ella fitzgerald

ella fitzgeraldDizem que Ella Fitzgerald não tinha a profundidade emocional de Billie Holiday, a imaginação de Sarah Vaughan ou Anita O'Day, e a influência baseada no blues de Dinah Washington. E que ela era muitas vezes, apesar de brilhante, previsível. As críticas surgiram em parte devido a sua popularidade e ignoraram as suas contribuições. Ella Fitzgerald não só foi uma das pioneiras do ‘scat singing’, técnica extremamente inventiva da improvisação do jazz vocal com vocábulos sem palavras, sílabas sem sentido ou sem palavras que dá aos cantores a habilidade da improvisação para criar o equivalente a um solo instrumental usando a voz. Técnica aliás bastante eficaz para Ella Fitzgerald que tinha tendência para esquecer as letras das músicas. Além disso, era uma cantora despretensiosa cujas variações harmônicas nunca foram forçadas. Notavelmente, se destacou por sua interpretação sofisticada das canções de George Gershwin e Cole Porter.

Afinal, Ella Fitzgerald foi essencialmente uma cantora de jazz ou uma cantora pop? Para muitos, foi indiscutivelmente a melhor cantora de jazz de todos os tempos, embora alguns possam votar em Sarah Vaughan ou, como eu, em Billie Holiday. Ella Fitzgerald, cuja voz magnífica, amplo repertório e estilo acessível de cantar apelou para ambas as platéias: do jazz e do pop. Sua abordagem ao repertório vocal é simples: ela mantém clássicos e acrescenta continuamente as melhores músicas do estilo pop. Ela estava entre os primeiros a integrar tanto a Bossa Nova como os Beatles em seu repertório na década de 60. Também gravou músicas mais contemporâneas, como ‘You Are the Sunshine of My Life’ de Stevie Wonder, um componente padrão do seu repertório. Suas gravações são reeditadas constantemente, trazendo sua música a novos públicos e ampliando seu círculo de admiradores. Na verdade, Ella Fitzgerald foi uma das cantoras de jazz mais emocionantes de sua época e, devido à naturalidade de seu estilo, tinha um apelo popular que se estendeu muito além das fronteiras do jazz.

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Até o início dos anos 1950 o domínio de Ella Fitzgerald sobre fãs e críticos foi absoluto. Na verdade, entre 1953 e 1970, a cada ano ela era a vencedora da enquete promovida pela ‘Down Beat’ a mais antiga e respeitada revista de jazz do mundo, e assim ficou conhecida como ‘a primeira dama da canção’. Ao contrário de algumas outras cantoras de jazz como Billie Holiday e Anita O'Day, Ella Fitzgerald tinha uma vida privada desprovida de notoriedade relacionadas com drogas. Em contraste com a sua carreira ativa como intérprete, levava uma vida pessoal tranquila. Com uma voz bonita, Ella era uma cantora brilhante, e tinha a dicção quase perfeita, podia se entender as palavras que ela cantava. A falha era que, uma vez que ela sempre parecia feliz por estar cantando, nem sempre a sua interpretação condizia com as canções que ela interpretava. E ninguém poderia adivinhar que seu canto nos primeiros dias foi tão melancólico como o de Billie.

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Nascida em 1918, em Newport News, Virgínia. Seus pais, William Fitzgerald e Temperança Williams Fitzgerald, separaram-se depois de um ano do seu nascimento e logo em seguida, ela se mudou para o norte com a mãe, estabelecendo-se em Yonkers, perto de Nova York onde recebeu sua educação musical nas escolas públicas. Ella Fitzgerald também cresceu na pobreza e foi literalmente uma sem-teto. Na adolescência aspirava ser uma dançarina. No entanto, aos 17 anos depois de vencer um concurso de talentos no ‘Teatro Apollo’, no Harlem, ficou claro que cantar seria sua vocação. Ella ganhou a competição com a sua interpretação de ‘The Object of My Affection’ uma melodia que se tornou popular com a cantora Connee Boswell, uma das melhores cantoras de jazz dos anos 30 e sempre citada por Ella como sendo a sua principal influência. O primeiro compromisso profissional veio, logo depois, no Harlem Opera House, onde se apresentou durante uma semana. Foi assistida pelo baterista e líder de uma das bandas mais marcantes do jazz dos anos 30, Chick Webb, por indicação de um dos principais estilistas do saxofone alto, arranjador e maestro, Benny Carter, que estava na platéia do Teatro Apollo. Chick Webb, que não ficou impressionado com a aparência de Ella, relutantemente foi convencido a deixá-la cantar com sua orquestra em uma noite. Logo o baterista reconheceu o seu potencial comercial.

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Em 1935, Ella Fitzgerald já estava gravando com a orquestra de Webb, e em 1937 mais da metade das seleções musicais da orquestra eram acompanhadas por sua voz. ‘A-Tisket, A-Tasket’ se tornou um enorme sucesso em 1938, e ‘Undecided’ logo em seguida. Durante esta época, Fitzgerald era essencialmente uma cantora pop de baladas, já tinha uma bela voz, mas as improvisações iriam se desenvolver mais tarde. Em 1939, Chick Webb morreu e foi decidido que Ella Fitzgerald ficaria à frente da orquestra, para contratar ou demitir os músicos. Quando se separou da banda em 1941 e decidiu seguir carreira solo, não demorou muito para assinar contrato com a gravadora ‘Decca’. A sua reputação de grande cantora e, acima de tudo, um talento para a improvisação era maior entre os músicos do que entre o público em geral, e ela corrigiu esse desequilíbrio. E assim, sua carreira decolou somente após a Segunda Guerra Mundial, quando Norman Granz se tornou o seu empresário. Ela excursionou com a big band de Dizzy Gillespie e suas gravações tornaram-se populares e o resultado foi o seu sucesso como cantora de jazz.

Ella FitzgeraldEm 1955 assinou contrato com a ‘Verve’. Seus álbuns mais famosos para a gravadora tem sido a série de ‘songbooks’ dedicada a obras de grandes compositores e letristas norte-americanos. Cada um contém uma mistura de canções conhecidas e obscuras acompanhadas por orquestrações luxuosas que induziram Ella Fitzgerald a mostrar uma elegante cantora pop, mesmo nos dois volumes do jazzista DuKe Ellington. Essas gravações para muitos entusiastas são a última palavra da canção popular americana. Ao mesmo tempo Ella apareceu na televisão e no cinema, em um memorável destaque no filme Pete Kelly's Blues de 1955.

No início de 1960 ela continuou a trabalhar no circuito de grandes hotéis e se apresentar em turnê pela Europa, América Latina e no Japão. Em 1965 ela se reuniu novamente com Duke Ellington para outra turnê. Em 1968 ela se juntou com o magnífico pianista Tommy Flanagan. Na década de 70, Ella Fitzgerald foi apresentada para os figurões do jazz Count Basie, Oscar Peterson e Joe Pass, entre outros. Ella Fitzgerald sempre foi agraciada com excelentes acompanhantes. Em 1971, fez uma cirurgia ocular. Seu canto, e sua voz que uma vez foi um instrumento de singular brilho e graça começou a mostrar sinais de declínio. Em 1986 fez uma cirurgia do coração. Em 1993, teve as duas pernas amputadas abaixo do joelho devido a complicações da diabetes. Tanto profissional quanto pessoalmente, Ella era uma sobrevivente. Em 1996, Ella Fitzgerald morreu tranquilamente. Tímida e sempre muito calada ela sempre parecia um pouco surpresa e sempre feliz ao saber que as pessoas gostavam tanto de sua música. Gravou quase 150 discos, no total e em quase sessenta anos de gravação foi destinatária de quase todos os prêmios importantes. Ella Fitzgerald será eternamente lembrada com carinho como uma das melhores vocalistas de jazz.

ella fitzgerald - I let a song go out of my heart
(duke ellington song book)


ella fitzgerald - the complete song books (1993)Vencedor do Grammy de melhor gravação histórica em 1994, o box set ‘The Complete Ella Fitzgerald Song Books’ de 1993 é a palavra final sobre todos os songbooks gravados por Ella Fitzgerald, entre 1956 e 1964. Canções de Cole Porter (1956), de Rodgers & Hart (1956), de Duke Ellington (1957), de Irving Berlin (1958), de George e Ira Gershwin (1959), de Harold Arlen (1961), de Jerome Kern (1963), e finalmente, canções de Mercer (1964). O conteúdo foi totalmente remasterizado e cada título tem sido expandido, quando possível, para incluir material anteriormente não emitidos. Os oito songbooks e suas mais de 240 seleções musicais são colocados no contexto correto da carreira luminosa de Ella Fitzgerald e para a compreensão sobre a interação nos bastidores com o verdadeiro quem é quem dos arranjadores. Entre eles estão Buddy Bregman, que trabalhou no Cole Porter, bem como Rodgers & Hart; o duo dinâmico Duke Ellington e Billy Strayhorn no set de Ellington; Paul Weston dirigiu a entrada de Irving Berlin; Nelson Riddle esteve a cargo do George e Ira Gershwin, Johnny Mercer e Jerome Kern; e Billy May segurou o bastão durante as sessões de Harold Arlen. Há algumas sessões que não devem ser negligenciadas, especialmente porque elas não estavam anteriormente disponíveis. Particularmente dignas de menção são: ‘You're the Top’, ‘I Concentrate on You’ e ‘Let's Do It (Let's Fall in Love)’ de Cole Porter; ‘Chelsea Bridge’ com Duke Ellington; e com Gershwin rendeu uma versão extra de ‘Oh, Lady Be Good’.

ella fitzgerald - the complete song books cole porter    ella fitzgerald - the complete song books rodgers & hart

