wendy o. williams = plasmatics

mulheres no rock'n'roll
chrissie hynde = the pretenders
crucified-barbara
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joan jett | lita ford = the runaways
siouxsie and the banshees

plasmatics Um capítulo da história do punk foi fechada para sempre quando Wendy Orlean Williams optou por acabar com a sua vida. Wendy foi uma das personagens mais intrigantes da cena musical, e suas gravações com ‘Plasmatics’ e a carreira solo ficarão para sempre na história da música. Wendy O. Williams era um fenômeno. De 1978 a 1988, a ‘Rainha do Punk’, ‘Rainha do Shock Rock’, ‘Dominatrix dos Decibéis’ e ‘Sacerdotisa do Metal’, como ela mais tarde veio a ser conhecida, agrediu a cultura conformista, radicalizou e transformou a cultura de massa e a música muito mais que os ‘Sex Pistols’. Nascida em Rochester, New York em 1949, Wendy era filha de um fazendeiro e com sete anos já aparecia em shows executando coreografias de Shirley Temple. Aos 16 anos saiu da escola e foi para o Colorado e depois para a Flórida ganhar dinheiro com a venda de biquinis de crochê e peças de artesanato para a multidão de turistas, antes de ir para a Europa em 1972 para trabalhar como cozinheira macrobiótica em Londres, ou se apresentando com um grupo de dança cigana ou de stripper nas boates. Ao voltar para casa em Nova York um par de anos mais tarde, no momento em que chegou ao terminal de ônibus ela estava convencida de que a única forma autêntica de viver estava na completa oposição à banalidade, letargia e hipocrisia da época.

E assinou contrato com Rod Swenson, o maior promotor de shows de sexo na época, com mestrado em arte pela Universidade de Yale, onde se especializou em performance conceitual e arte neo-dadaísta, uma combinação de pessimismo irônico, ceticismo absoluto e improvisação cuja principal estratégia era mesmo denunciar e escandalizar. Wendy realizava apresentações dez vezes por dia, em vários teatros e apareceu em alguns filmes pornôs realizados pelo próprio Rod Swenson. O mesmo Swenson começou a gravação de vídeos musicais para artistas como Patti Smith e os Ramones. E em 1978, fascinado pela cena punk de Nova York e apaixonado pela presença de Wendy no palco, Swenson montou uma banda em torno de Wendy, com os guitarristas Richie Stotts e Wes Beech, o baixista Chosei Funahara e o baterista Stu Deutsch. Rod e Wendy tiveram a idéia de criar uma banda de punk como nenhuma outra e assim nasceu o ‘Plasmatics’. E os alvos preferidos eram a hipocrisia, o sexismo, e mais particularmente o consumismo americano cujos ícones, TVs e automóveis, geralmente um cadillac, Wendy simbolicamente destruía no palco.

Wendy O. Williams A banda fez sua estréia no CBGB em 1978, e foi um impacto. O CBGB é um clube de música localizado em Manhattan, New York, e o nome completo é CBGB & OMFUG que significa: ‘Country, Bluegrass, and Blues and Other Music For Uplifting Gormandizers’. No começo do clube o público era realmente de country e blues assim como as bandas que se apresentavam. E desde 1965 havia o ‘Max's Kansas City’, o primeiro lugar de shows punks. Então em 1973, Hilly Kristal, proprietário do CBGB, abriu espaço também para o público do punk rock, e o lugar tornou-se muito conhecido como o berço do punk. E desde Alice Cooper e Kiss não tinha surgido uma banda teatral de rock como ‘Plasmatics’ com uma cantora sexy em calças apertadas de pele de leopardo e topless. Seu single de estréia ‘Butcher Baby’ foi gravada e vendeu bem, assim como 'Dream Lover’. A explosiva 'Butcher Baby’ foi definitivamente a coisa mais ruidosa que a gravadora ‘Stiff Records’ lançou no Reino Unido quando assinaram com a banda em 1980. Neste mesmo ano Wendy cortou seu cabelo em estilo moicano, algo que ela queria fazer muito antes da formação da banda, e não havia bandas com moicanos e nunca ninguém tinha visto uma mulher com este corte, e o resultado foi chocante. E seguiu-se uma entrevista muito divulgada em que Wendy disse: Eu quero dizer 'fuck you!’ a todas as empresas de cosméticos.