The Cole Porter Song Book
CD 1    CD 2

The Rodgers & Hart Song Book
CD 1    CD 2

The Cole Porter Song Book
CD 1: 01. All Through The Night 02. Anything Goes 03. Miss Otis Regrets (She's Unable To Have Lunch Today) 04. Too Darn Hot 05. In The Still Of The Night 06. I Get A Kick Out Of You 07. Do I Love You? 08. Always True To You In My Fashion, (I'm) 09. Let's Do It (Let's Fall In Love) 10. Just One Of Those Things 11. Ev'ry Time We Say Goodbye 12. All Of You 13. Begin The Beguine 14. Get Out Of Town 15. I Am In Love 16. From This Moment On
CD 2: 01. I Love Paris 02. You Do Something To Me 03. Ridin' High 04. Easy To Love 05. It's All Right With Me 06. Why Can't You Behave? 07. What Is This Thing Called Love 08. You're The Top 09. Love For Sale 10. It's De-Lovely 11. Night And Day 12. Ace In The Hole 13. So In Love 14. I've Got You Under My Skin 15. I Concentrate On You 16. Don't Fence Me In 17. You're The Top 18. I Concentrate On You 19. Let's Do It (Let's Fall In Love)

The Rodgers & Hart Song Book
CD 1: 01. Have You Met Miss Jones 02. You Took Advantage Of Me 03. A Ship Without A Sail 04. To Keep My Love Alive 05. Dancing On The Ceiling (He Dances On My Ceiling) 06. Lady Is A Tramp, The 07. With A Song In My Heart 08. Manhattan 09. Johnny One Note 10. I Wish I Were In Love Again 11. Spring Is Here 12. It Never Entered My Mind 13. This Can't Be Love 14. Thou Swell 15. My Romance 16. Where Or When 17. Little Girl Blue
CD 2: 01. Give It Back To The Indians 02. Ten Cents A Dance 03. There's A Small Hotel 04. I Didn't Know What Time It Was 05. Ev'rything I've Got 06. I Could Write A Book 07. Blue Room 08. My Funny Valentine 09. Bewitched 10. Mountain Greenery 11. Wait 'Till You See Her 12. Lover 13. Isn't It Romantic 14. Here In My Arms 15. Blue Moon 16. My Heart Stood Still 17. I've Got Five Dollars 18. Lover (mono)

ella fitzgerald - the complete song books duke ellington    ella fitzgerald - the complete song books irving berlin

The Duke Ellington Song Book
CD 1    CD 2    CD 3

The Irving Berlin Song Book
CD 1    CD 2

The Duke Ellington Song Book
CD 1: 01. Rockin' In Rhythm 02. Drop Me Off In Harlem 03. Day Dream 04. Caravan 05. Take The "A" Train 06. I Ain't Got Nothing But The Blues 07. Clementine 08. I Didn't Know About You 09. I'm Beginning To See The Light 10. Lost In Meditation 11. Perdido 12. Cotton Tail 13. Do Nothin' Till You Hear From Me
CD 2: 01. Just A Sittin' And A Rockin' 02. Solitude 03. Rocks In My Bed 04. Satin Doll 05. Sophisticated Lady 06. Just Squeeze Me 07. It Don't Mean A Thing (If It Ain't Got That Swing) 08. Azure 09. I Let A Song Go Out Of My Heart 10. In A Sentimental Mood 11. Don't Get Around Much Any More 12. Prelude To A Kiss 13. Mood Indigo 14. In A Mellow Tone 15. Love You Madly 16. Lush Life 17. Squatty Roo
CD 3: 01. I'm Just A Lucky So And So 02. All Too Soon 03. Everything But You 04. I Got It Bad (And That Ain't Good) 05. Bli-Blip 06. Chelsea Bridge 07. Portrait Of Ella Fitzgerald: Royal Ancestry (First movement) / All Heart (Second movement) / Beyo... 08. E And D Blues, The (E For Ella, D For Duke) 09. Rehearsal 10. Chelsea Bridge (alternate take)

The Irving Berlin Song Book
CD 1: 01. Let's Face The Music And Dance 02. You're Laughing At Me 03. Let Yourself Go 04. You Can Have Him 05. Russian Lullaby 06. Puttin' On The Ritz 07. Get Thee Behind Me Satan 08. Alexander's Ragtime Band 09. Top Hat, White Tie And Tails 10. How About Me? 11. Cheek To Cheek 12. I Used To Be Color Blind 13. Lazy 14. How Deep Is The Ocean 15. All By Myself 16. Remember
CD 2: 01. Supper Time 02. How's Chances? 03. Heat Wave 04. Isn't This a Lovely Day? 05. You Keep Coming Back Like a Song 06. Reaching for the Moon 07. Slumming on Park Avenue 08. The Song Is Ended 09. I'm Putting All My Eggs in One Basket 10. Now It Can Be Told 11. Always 12. It's a Lovely Day Today 13. Change Partners 14. No Strings (I'm Fancy Free) 15. I've Got My Love to Keep Me Warm 16. Blue Skies

    ella fitzgerald - the complete song books harold arlen

The George & Ira Gershwin Song Book
CD 1    CD 2    CD 3

The Harold Arlen Song Book
CD 1    CD 2

The George & Ira Gershwin Song Book
CD 1: 01. Ambulatory Suite: Promenade (Walking the Dog)/March of the Swiss Soldiers 02. The Preludes: Prelude 1/Prelude 2/Prelude 3 [instrumental] 03. Sam and Delilah 04. But Not for Me 05. My One and Only 06. Let's Call the Whole Thing Off 07. (I've Got) Beginner's Luck 08. Oh, Lady Be Good 09. Nice Work If You Can Get It 10. Things Are Looking Up 11. Just Another Rhumba 12. How Long Has This Been Going On? 13. 'S Wonderful 14. The Man I Love 15. That Certain Feeling 16. By Strauss 17. Someone to Watch over Me 18. The Real American Folk Song (Is a Rag) 19. Who Cares?
CD 2: 01. Looking for a Boy 02. They All Laughed 03. My Cousin in Milwaukee 04. Somebody from Somewhere 05. A Foggy Day 06. Clap Yo' Hands 07. For You, For Me, For Evermore 08. Stiff Upper Lip 09. Boy Wanted 10. Strike up the Band 11. Soon 12. I've Got a Crush on You 13. Bidin' My Time 14. Aren't You Kind of Glad We Did? 15. Of Thee I Sing (Baby) 16. The Half of It, Dearie, Blues 17. I Was Doing All Right 18. He Loves and She Loves
CD 3: 01. Love Is Sweeping the Country 02. Treat Me Rough 03. Our Love Is Here to Stay 04. Slap That Bass 05. Isn't It a Pity? 06. Shall We Dance? 07. Love Walked In 08. You've Got What Gets Me 09. They Can't Take That Away from Me 10. Embraceable You 11. I Can't Be Bothered Now 12. Boy! What Love Has Done to Me! 13. Fascinating Rhythm 14. Funny Face 15. Lorelei 16. Oh, So Nice 17. Let's Kiss and Make Up 18. I Got Rhythm 19. Somebody Loves Me 20. Cheerful Little Earful 21. Oh, Lady Be Good [alternate take/#] 22. But Not for Me [alternate take/#]

The Harold Arlen Song Book
CD 1: 01. Blues in the Night 02. Let's Fall in Love 03. Stormy Weather 04. Between the Devil and the Deep Blue Sea 05. My Shining Hour 06. Hooray for Love 07. This Time the Dream's on Me 08. That Old Black Magic 09. I've Got the World on a String 10. Let's Take a Walk Around the Block 11. Ill Wind (You're Blowin' Me No Good) 12. Ac-Cent-Tchu-Ate the Positive
CD 2: 01. When the Sun Comes Out 02. Come Rain or Come Shine 03. As Long as I Live 04. Happiness Is a Thing Called Joe 05. It's Only a Paper Moon 06. The Man That Got Away 07. One for My Baby (And One More for the Road) 08. It Was Written in the Stars 09. Get Happy 10. I Gotta Right to Sing the Blues 11. Out of This World 12. Over the Rainbow 13. Ding-Dong! The Witch Is Dead 14. Sing My Heart 15. Let's Take a Walk Around the Block [alternate take/#] 16. Sing My Heart [alternate take/#]

ella fitzgerald - the complete song books jerome kern    ella fitzgerald - the complete song books johnny mercer

The Jerome Kern Song Book    |      The Johnny Mercer Song Book

Tracklist: The Jerome Kern Song Book
01. Let's Begin 02. A Fine Romance 03. All the Things You Are 04. I'll Be Hard to Handle 05. You Couldn't Be Cuter 06. She Didn't Say Yes 07. I'm Old Fashioned 08. Remind Me 09. The Way You Look Tonight 10. Yesterdays 11. Can't Help Lovin' Dat Man 12. Why Was I Born? 13. Pick Yourself Up (Extra)

Tracklist: The Johnny Mercer Song Book
01. Too Marvelous for Words 02. Early Autumn 03. Day In - Day Out 04. Laura 05. This Time the Dream's on Me 06. Skylark 07. Single-O 08. Something's Gotta Give 09. Trav'lin' Light 10. Midnight Sun 11. Dream 12. I Remember You 13. When a Woman Loves a Man

ella fitzgerald - ella and louis (1956)    ella fitzgerald - ella and louis again (1957)    ella fitzgerald - ella abraça jobim (1995)

Ella and Louis (1956)    |     Ella and Louis Again (1957)    |     Ella abraça Jobim (1995)

Ella and Louis
Personnel: Ella Fitzgerald (vocals); Louis Armstrong (vocals, trumpet); Ray Brown (bass); Herb Ellis (guitar); Oscar Peterson (piano); Buddy Rich (drums)
Tracklist: 01. Can't We Be Friends? 02. Isn't This A Lovely Day? 03. Moonlight In Vermont 04. They Can't Take That Away From Me 05. Under A Blanket Of Blue 06. Tenderly 07. A Foggy Day 08. Stars Fell On Alabama 09. Cheek To Cheek 10. The Nearness Of You 11. April In Paris

Ella and Louis Again
Personnel: Ella Fitzgerald (vocals); Louis Armstrong (vocals, trumpet); Ray Brown (double bass); Herb Ellis (guitar); Oscar Peterson (piano); Louie Bellson (drums)
Tracklist: 01. Don't Be That Way 02. They All Laughed 03. Autumn In New York 04. Stompin' At The Savoy 05. I Won't Dance 06. Gee, Baby, Ain't I Good To You? 07. Let's Call The Whole Thing Off 08. I've Got My Love To Keep Me Warm 09. I'm Puttin' All My Eggs In One Basket 10. A Fine Romance 11. Love Is Here To Stay 12. Learnin' The Blues

Ella abraça Jobim
01. Dreamer (Vivo Sonhando) 02. This Love That I've Found (Só Tinha de Ser Com Você) 03. The Girl From Ipanema (Garota De Ipanema) 04. Somewhere In The Hills (Favela) 05. Photograph (Fotografia) 06. Wave 07. Triste 08. Quiet Nights Of Quiet Stars (Corcovado) 09. Water To Drink (Água De Beber) 10. Bonita 11. Off Key (Desafinado) 12. He's A Carioca (Ele é Carioca) 13. Dindi 14. How Insensitive (Insensatez) 15. One Note Samba (Samba de uma Nota Só) 16. A Felicidade 17. Useless Landscape (Inútil Paisagem)

ella fitzgerald - gold (2007)

Gold (2007) (Remastered)

Tracklist CD 1
01. A-Tisket, A-Tasket 02. Undecided 03. Stairway To The Stars 04. Betcha Nickel 05. Cow Cow Boogie 06. Into Each Life Some Rain Must Fall 07. It's Only A Paper Moon 08. Flying Home 09. Stone Cold Dead In The Market 10. I'm Just A Lucky So And So 11. My Happiness 12. Black Coffee 13. In The Evening (When The Sun Goes Down) 14. Dream A Little Dream Of Me 15. Someone To Watch Over Me 16. Smooth Sailing 17. Airmail Special 18. Goody Goody 19. Angel Eyes 20. You'll Have To Swing It (Mr. Paganini) (Parts 1 & 2) 21. Lullaby Of Birdland 22. Hard Hearted Hannah

Tracklist CD 2
01. Just One Of Those Things 02. In The Still Of The Night 03. The Lady Is A Tramp 04. Just A-Sittin' And A-Rockin' 05. Take The 'A' Train 06. They All Laughed 07. Summertime 08. Oh, Lady Be Good (Live) 09. Blue Skies 10. Swingin' Shepherd Blues 11. Love Is Here To Stay 12. Mack The Knife (Live) 13. How High The Moon (Live) 14. Misty 15. Blues In The Night 16. A Fine Romance 17. All The Things You Are 18. Too Marvelous For Words

aviso



A Mara* teve que ser internada para uma cirurgia de urgência.
O 'Pintando Música' ficará sem atualizações por um tempo.

Grato,
Carlos


baden powell: músico brasileiro

baden powellNo final do programa, como de costume, o locutor fez as chamadas para a semana seguinte, e qual não foi a surpresa do menino ao ouvir seu nome entre os calouros que iriam se apresentar no próximo domingo. E com um nome como seu, Baden Powell, havia pouca chance que se tratasse de outro. Ele tinha dez anos e a idéia de inscrevê-lo foi do seu professor de violão Meira. O concurso ‘Papel Carbono’ cuja regra, como indicado no nome do programa, era imitar um grande artista e tinha que tocar como se fosse o próprio. Baden transformou-se no grande violonista Dilermando Reis e o público, fascinado ao ouví-lo tocar ‘Magoado’ deu-lhe o primeiro lugar como solista de violão.

A música era uma velha conhecida na família. Seu avô, Vicente Thomaz de Aquino, era um intelectual, fora o primeiro maestro formado no Rio de Janeiro e fundara, ainda no século XIX, uma Orquestra Negra composta de escravos chegando a se apresentar no elitista Teatro Municipal. Thomaz de Aquino era muito próximo de José do Patrocínio, e se envolvera na luta abolicionista, como militante da causa negra alfabetizava-os preparando-os para a libertação. Seu pai, Lilo de Aquino, mais conhecido como Tic, animava os bailes com seu violino em uma fazenda de café na cidade de Varre-Sai, também era chefe de escoteiros na cidade e devotava a maior admiração pelo britânico Baden Powell, fundador do escotismo, a quem homenageou dando o seu nome ao filho; tocava tuba na banda da cidade e era sapateiro, não de consertar calçados, mas de criar modelos.

Baden Powell cresceu em meio à música. Seu pai tocava seu violino na rua, nos bares e nas praças. Havia também as serenatas e as rodas de choro organizadas pelo pai e que Baden ouvia fascinado atrás da porta. Acordava ouvindo o hino francês do relógio materno impregnando-o da cultura que mais tarde adotaria. Quando ganhou um violão, aos oito anos, demonstrou facilidade em tocá-lo e em um ano seu pai havia lhe ensinado o que sabia, portanto chegara a hora de providenciar um verdadeiro professor. E assim, foi contratado Jaime Florence, mais conhecido como Meira que também o iniciou no violão clássico. Passaram-se cinco anos, no final dos quais, Meira avisou que não tinha mais nada que ensinar a Baden Powell. O aluno sabia mais do que o mestre. E Baden se inscreveu na Escola Nacional de Música do Rio de Janeiro, iniciando o aprendizado da teoria musical, da história da música, da harmonia, da composição e aprender o repertório dos grandes mestres.

baden powell, vinicius de moraes, tom jobim em 1950A essa altura, sua mãe não entendia por que ele estava tocando uns ritmos estranhos, uns acordes horríveis. Baden já estava firmando sua personalidade como intérprete, criando os seus harpejos característicos e acordes sofisticados. Ao mesmo tempo, ouvia outros estilos musicais e novos ritmos da moda, importados dos Estados Unidos. Além de corresponder ao seu gosto musical, e ao de sua geração, o jazz, com o bebop, o swing, o fox-trot eram os ritmos preferidos nas festas e bailes onde ele tocava. Nessa fase de adolescência, já se revelavam as diferentes facetas de sua personalidade musical e sua incrível versatilidade: o concertista que tocava Bach na igreja, o chorão que agora comandava as rodas de choro, o guitarrista de jazz dos bailes, o sambista nas batucadas nos morros onde vivia o seu lado malandro. Baden gostava desse ambiente marginal.

Com quinze anos e uma autorização das autoridades, Baden estreou sua vida de músico profissional nos prostíbulos e descobriu um mundo novo, gente da noite. Foi nessa vida da noite que começou a beber e fumar. Na década de 50, a música da moda nas classes média e alta era o jazz um dos estilos musicais que Baden Powell mais prezava. Os músicos que acariciavam os ouvidos da platéia, com seus improvisos jazzísticos, eram, na sua maioria, os mesmos que a partir de 1958 se tornariam os músicos da bossa nova. Um dos lugares mais freqüentados era o Hotel Plaza, um lugar aconchegante, onde as pessoas iam tomar um drinque, conversar e escutar jazz. E onde nasceu o ‘Ed Lincoln Trio’ com Baden Powell no violão. E o local tornou-se um ponto de encontro de futuros grandes músicos como Tom Jobim e João Gilberto já cheio de complicações. Ficava esperando o intervalo, porque não queria entrar na escuridão. Aos dezoito anos, Baden era músico de estúdio, contratado pela Philips, e tocava tanto nos discos de artistas importantes como nos dos estreantes. Em 1959 o diretor artístico resolveu gravar um disco com Baden. O primeiro disco solo ‘Apresentando Baden Powell e seu violão’ ficou pronto com um repertório absolutamente eclético: músicas latino-americanas, clássicos do jazz, músicas brasileiras e ‘Samba Triste’, sua primeira composição.

vinicius de moraes, baden powell em paris 1964A bossa nova já estava bem implantada e não havia horário para ela, de noite ou de dia, sempre havia um lugar aonde ir com um violão. E Baden Powell freqüentava quase todos. Bossa nova que nasceu do dedilhar de músicos formados nas universidades, cultos e informados que conheciam música clássica, o jazz, a chanson française, a american song, e que possuíam suas próprias raízes: o samba, o choro. Exatamente tudo aquilo que o próprio Baden Powell é. Mas, ele nunca pertenceu a nenhum movimento, ele nunca se ajustou a nenhum molde, nunca seguiu nenhuma orientação e, sobretudo, nunca se limitou a um gênero. Na década de 60, continuou a percorrer todos os ritmos, inclusive da bossa nova, mas com um estilo infinitamente pessoal e original. Participou de suas manifestações, dos shows universitários que a implantaram e também tocou em discos rotulados de ‘bossa nova’. Contudo, jamais se sentiu um músico bossa nova, tanto que nunca foi considerado pelos pesquisadores brasileiros, como sendo um dos integrantes da bossa nova. Isso porque a principal característica de Baden Powell é ser Baden Powell, e ponto final.

Em 1961, gravou o segundo disco ‘Um Violão na Madrugada’. Em 1962, conheceu aquele que se tornaria o seu mais importante parceiro e companheiro de farra: Vinicius de Moraes. E nasceu assim uma forte amizade que com seus altos e baixos só a morte de Vinícius interromperia. Dois imensos artistas, profundamente marginais, sem preconceitos, arredios às regras preestabelecidas, aos moldes, às modas. O que mais encantava o diplomata poeta eram as raízes suburbanas de Baden, regadas a samba e choro e moldadas pelos mestres Pixinguinha e Meira, e na malandragem dos morros. E caiu de amores pelo violão cheio de ginga, de negritude, de raízes. A bebida já fazia parte da vida do violonista suburbano, mas no luxuoso e burguês do novo parceiro, descobriu o uísque escocês. Entre uma composição e outra, as garrafas iam se esvaziando, os cinzeiros se enchendo e a noite avançando. Dessas noitadas resultaram pérolas musicais.

baden powellBaden Powell que logo depois visita a Bahia demonstra interesse pelas tradições afro-baianas e é levado às rodas de capoeira onde são interpretados para ele os cânticos e sons dos terreiros de candomblé. Baden fica fascinado pela beleza das harmonias. Ao se reencontrar com Vinicius compõe o samba ‘Berimbau’ e resolvem iniciar uma série de canções sobre a cultura afro-brasileira e assim surge o disco ‘Os Afros Sambas ‘, e uma nova modalidade musical: o afro-samba. Disco antológico onde se misturam instrumentos do candomblé: atabaques, bongô, agogô e afoxé com outros da música tradicional como flauta, violão, sax, bateria e contrabaixo. Ainda em 1966 o seu álbum ‘Tristeza on Guitar’ foi sucesso internacional. Em 1967 foi entusiasticamente aplaudido no concerto ‘Berliner Jazztage’ na Alemanha onde viveu por quatro anos. Em 1970 iniciou sua primeira turnê pela Europa e Japão, mas teve sérios problemas de saúde e em 1983 mudou para Baden-Baden onde viveu em retiro. Em 1988 voltou ao Brasil e gravou o álbum ‘Rio das Valsas’. Morreu em 2000 no Rio de Janeiro. (o livro que recomendo 'O violão vadio de Baden Powell' da escritora e jornalista francesa Dominique Dreyfus foi a minha fonte)

baden powell - apelo


baden powell - os afro-sambas (1966)    baden powell - personalidade (1993)

Os Afro Sambas (1966)    |      Personalidade (1993)

Tracklist: Os Afro Sambas
01. Canto de Ossanha 02. Canto de Xangô 03. Bocoché 04. Canto de Iemanjá 05. Tempo de Amor 06. Canto de Pedra Preta 07. Tristeza e Solidão 08. Lamento de Exú

Tracklist: Personalidade
01. Viagem 02. Das rosas 03. Apelo 04. Chão de estrelas 05. Consolação 06. Carinhoso 07. Garota de Ipanema 08. Eurídice 09. Samba triste 10. Lamento 11. É de lei 12. Tempo feliz 13. A lenda do Abaetê 14. Deixa

baden powell - o universo musical de baden powell (2002)

O Universo Musical de Baden Powell (2003)
CD 1: parte I    parte II
CD 2: parte I    parte II

Tracklist CD 1
01. Berimbau 02. Garota de Ipanema 03. Deve Ser Amor 04. Samba Triste 05. Jesus Alegria dos Homens 06. Folha Morta 07. Formosa 08. Vou Deitar e Rolar 09. Dora 10. Ingênuo 11. Pai 12. Maritima 13. Choro para Metrônomo 14. Mais Ne Rigole Pas

Tracklist CD 2
01. Xangô 02. Samba do Avião 03. A Primeira Vez 04. Eu Vim da Bahia 05. Feitinha pro Poeta 06. Canto de Ossanha 07. Saudades de Marcia 08. Round About Midnight 09. Asa Branca 10. Samba em Prelúdio 11. Samba do Pintinho 12. Coisa Nº 1 13. Discussão 14. Amélia 15. Samba da Bênção

best jazz 100


benny goodman - moonglow


best jazz 100

Best Jazz 100 (2006)
CD 1    CD 2    CD 3    CD 4    CD 5    CD 6

Tracklist CD 1: Classic Jazz Vocals
01. I Left My Heart In San Francisco – Julie London
02. Something Cool – June Christy
03. My Funny Valentine – Chet Baker
04. Misty Blue – Ella Fitzgerald
05. Darn That Dream – Nancy Wilson
06. Autumn In New York – Jo Stafford
07. April In Paris – Dinah Shore
08. Do Nothing Till You Here From Me – Abbey Lincoln
09. Day In – Day Out – Mark Murphy
10. It Had To Be You – Dinah Shore
11. Angel Eyes – Jack Jones
12. The Man I Love – Carmen McRae
13. It Don’t Mean A Thing – Annie Ross
14. Here’s That Rainy Day – Sue Raney
15. Stars Fell On Alabama – Jack Teagarden
16. Blue Moon – Billie Holiday
17. A Foggy Day – Dakota Staton
18. Exactly Like You – Dianne Reeves
19. I Ain’t Got Nothin’ But The Blues – Lou Rawls
20. Something To Live For – Lena Horne

Tracklist CD 2: Swing Classics In Hi-fi
01. For Dancers Only – Billy May And His Orchestra
02. Stompin’ At The Savoy – Benny Goodman & His Orchestra
03. Leap Frog – Les Brown And His Orchestra
04. Satin Doll – Duke Ellington And His Orchestra
05. Let’s Dance – Benny Goodman And His Orchestra
06. T’Ain’t What You Do – Billy May And His Orchestra
07. Opus No. 1 – Glen Grey And The Casa Loma Orchestra
08. Intermission Riff – Stan Kenton And His Orchestra
09. Sleep – Woody Herman And His Orchestra
10. Jumpin’ At The Woodside – Benny Goodman & His Orchestra
11. Harlem Air Shaft – Duke Ellington And His Orchestra
12. I’m Beginning To See The Light – Harry James And His Orchestra
13. A Good Man Is Hard To Find – Les Brown And His Orchestra
14. Annie Laurie – Billy May And His Orchestra
15. The Peanut Vendor – Stan Kenton And His Orchestra
16. Come And Get It – Glen Gray And The Casa Loma Orchestra
17. Margie – Billy May And His Orchestra
18. I’ve Got My Love To Keep Me – Les Brown And His Orchestra
19. Apollo Jumps – Glen Gray And The Casa Loma Orchestra
20. Sing, Sing Sing - Benny Goodman And His Orchestra

Tracklist CD 3: Latin Jazz
01. Machito – Stan Kenton And His Orchestra
02. Jahberu – Tadd Dameron
03.T in Tin Deo – James Moody & Chano Pozo
04. Basheer’s Dream – Kenny Dorham
05. Congalegra – Horace Parlan
06. Mambo Inn – Grant Green
07. Paco – Gerald Wilson
08. Agua Dulce – The Jazz Crusaders
09. Favela – Clare Fischer (3:46)
10. I’m On My Way – Candido
11. Oye Como Va – Bobby Hutcherson
12. Caravan - Chucho Valdes
13. Contagio – Gonzalo Rubalcaba
14. Dance Of Denial – Ray Barretto
15. The Time Is Now – Eliane Elias

Tracklist CD 4: Relaxing Jazz
01. At Last – Lou Rawls & Dianne Reeves
02. Makin’ Whoopee – The Three Sounds
03. Namely You – Sonny Rollins
04. Time After Time – Cassandra Wilson
05. Infant Eyes – Wayne Shorter
06. In The Winelight – Kurt Elling (6:44)
07. Cantaloupe Island – Herbie Hancock
08. More Than This – Charlie Hunter & Norah Jones
09. Beatrice – Joe Henderson
10. Lazy Afternoon – Jackie Allen
11. I’ve Got The World On A String – Joe Lovano
12. Make It Go Away - Holly Cole
13. Déjà Vu – Stefon Harris & Jacky Terrasson
14. Don’t Worry Be Happy – Bobby McFerrin

Tracklist CD 5: Jazz Ballads
01. Someone To Watch Over Me – Coleman Hawkins
02. Easy Living – Clifford Brown
03. It Never Entered My Mind – Miles Davis
04. Violets For Your Furs – Jutta Hipp & Zoot Sims
05. Moonglow – Benny Goodman
06. Like Someone In Love – George Shearing
07. Stairway To The Stars – Bill Evans & Jim Hall
08. Dancing In The Dark – Cannonball Adderley
09. I’m A Fool To Want You – Dexter Gordon
10. Yesterdays – Stan Kenton and his Orchestra
11. The Good Life – Hank Mobley
12. God Bless The Child – Stanley Turrentine
13. Nature Boy - Ike Quebec
14. Spring Can Really Hang You Up The Most – Zoot Sims
15. Laura – Joe Lovano

Tracklist CD 6: Legends of Jazz
01. Boogie Woogie Stomp – Albert Ammons
02. Summertime – Sidney Bechet
03. Chicago Flyer – Meade Lux Lewis
04. Profoundly Blue – Edmond Hall’s Celeste Quartet
05. Topsy – Ike Quebec
06. Blues For Clarinets – Jimmy Hamilton & The Duke’s Men
07. Lop-Pow – Babs Gonzales’ Three Bips And a Bop
08. Our Delight – Tedd Dameron
09. Boperation – Howard McGhee & Fats Navarro
10. ‘Round Midnight – Thelonious Monk
11. Bouncing With Bud – Bud Powell
12. Born To Be Blue – Wynton Kelly
13. Bags’ Groove – Milt Jackson
14. Safari – Horace Silver
15. Carvin’ The Rock – Lou Donaldson & Clifford Brown
16. Lady Sings The Blues – Herbie Nichols

newport folk festival

newport folk festivalO ‘Newport Folk Festival’ é um festival anual de música que começou em 1959 na cidade Newport em Rhode Island. Apoiado pelo conselho composto pelos cantores folk Theodore Bikel e Pete Seeger, pelo cantor de músicas patrióticas Oscar Brand e pelo gestor de música folclórica Albert Grossman, famoso depois como gerente de Bob Dylan, o festival foi fundado por George Wein, pianista, promotor e produtor de jazz, que tem sido chamado de ‘o empresário mais famoso do jazz’ por ter fundado o ‘Newport Jazz Festival’ que é, provavelmente, o mais conhecido festival de jazz dos Estados Unidos. O ‘Newport Folk Festival’ se baseia em música popular em um sentido amplo e livre. Na década de 60 houve as apresentações famosas de Johnny Cash e Howli’n Wolf, descritos, respectivamente, como representantes da música country e do blues. Na mesma década, o festival também foi associado ao movimento denominado Revival Blues, onde os artistas 'esquecidos' desde 1940, como por exemplo os cantores do delta blues, foram ‘redescobertos’.

É também conhecido por introduzir uma série de artistas que se tornaram grandes estrelas, principalmente Joan Baez, que apareceu como convidada surpresa em 1959, de um dos primeiros cantores do renascimento da música folk dos anos 50, Bob Gibson; e Bob Dylan, cuja primeira aparição no festival foi como convidado de Joan Baez, em 1963. Foi a estréia nacional de Bob Dylan e depois considerado o artista mais associado ao festival. Dylan se tornou popular em 1963 e 1964, mas em 1965 foi vaiado por cantar com o apoio de Mike Bloomfield na guitarra e a banda ‘The Paul Butterfield Blues Band’. A razão, dizem, para a recepção hostil foi o abandono de Dylan de suas raízes ou a má qualidade do som na noite, ou a combinação dos dois fatos. Este incidente marcou a mudança na carreira de Dylan do folk para o rock, e teve implicações para ambos os estilos de música. O ‘Newport Folk Festival’ passou por tempos difíceis e até mesmo fechando as suas portas em 1971, mas foi revivido em 1985, e desde então se tornou um dos festivais de folclore mais importante da música nos Estados Unidos. É apresentado sem interrupção desde então, embora de uma forma diferente de seu auge dos anos 60, o evento foi de ‘sem fins lucrativos’ para ‘fins lucrativos’ e a multidão caiu consideravelmente sendo alguns shows cancelados. Além disso, o festival contou com a ajuda de grandes patrocinadores.

George Wein & Pete Seeger, Newport Folk Festival 2009

newport folk festival - George Wein & Pete Seeger 2009

O álbum ‘Newport Folk Festival - Best of the Blues 1959-68’ conta com apresentações ao vivo de muitos dos melhores músicos do blues que se apresentaram na época. De Skip James para Mance Lipscomb à Memphis Slim, estes músicos já tocavam o blues acústico muito antes de uma audiência maciça como no festival. No primeiro disco, a voz ressonante de Mississippi John Hurt com seis músicas é destaque em ‘Sliding Delta’, ‘Candy Man’ e ‘Pallet on Your Floor’. Muddy Waters apresenta versões acústicas de ‘Walkin' Blues’ e ‘I Can't Be Satisfied’ que nos leva a uma comparação interessante com o seu trabalho elétrico. No disco dois, Gary Davis, cantor de blues, gospel, guitarrista, que também tocava banjo e gaita, e que mais tarde tornou-se reverendo da Igreja Batista. O guitarrista Brownie McGhee e o gaitista Sonny Terry oferecem uma apresentação vibrante, incluindo uma versão inédita de ‘Drink Muddy Water’. Em 'Key to the Highway’ os dois provam que a tristeza pode ser por vezes alegre. Sim, no blues isso é possível. No disco três, Lightnin’ Hopkins, sempre descontraído e intemporal em seu desempenho principalmente em ‘Baby Please Don't Go’, tal como John Lee Hooker. Muitos deles como Son House haviam sido resgatados da obscuridade graças ao Revival Blues, assim o valor histórico deste festival não é exagerado. Com quase três horas de música e um público ao vivo, é também o melhor que aconteceu na cidade de Newport durante estes anos. Além dos três discos serem altamente recomendados para aqueles que têm interesse em blues acústico.

brownie mcghee & sonny terry - key to the highway


newport folk festival 1959-68


Newport Folk Festival: Best of the Blues 1959-68
CD 1    CD 2    CD 3

CD 1: Delta Blues
01. Mississippi John Hurt - Sliding Delta
02. Mississippi John Hurt - Candy Man
03. Mississippi John Hurt - Coffee Blues
04. Mississippi John Hurt - Stagolee
05. Mississippi John Hurt - Here I Am Lord Send Me
06. Mississippi John Hurt - Pallet on Your Floor
07. Skip James - Devil Got My Woman
08. Skip James - Hard Time Killing Floor Blues
09. Son House - Preaching Blues
10. Son House - Death Letter Blues
11. Son House - Empire State Express
12. Son House - Son Blues
13. Bukka White - Aberdeen Mississippi Blues
14. Mississippi Fred McDowell - Louise
15. Mississippi Fred McDowell - If the River Was Whiskey
16. Muddy Waters - Walkin' Blues
17. Muddy Waters - I Can't Be Satisfied

CD 2: Country Blues
01. Robert Pete Williams - Levee Camp Blues
02. Robert Pete Williams - Midnight Boogie
03. Robert Pete Williams - On My Way from Texas
04. Mance Lipscomb - Freddie
05. Mance Lipscomb - So Different Blues
06. Mance Lipscomb - God Moves on the Water (The Sinking of the Titantic)
07. Jesse Fuller - San Francisco Bay Blues
08. Jesse Fuller - I Double Double Do Love You
09. Rev. Gary Davis - Samson and Delilah
10. Rev. Gary Davis - I Won't Be Back No More
11. Brownie McGhee & Sonny Terry - Intro/The Train Is Leaving
12. Brownie McGhee & Sonny Terry - Drink Muddy Water [#]
13. Brownie McGhee & Sonny Terry - Long Gone
14. Brownie McGhee & Sonny Terry - Key to the Highway
15. Brownie McGhee & Sonny Terry - My Baby Done Changed the Lock on the Door
16. Sleepy John Estes - Clean up at Home

CD 3: Urban Blues
01. Lightnin' Hopkins - The Woman I'm Loving, She's Taken My Appetite
02. Lightnin' Hopkins - Baby Please Don't Go
03. Lightnin' Hopkins & Samuel Lay- Shake That Thing
04. John Lee Hooker & Bill Lee - Tupelo
05. John Lee Hooker & Bill Lee - Bus Station Blues
06. John Lee Hooker - Let's Make It
07. John Lee Hooker - Great Fire of Natchez
08. John Lee Hooker - Boom Boom
09. John Lee Hooker - I Can't Quit You Baby/Stop Now Baby
10. Memphis Slim - How Long
11. Memphis Slim - Black Cat Crossed My Path
12. Memphis Slim - Harlem Bound
13. Memphis Slim - Piano Instrumental
14. Muddy Waters & Otis Spann - Blow Wind Blow
15. Muddy Waters & Otis Spann - Flood
16. The Chambers Brothers - See See Rider
17. Paul Butterfield Blues Band - Blues With a Feeling
18. Paul Butterfield Blues Band - Born in Chicago

mercyful fate

Mercyful FateO nascimento do thrash metal pode ser identificado em três bandas específicas: ‘Motörhead’, ‘Venom’ e ‘Mercyful Fate’, com os dois últimos criando o gênero black metal. ‘Mercyful Fate’ foi formada em 1980 em Copenhagen, na Dinamarca, pelo vocalista King Diamond, os guitarristas Hank Shermann e Michael Denner, o baixista Timi Hansen e o baterista Kim Ruzz. Antes de receber este nome a banda chamou-se ‘Brats’ e ‘Danger Zone’. Liderados pelo acrobata vocal King Diamond e as harmonias desenhadas pelas guitarras gêmeas de Shermann e Denner causaram um grande alvoroço no underground musical, chamando as atenções dos críticos e dos fãs do gênero. E a banda foi cultuada na década de 80 graças às suas letras dramáticas, mostrando temas sombrios e satânicos. As músicas são caracterizadas por estruturas complexas, virtuose nas guitarras e falsetes altíssimos executados pelo vocalista King Diamond que adotou um visual igualmente assustador, pintando seu rosto com uma máscara macabra, inspirada no cantor Alice Cooper.

‘Mercyful Fate’ o álbum de estréia gravado em 1982, e ‘Melissa’ de 1983, nome de uma caveira usada pela banda nos shows e roubada por um fã durante uma turnê que passava por Amsterdam, seguiram as obsessões sombrias do ‘Black Sabbath’ pelo ocultismo e os hiffs das guitarras as bandas britânicas como Judas Priest e Iron Maiden. Mas a banda tinha um som distinto graças aos guitarristas Hank Shermann e Michael Denner e o vocal imprevisível de King Diamond, que poderia saltar de um grunhido a um falsete ou a um gemido sobrenatural. A banda ainda estava se encontrando, e algumas das músicas serpenteavam por seções instrumentais, mas os componentes básicos do som de ‘Mercyful Fate’ era o metal gótico que já dominava as bandas européias. Todo o potencial da banda está em ‘Don't Break the Oath’ álbum de 1984. Hank Shermann e Michael Denner mantiveram as suas tendências de rock progressivo, que reina em abundância, enquanto King Diamond usa o seu alcance vocal com grande efeito teatral.

mercyfull fate - King DiamondForam gravados mais dois álbuns antes da banda se separar devido a diferenças de opinião sobre que direção o grupo deveria tomar, Hank Shermann queria uma abordagem mais comercial. King Diamond decidiu seguir carreira solo. Em 1993, o grupo voltou a sua formação original, com exceção do Kim Ruzz que foi substituído pelo baterista Snowy Shaw. Os resultados iniciais foram muito bem sucedidos, para o deleite de seus fãs. Foram lançados ‘In the Shadows’ e ‘The Bell Witch’, um pequeno EP promocional lançado para anunciar a volta da banda. Possui duas faixas do ‘In the Shadows’, uma das quais é baseada na lenda americana da bruxa de Bell, um horripilante episódio ocorrido no início do século XIX e vivenciado por uma família de agricultores do Tennessee (EUA). Durante quatro anos, John Bell, sua esposa e seus filhos foram atormentados por um espírito maligno, que ficou conhecido como ‘A Bruxa de Bell’.

Assim como seu antecessor ‘In the Shadows’ de 1993, ‘Time’ de 1994 é o melhor desde o início dos anos 80. Como sempre, o vocalista King Diamond lidera a banda com seu vocal bizarro que definiu o som do grupo. Muitas vezes ofuscado pela sua teatralidade, o guitarrista Hank Sherman, o agora baixista Sharlee D'Angelo, e o recém-chegado Snowy Shaw na bateria fazem o seu trabalho habitual com riffs cortantes. ‘Time’ provou que ‘Mercyful Fate’ estava de volta com a mesma enorme reputação dos anos 80 do metal underground. ‘The Best of Mercyful Fate’ é uma coletânea tanto para quem quer conhecer os pioneiros do black metal como para quem já conhece e não tem nada da banda. Mas, como nada é perfeito, a falta da música ‘Melissa’, a minha favorita, foi sentida, mas a evolução da banda é visível no álbum, assim como a competência e a criatividade dos guitarristas e o amadurecimento do vocalista King Diamond. ‘Come to the Sabbath’ composta por Diamond é o maior clássico da banda dinamarquesa e considerada pelos puritanos como uma das mais ofensivas da história do metal.

mercyful fate - melissa


mercyful fate - melissa (1983)    mercyful fate - don't break the oath (1984)

Melissa (1983)     |     Don't Break the Oath (1984)

Tracklist: Melissa
01. Evil 02. Curse Of The Pharoah 03. Into The Coven 04. At The Sound Of The Demon Bell 05. Black Funeral 06. Satan’s Fall 07. Melissa 08. Black Masses

Tracklist: Don't Break the Oath
01. A Dangerous Meeting 02. Nightmare 03. Desecration of Souls 04. Night of the Unborn 05. The Oath 06. Gypsy 07. Welcome Princes of Hell 08. To One Far Away 09. Come to the Sabbath 10. Death Kiss - Demo (Bonus Track)

mercyful fate - in the shadows (1993)    mercyful fate - the bell witch (1994)

In the Shadows (1993)     |     The Bell Witch (1994)

Tracklist: In the Shadows
01. Egypt 02. The Bell Witch 03. The Old Oak 04. Shadows 05. A Gruesome Time 06. Thirteen Invitations 07. Room of Golden Air 08. Legend of the Headless Rider 09. Is that You, Melissa 10. Return of the Vampire...1993 (Bonus)

Tracklist: The Bell Witch
01. The Bell Witch 02. Is That You, Melissa 03. Curse Of The Pharaohs (Live) 04. Egypt (Live) 05. Come To The Sabbath (Live) 06. Black Funeral (Live)

mercyful fate - time (1994)    mercyful fate - the best of (2007)

Time (1994)     |    The Best of (2007)

Tracklist: Time
01. Nightmare Be Thy Name 02. Angel Of Light 03. Witches' Dance 04. The Mad Arab 05. My Demon 06. Time 07. The Preacher 08. Lady In Black 09. Mirror 10. The Afterlife 11. Castillo Del Mortes

Tracklist: The Best of Mercyful Fate
01. Doomed by the Living Dead 02. A Corpse Without Soul 03. Nuns Have No Fun 04. Evil 05. Curse of the Pharaohs 06. Into the Coven 07. Black Funeral 08. Satan's Fall 09. A Dangerous Meeting 10. Desecration of Souls 11. Gypsy 12. Come to the Sabbath 13. Burning the Cross 14. Return of the Vampire

t-bone walker

t-bone walkerT-Bone Walker é sem dúvida aquele que lançou as bases para o que é conhecido como o moderno blues urbano. Ele foi a ponte entre o jazz e o blues e criou um estilo que influenciou todo guitarrista desde então. BB King afirmou que T-Bone Walker foi sua principal influência. Seus riffs também ecoaram em Freddie King, Chuck Berry e Jimmy Rogers. T-Bone foi o pioneiro da guitarra elétrica e a popularizou levando-a ao jazz, ao swing, ao doo-wop, um estilo vocal baseado no rhythm and blues, e foi também de grande importância na construção do soul e do rock’n’roll. T-Bone Walker mudou o mundo do blues e deixou uma marca indelével em muitos gêneros de música moderna. T-Bone foi um músico que escreveu suas próprias partituras, um dos seus maiores clássicos foi surrupiado por Jimmy Rogers que colocou uma letra diferente em ‘Why Not!’ e a renomeou como ‘Walkin 'By Myself’. Grande parte de sua gravação foi feita entre 1946 e 1954, incluindo a sua canção mais conhecida, ‘Call It Stormy Monday’ descoberta por quase todos os músicos de jazz e de blues, assim como por quase todas as bandas de rock dos anos 70. Nenhuma quantidade de elogios pode transmitir plenamente a importância monumental do que T-Bone Walker deu ao blues e a sua influência em muitos guitarristas.

Em algumas de suas fotos percebe-se em quem Elvis, Chuck Berry e outros, se inspiraram nos movimentos. T-Bone Walker era um artista completo, igualmente hábil em tocar a sua guitarra como em cantar e dançar. Muitas vezes imitado, mas jamais repetido, T-Bone Walker foi verdadeiramente a fonte original. Nem tão pouco foi Hendrix que inventou a teatralidade no modo de tocar a guitarra, T-Bone Walker tocava a guitarra de uma maneira muito especial e com muito elegância.



Thibeaux Aaron Walker nasceu no Texas rural em 1910. Foi levado para Dallas pela mãe quando ainda era um bebê, em um momento em que a América negra ainda era basicamente rural, mas rapidamente se tornando urbana. Ele era um menino da cidade. Da sua mãe herdou o desejo de viajar e o amor pela música. No primeiro ano da escola ele fugiu para se juntar a trupe da cantora Ida Cox, que estava em visita ao Estado até que as autoridades finalmente o capturaram. Ainda menino era visto cantando no coral da Igreja e acompanhando pelas ruas de Dallas, para tocar de bar em bar, o lendário bluesman Blind Lemon Jefferson, que era cego, e que mais tarde iria influenciar as gravações de T-Bone que também foi particularmente influenciado por registros de Lonnie Johnson, Leroy Carr e Blackwell Scrapper, de Indianápolis. Seu padrasto, Marco Washington, acariciava o rabecão no ‘Dallas String Band’ e T-Bone seguiu o exemplo aprendendo qualquer instrumento de cordas que ele pudesse colocar em suas mãos talentosas. Com doze anos ganhou um banjo de sua mãe, no entanto, estava decidido a comprar uma guitarra, e o fez logo. Aos dezesseis anos ele se juntou a uma banda tocando banjo em vez da guitarra, para que pudesse ser ouvido em seus arranjos.

A grande oportunidade veio em 1929 quando ganhou um show amador, e o prêmio era se apresentar por uma semana com a banda de Cab Calloway, famoso cantor norte-americano de jazz, onde tocou o banjo que acabou por conduzi-lo, um ano depois, à ‘Columbia Records’, onde gravou ‘Witchita Falls’ e ‘Trinity River Blues’ com o nome de Oak Cliff T-Bone. Trabalhou nas ruas com Charlie Christian, outro guitarrista, também importante e influente. Enquanto um tocava o outro sapateava. Charlie Christian mais tarde subiu ao estrelato como solista da orquestra de Benny Goodman e com seus riffs iria transformar totalmente o papel da guitarra no jazz, enquanto T-Bone Walker faria o mesmo no blues. Em seguida, T-Bone se juntou a artistas brancos e teve problemas em Oklahoma City, aconselhado a se calar foi para Kansas City onde foi hospitalizado, ele sofria de úlcera e o hábito de beber contribuiu para agravar o problema. O dinheiro estava escasso, e partiu para Los Angeles com apenas um dólar, onde se juntou, como dançarino, ao saxofonista e bandleader Big Jim Wynn, tornando-se mais tarde apresentador, cantor e guitarrista. O sucesso com o público foi imediato.

t-bone walker

Logo depois, foi convidado a participar como vocalista da orquestra do saxofonista de jazz Les Hite. Nos bastidores, ele já dominava a guitarra elétrica, embora ele fosse ainda apenas um cantor. Em 1945, ao voltar para Los Angeles, se tornou um fenômeno de entretenimento durante os anos de guerra, primeiro em Los Angeles e, em seguida, em Chicago. Foi também o responsável pelo nascimento do selo ‘Rhumboogie’ onde fez algumas gravações promocionais para explorar o tremendo impacto que estava fazendo na cidade. Mais tarde voltou para Los Angeles e assinou um contrato com a ‘Comet Records’ para gravar para o seu rótulo ‘Black & White Records’. T-Bone foi supervisionado por Ralph Bass, um influente produtor de discos e caçador de talentos que havia trabalhado com as bandas de Dizzy Gillespie, Wardell Gray e Dexter Gordon e foi um grande fã de Walker. Com hits clássicos como ‘T-Bone Shuffle’ e ‘Call It Stormy Monday’, T-Bone estabeleceu sua reputação como o pai do blues elétrico, e seus hits foram tocados em programas de rádio em todo o país e os shows ficaram maiores e mais lucrativos. Infelizmente, seus problemas de saúde surgiram novamente, foi hospitalizado novamente e teve que remover grande parte de seu estômago.

T-Bone Walker, Dizzy Gillespie e James Moody

T-Bone Walker acompanhado de Dizzy Gillespie e James Moody

T-Bone mudou para a ‘Imperial Records’. Suas composições, e o modo de cantar e tocar ficaram intactas, mas os gostos musicais foram mudando rapidamente. Seu blues estava começando a soar antiquado devido ao ‘jump blues’, desempenhado por pequenos grupos e apresentando metais e que se tornou popular e foi chamado de rock’n’roll na década de 50, e até mesmo devido ao blues gravado por artistas da ‘Chess Records’. Ainda assim, seus discos vendiam bem. Nos anos 50, ele mudou para a ‘Atlantic Records’ onde gravou grandes discos, mas não venderam bem. O blues estava fora de moda, com a ascensão do rock’n’roll e do soul. No início dos anos sessenta, no entanto, uma mudança estava acontecendo. Ele conseguiu cantar na banda do pianista e bandleader de jazz Count Basie, mas Walker não se sentia confortável. Por esta altura, a Europa e a América branca estavam descobrindo o blues dos negros norte-americanos que foram deixados para trás. Devido a isso, dois promotores alemães prepararam um pacote de turismo com T-Bone Walker, Memphis Slim, Willie Dixon, Jump Jackson, John Lee Hooker, Shakey Jake, Brownie McGhee e Sonny Terry.

Eles tocaram na Europa Ocidental para uma multidão entusiasmada. Enquanto estavam em Hamburgo, eles gravaram ‘The Original American Folk Blues Festival’, possivelmente o maior registro de blues de todos os tempos. Além de cantar e tocar guitarra, Walker tocou piano acompanhando John Lee Hooker, mas não foi nenhuma realização pequena. Desde cedo as apresentações de Walker foram, principalmente, em grupo, isso não deveria ser surpreendente. Entretanto, o que surpreende é a facilidade com que ele poderia ser tanto o centro das atenções ou no papel de apoio. Isso é evidente neste álbum. Ele cantando em um par de faixas e tocando guitarra em algumas outras, como de costume. Mas o que impressiona é a sua maneira de tocar piano para John Lee Hooker e a sua capacidade de deixar Hooker assumir a liderança e ele tocar como apoio. A partir daí, T-Bone tornou-se uma presença regular em festivais de blues, especialmente na Europa e encontrou a vida noturna de Paris e achou demais para resistir. E gravou várias vezes para selos franceses com Memphis Slim. Então, quando a 'Polydor' quis gravar, ele não mais se preocupava com o lado comercial e gravou ‘Good Feelin'. Em 1972, de volta a Los Angeles descobriu que tinha recebido um Grammy por esse álbum.

t-bone walkerEle e o saxofonista Eddie ‘Cleanhead’ Vinson sofreram um acidente de carro. Walker ficou internado no hospital por vários meses, e enquanto ele estava se recuperando, a sua banda tinha sido dissolvida e o dinheiro desaparecido. A sua música ‘Call It Stormy Monday’ gravada por ‘The Allman Brothers’ estava sendo tocada por todo o país, e T-Bone estava ansioso para voltar a tocar, além de seu desejo de viajar sempre. E assim, ele caiu na estrada novamente. Ele parecia estar de volta, mas sofreu um derrame na noite de Ano Novo de 1974 e teve que ser colocado em um lar para idosos. Faleceu em 1975, e o blues não foi o mesmo desde então. T-Bone Walker foi uma grande influência em muitos, senão em todos. Ele foi o primeiro a gravar blues elétrico, mas, além disso, ele era um cantor magistral e guitarrista que escreveu alguns clássicos do blues, e mudou o curso da música. E nunca haverá outro como ele.

t-bone walker - goin' to chicago



No início da década de 60, a carreira de T-Bone Walker começou a decrescer, apesar de sua apresentação no ‘American Folk Blues Festival’ em 1962 com Memphis Slim, entre outros. Portanto, ‘T-Bone Blues’ é o último disco realmente indispensável da carreira do guitarrista. Originalmente lançado pela ‘Atlantic Records’ em 1959 com 11 faixas gravadas entre 1955 e 1957, o relançamento em CD em 1994 adicionou quatro faixas bônus, incluindo ‘Why Not’, que Jimmy Rogers, mais tarde, registrou como ‘Walkin' by Myself’ e creditou a si mesmo, e uma interpretação comovente de 'How Long Blues’ do cantor, compositor e pianista Leroy Carr. O som é simplesmente magnífico, tão nítido que parece que T-Bone está sentado do nosso lado. E é apoiado por Junior Wells na gaita, Jimmy Rogers na guitarra, Ransom Knowling no baixo, o lendário arranjador e pianista Lloyd Glenn e pelos saxofonistas Mack Easton, Goon Gardner, Plas Johnson e Eddie Chamblee. E T-Bone está soberbo em todo álbum, basta ouvir os seus solos inspiradíssimos em ‘Blues For Marili’, ‘Mean Old World’, na clássica ‘T-Bone Blues’, e na versão definitiva para ‘Papa Ain’t Salty’. E é uma delícia ouvi-lo em ‘Play On, Little Girl’, gravação de 1955, acompanhado pelo gaitista Little Walter, e também em ‘T-Bone Blues Special’. Há também uma série de instrumentais surpreendentes. Duelos de T-Bone Walker com o seu sobrinho guitarrista R.S. Rankin e com o estimado guitarrista de jazz Barney Kessel na ‘Two Bones And A Pick’. Os destaques são muitos. Realmente, ‘T-Bone Blues’ é um álbum gratificante. Um complemento essencial para qualquer coleção de blues elétrico.

T-Bone Blues (1959)
T-Bone Blues (1959)

Tracklist
01. Papa Aint Salty 02. Why Not 03. T-Bone Shuffle 04. Play On Little Girl 05. T-Bone Blues Special 06. Mean Old World 07. T-Bone Blues 08. Call It Stormy Monday 09. Blues For Marili 10. Shufflin' The Blues 11. Evenin' 12. Two Bones And A Pick 13. You Don't Know What You're Doing 14. How Long Blues 15. Blues Rock

T-Bone Walker ajudou a definir a implantação da guitarra elétrica na era moderna de gravação, e é como um guitarrista de blues que, geralmente lembramos dele. Mas a sua voz suave, era tão elegante quanto o som de sua guitarra, como estas faixas mostram claramente. Os destaques deste álbum, cujo titulo já diz a que veio, são ‘Mean Old World’, a imortal ‘Call It Stormy Monday’ de 1947, ‘Blue Mood’, ‘Love Is Just a Gamble’ e ‘Railroad Station Blues’ de 1952. Na junção de blues, jazz e R&B, T-Bone Walker trouxe muito para todos esses gêneros, e com ‘Stormy Monday’, deu ao mundo um clássico.

Proper Introduction to T-Bone Walker: Everytime (2004)
Everytime (2004)
(Proper Introduction to T-Bone Walker)

Tracklist
01. Mean Old World 02. I'm Still in Love With You 03. Bobby Sox Blues 04. I'm Gonna Find My Baby 05. I Know Your Wig Is Gone 06. T-Bone Jumps Again 07. Call It Stormy Monday (But Tuesday Is Just as Bad) 08. Midnight Blues 09. Long Skirt Baby Blues 10. I'm Waiting for Your Call 11. Hypin' Woman Blues 12. Description Blues 13. T-Bone Shuffle 14. Go Back to the One You Love 15. You're My Best Poker Hand 16. West Side Baby 17. Glamour Girl 18. Blue Mood 19. Everytime 20. Party Girl 21. Love Is Just a Gamble 22. High Society 23. Got No Use for You 24. Railroad Station Blues 25. Bye, Bye Baby 26. Pony Tail

Três CDs com 75 faixas gravadas para a ‘Capitol Records’, gravadora norte-americana fundada em 1942 e para ‘Black & White Records’, gravadora de Los Angeles, Califórnia, ativa na gravação de blues e country durante os anos 40 e 50 com uma contribuição significativa para o R&B graças aos esforços do produtor Ralph Bass. Foi adquirida depois pela ‘Capitol Records’. Estas sessões, que incluem a versão original de sua mais famosa canção ‘Call It Stormy Monday’, podem ser consideradas demasiado extensas para alguns devido a abundância de takes alternativos que são colocadas logo após as versões oficiais, mas é uma perspectiva histórica, esta é talvez a fase mais importante da evolução de T-Bone Walker. Foi aqui onde aperfeiçoou seu estilo na guitarra elétrica, tornando-se uma importante influência sobre todos os guitarristas que vieram depois. Foi também aqui que ele atuou como um dos guitarristas-chave na transição do jazz e do blues para o R&B.

t-bone walker - the complete capitol (1995)
The Complete Capitol and Black & White Recordings (1995)
CD 1    CD 2    CD 3

Tracklist: CD 1
01. T-Bone Blues 02. I Got a Break Baby 03. Mean Old World 04. No Worry Blues [Alternate Take] 05. No Worry Blues 06. Don't Leave Me Baby [Alternate Take] 07. Don't Leave Me Baby 08. Bobby Sox Baby [Alternate Take] 09. Bobby Sox Baby 10. I'm Gonna Find My Baby 11. I'm In An Awful Mood 12. It's a Lowdown Dirty Deal 13. Don't Give Me the Runaround 14. Hard Pain Blues 15. I Know Your Wig Is Gone 16. T-Bone Jumps Again 17. Call It Stormy Monday [Alternate Take] 18. Call It Stormy Monday 19. She Had to Let Me Down [Alternate Take] 20. She Had to Let Me Down 21. She's My Old Time Used to Be 22. Dream Girl Blues [Alternate Take] 23. Dream Girl Blues 24. Midnight Blues [Alternate Take] 25. Midnight Blues

Tracklist: CD 2
01. Long Lost Lover Blues [Alternate Take] 02. Long Lost Lover Blues 03. Trifflin' Woman Blues [Alternate Take] 04. Trifflin' Woman Blues 05. Long Skirt Baby Blues [Alternate Take] 06. Long Skirt Baby Blues 07. Goodbye Blues 08. Too Much Trouble Blues [Alternate Take] 09. Too Much Trouble Blues 10. I'm Waiting for Your Call 11. Hypin' Woman Blues [Alternate Take] 12. Hypin' Woman Blues 13. So Blue Blues 14. On Your Way Blues 15. Natural Blues 16. That's Better for Me 17. First Love Blues [Alternate Take] 18. First Love Blues 19. Lonesome Woman Blues [Alternate #1] 20. Lonesome Woman Blues [Alternate #2] 21. Lonesome Woman Blues 22. Vacation Blues 23. Inspiration Blues [Alternate Take] 24. Inspiration Blues 25. Description Blues [Alternate Take]

Tracklist: CD 3
01. Description Blues 02. T-Bone Shuffle [Alternate Take] 03. T-Bone Shuffle 04. That Old Feeling Is Gone 05. Time Seems So Long 06. Prison Blues 07. Home Town Blues 08. Wise Man Blues [Alternate Take] 09. Wise Man Blues 10. Misfortune Blues [Alternate Take] 11. Misfortune Blues 12. I Wish You Were Mine [Alternate Take] 13. I Wish You Were Mine 14. I'm Gonna Move You Out and Get Somebody Else 15. She's the No Sleepin'est Woman [Alternate Take] 16. She's the No Sleepin'est Woman 17. Plain Old Down Home Blues 18. Born to Be No Good 19. Go Back to the One You Love [Alternate Take] 20. Go Back to the One You Love 21. I Want a Little Girl 22. I'm Still in Love With You 23. You're My Best Poker Hand [Alternate Take] 24. You're My Best Poker Hand 25. West Side Baby

Não tão seminal quanto ‘The Complete Capitol and Black & White Recordings’, ‘The Complete Imperial Recordings’ é uma coleção de 52 músicas excelentes gravadas para a ‘Imperial Records’ de Lewis Robert Chudd. É uma grande homenagem a T-Bone.

the complete imperial (1991)

The Complete Imperial Recordings 1950-1954 (1991)
CD 1    CD 2

Tracklist: CD 1
01. Glamour Girl" 02. Strollin' With Bone 03. The Sun Went Down 04. You Don't Love Me 05. Travelin' Blues 06. The Hustle Is On (78 rpm version) 07. Baby Broke My Heart (78 rpm version) 08. Evil Hearted Woman (alt. take) 09. I Walked Away 10. No Reason 11. Look Me In The Eye 12. Too Lazy (alt. take) 13. Alimony Blues 14. Life Is Too Short 15. You Don't Understand 16. Welcome Blues (Say Pretty Baby) 17. I Get So Weary 18. You Just Wanted To Use Me 19. Tell Me What's The Reason 20. I'm About To Lose My Mind 21. Cold, Cold Feeling 22. News For My Baby 23. Get These Blues Off Me 24. I Got The Blues Again 25. Through With Women 26. Street Walking Woman

Tracklist: CD 2
01. Blues Is A Woman 02. I Got The Blues 03. Here In The Dark 04. Blue Mood 05. Every Time 06. I Miss You Baby 07. Lollie Lou 08. Party Girl 09. Love Is Just A Gamble 10. High Society 11. Long Distance Blues 12. Got No Use For You 13. I'm Still In Love With You 14. Railroad Station Blues 15. Vida Lee 16. My Baby Is Now On My Mind 17. Doin' Time 18. Bye Bye Baby 19. When The Sun Goes Down 20. Pony Tail 21. Wanderin' Heart 22. I'll Always Be In Love With You 23. I'll Understand 24. Hard Way 25. Teen Age Baby 26. Strugglin' Blues

Grande parte de sua gravação foi feita entre 1946 e 1954, incluindo a sua canção mais conhecida, ‘Call It Stormy Monday’. Ele foi uma grande influência no blues urbano e para muitos guitarristas de blues-rock, como BB King, Jimi Hendrix, Eric Clapton, Albert King e Stevie Ray Vaughan. Sua guitarra, vocal e seleção de músicas de estilo puro vivem até hoje, em quase todos os guitarristas de blues. Ele é o mestre. ‘The Complete Recordings 1940-1954’ traz o incrível legado de T-Bone. Apenas 7500 cópias foram lançadas.

t-bone walker - the complete recordings 1940-1954
The Complete Recordings 1940-1954 (1990)
CD 1    CD 2    CD 3    CD 4    CD 5    CD 6

Tracklist: CD 1
01. T-Bone Blues 02. I Got a Break Baby 03. Mean Old World 04. Low Down Dirty Shame Blues 05. Sail On Boogie 06. I'm Still in Love with You 07. You Don't Love Me Blues 08. T-Bone Boogie 09. Mean Old World Blues 10. Evening 11. My Baby Left Me 12. Come Back to Me Baby 13. I Can't Stand Being without You 14. She Is Going to Ruin Me 15. No Worry Blues (alt) 16. No Worry Blues 17. Don't Leave Me Baby (alt) 18. Don't Leave Me Baby 19. Bobby Sox Blues (alt) 20. Bobby Sox Blues 21. I'm Gonna Find My Baby 22. I'm in an Awful Mood 23. It's a Low Down Dirty Deal 24. Don't Give Me the Runaround

Tracklist: CD 2
01. Hard Pain Blues 02. I Know Your Wig Is Gone 03. T-Bone Jumps Again 04. Call It Stormy Monday (alt) 05. Call It Stormy Monday 06. She Had to Let Me Down (alt) 07. She Had to Let Me Down 08. She's My Old Time Used to Be 09. Dream Girl Blues (alt) 10. Dream Girl Blues 11. Midnight Blues (alt) 12. Midnight Blues 13. Long Lost Lover Blues (alt) 14. Long Lost Lover Blues 15. Triflin' Woman Blues (alt) 16. Triflin' Woman Blues 17. Long Skirt Baby Blues (alt) 18. Long Skirt Baby Blues 19. Goodbye Blues 20. Too Much Trouble Blues (alt) 21. Too Much Trouble Blues 22. I'm Waiting for Your Call 23. Hypin' Woman Blues (alt) 24. Hypin' Woman Blues

Tracklist: CD 3
01. So Blue Blues 02. On Your Way Blues 03. The Natural Blues 04. That's Better for Me 05. First Love Blues (alt) 06. First Love Blues 07. Lonesome Woman Blues (alt 1) 08. Lonesome Woman Blues (alt 2) 09. Lonesome Woman Blues 10. Vacation Blues 11. Inspiration Blues (alt) 12. Inspiration Blues 13. Description Blues (alt) 14. Description Blues 15. T-Bone Shuffle (alt) 16. T-Bone Shuffle 17. That Old Feeling Is Gone 18. The Time Seems So Long 19. Prison Blues 20. Home Town Blues 21. Wise Man Blues (alt) 22. Wise Man Blues 23. Misfortune Blues (alt) 24. Misfortune Blues

Tracklist: CD 4
01. I Wish You Were Mine (alt) 02. I Wish You Were Mine 03. I'm Gonna Move You Out and Get Somebody Else 04. She's the No Sleepin'est Woman (alt) 05. She's the No Sleepin'est Woman 06. Plain Old Down Home Blues 07. Born to Be No Good 08. Go Back to the One You Love (alt) 09. Go Back to the One You Love 10. I Want a Little Girl 11. I'm Still in Love with You 12. You're My Best Poker Hand (alt) 13. You're My Best Poker Hand 14. West Side Baby 15. Glamour Girl 16. Strollin' with Bone 17. The Sun Went Down 18. You Don't Love Me 19. Travelin' Blues 20. The Hustle Is On (78 take) 21. The Hustle Is On (LP take) 22. Baby Broke My Heart (78 take) 23. Baby Broke My Heart (LP take) 24. Evil Hearted Woman

Tracklist: CD 5
01. Evil Hearted Woman (alt) 02. I Walked Away 03. No Reason (alt) 04. No Reason 05. Look Me in the Eye (LP take) 06. Look Me in the Eye (78 take) 07. Too Lazy (78 take) 08. Too Lazy (LP take) 09. Alimony Blues 10. Life Is Too Short 11. You Don't Understand 12. Welcome Blues 13. I Get So Weary 14. You Just Wanted to Use Me 15. Tell Me What's the Reason 16. I'm About to Lose My Mind 17. Cold, Cold Feeling 18. News for My Baby 19. Get These Blues Off Me 20. I Got the Blues Again 21. Through with Women 22. Street Walking Woman 23. Blues Is a Woman 24. I Got the Blues

Tracklist: CD 6
01. Here in the Dark 02. Blue Mood 03. Everytime 04. I Miss You Baby 05. Lollie Lou 06. Party Girl 07. Love Is a Gamble 08. High Society 09. Long Distance Blues 10. Got No Use for You 11. I'm Still in Love with You 12. Railroad Station Blues 13. Vida Lee 14. My Baby Is Now on My Mind 15. Doin' Time 16. Bye, Bye, Baby 17. When the Sun Goes Down 18. Pony Tail 19. Wanderin' Heart 20. I'll Always Be in Love with You 21. I'll Understand 22. Hard Way 23. Teen Age Baby 24. Strugglin' Blues

Quem pensa que o som do blues moderno foi criado por Mike Bloomfield e Paul Butterfield em 1965 ou por John Mayall e Eric Clapton no álbum ‘Blues Breakers with Eric Clapton’ de 1966 é porque nunca ouviu T-Bone Walker, o real criador. ‘The Original Source’ é simplesmente impressionante. A ‘The Penguin Guide to Blues Recordings’, um guia informativo e esclarecedor que investiga a obra gravada de artistas proeminentes do blues do passado, avaliou essa coleção com 4 estrelas, o que significa que o álbum é excepcional em todos os aspectos. Uma excelente panorâmica sobre a carreira de T-Bone Walker. Começando pelo início, em 1929, este conjunto percorre todo o caminho através dos anos 40, onde ele desenvolveu seu estilo com o blues elétrico, até 1951 dos rótulos 'Columbia' para 'Capitol' e 'Black & White Recordings'. Este conjunto de 90 faixas pinta o retrato mais complexo de sua assinatura sonora, de como ele a desenvolveu para se tornar um dos modelos para todos os guitarristas do blues elétrico depois dele.

T-Bone Walker - The Original Source (2002)
The Original Source (2002)
CD 1    CD 2    CD 3    CD 4

CD 1: T-Bone Blues
01. Trinity River Blues 02. Wichita Falls Blues 03. T-Bone Blues (Les Hite and His Orchestra) 04. I Got a Break, Baby 05. Mean Old World 06. Sail on Boogie 07. Im Still in Love with You 08. You Dont Love Me Blues 09. T-Bone Boogie 10. Mean Old World Blues 11. Evening 12. My Baby Left Me 13. Come Back to Me Baby Blues 14. She Is Going to Ruin Me 15. No Worry Blues 16. Dont Leave Me Baby 17. Bobby Sox Blues 18. Im Gonna Find My Baby 19. Im in an Awful Mood 20. Its a Low Down Dirty Deal 21. Dont Give Me the Runaround 22. Hard Pain Blues

CD 2: T-Bone Jumps Again
01. I Know Your Wig Is Gone 02. T-Bone Jumps Again 03. Call It Stormy Monday (But Tuesday Is Just as Bad) 04. She Had to Let Me Down 05. Shes My Old Time Used to Be 06. Dream Girl Blues 07. Midnight Blues 08. Long Lost Lover Blues 09. Triflin Woman Blues 10. Long Skirt Baby Blues 11. Goodbye Blues 12. Too Much Trouble Blues 13. Im Waiting for Your Call 14. Hypin Woman Blues 15. So Blue Blues 16. On Your Way Blues 17. Natural Blues 18. Thats Better for Me 19. First Love Blues 20. Lonesome Woman Blues 21. Vacation Blues 22. Inspiration Blues 23. Description Blues

CD 3: T-Bone Shuffle
01. T-Bone Shuffle 02. That Old Feeling Is Gone 03. Time Seems So Long 04. Prison Blues 05. Home Town Blues 06. Wise Man Blues 07. Misfortune Blues 08. I Wish You Were Mine 09. Im Gonna Move You Out and Get Somebody Else 10. Shes the No-Sleepin Est Woman 11. Plain Old Down Home Blues 12. Born to Be No Good 13. Go Back to the One You Love 14. I Want a Little Girl 15. Im Still in Love with You 16. Youre My Best Poker Hand 17. West Side Baby 18. Glamour Girl 19. Strollin with Bones 20. Sun Went Down 21. You Dont Love Me 22. Travelin Blues 23. Hustle Is On

CD 4: Evil Hearted Woman
01. Baby, You Broke My Heart 02. Evil Hearted Woman 03. I Walked Away 04. No Reason 05. Look Me in the Eye 06. Too Lazy 07. Alimony Blues 08. Life Is Too Short 09. You Dont Understand 10. Welcome Blues 11. I Get So Weary 12. You Just Wanted to Use Me 13. Tell Me Whats the Reason 14. Im About to Lose My Mind 15. Cold Cold Feeling 16. News for You Baby 17. Get These Blues Off Me 18. I Got the Blues Again 19. Through with Women 20. Street Walkin Woman 21. Blues Is a Woman 22. I Got the Blues

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