Wendy O. Williams Onde se apresentavam, o sucesso era garantido, mas alguns shows eram cancelados como o de Londres pois considerou-se perigoso o desejo da banda em detonar um carro no palco. Depois do fiasco de Londres, o grupo voltou para Nova York onde conseguiu explodir um Cadillac. No espaço de um ano, o ‘Plasmatics’ era cultuado nas apresentações em clubes de NY. Nem todos, contudo, apreciavam a fase em que Wendy cobrindo-se de creme simulava estar se masturbando. Em 1981 Wendy foi presa e brutalmente espancada por policiais depois de uma performance na boate ‘The Palms’ em Milwaukee. Arrancada do palco sob a acusação de obscenidade, por supostamente simular um ato sexual, uma vez fora do clube foi atirada ao chão e espancada até a inconsciência. Rod Swenson também foi arrastado atrás de um carro e espancado quando veio em seu auxílio. No prazo de 12 dias, ainda se recuperando de uma fratura no nariz, seios machucados e outras lesões, Wendy e a banda se apresentou para uma multidão em Milão.

plasmaticO ‘Plasmatics’ se separou em 1983 com quatro álbuns lançados: 'New Hope For The Wretched', 'Beyond The Valley of 1984', 'Metal Priestess', 'Coup d'Etat' e 'Maggots: The Record'. E Wendy seguiu carreira solo e sua estréia foi com o álbum ‘W.O.W’ de 1984 e produzido por Gene Simmons do Kiss. Paul Stanley é creditado na guitarra na faixa 6. Eric Carr na bateria da faixa 8. E Gene toca baixo no disco creditado como Reginald Van Helsing. Em 1985 a sua popularidade estava no auge e foi nomeada para um Grammy na categoria de melhor vocalista feminina de rock. Wendy também embarcou em uma carreira de atriz aparecendo em 'Macgyver', um seriado de TV. Em 1991 se aposentou da música, tornando-se uma proeminente defensora da saúde, trabalhando para uma cooperativa de alimentos naturais.

No mesmo ano Rod Swenson, que tornou-se seu companheiro, quando voltava para casa encontrou notas de suicídio e o corpo de Wendy na mata adjacente em uma área onde ela gostava de alimentar os animais selvagens. Varios esquilos ainda estavam em uma rocha próxima, onde ela tinha aparentemente os alimentado. Wendy morreu com um tiro na cabeça. Em uma das notas Wendy escreveu: ‘O ato de tomar a minha própria vida não é algo que eu estou fazendo sem muito ter pensado. Eu acredito que as pessoas não devem tomar suas próprias vidas sem uma reflexão profunda e ponderada ao longo de um período considerável de tempo. Eu acredito fortemente, porém, que o direito de fazê-lo é um dos direitos mais fundamentais que qualquer pessoa em uma sociedade livre deve ter. Para mim grande parte do mundo não faz sentido, mas meus sentimentos sobre o que estou fazendo me dizem alto e em bom som que estou indo para um lugar onde exista apenas calma. Amor para sempre, Wendy’.

club CBGBRod Swenson esclareceu: ‘Não foi um ato em um momento irracional, ela estava falando sobre tirar a própria vida por quase quatro anos. Ela estava no auge de sua carreira, mas descobriu que com a hipocrisia era dolorosamente difícil de lidar. Num certo sentido, ela era a pessoa mais forte e em outro a mais vulnerável. Ela atingiu o pico e não se importava mais de viver em um mundo em que ela estava desconfortável. Eu a amava além da imaginação. Ela era era a minha fonte de força, inspiração e coragem. A dor neste momento em perdê-la é inexplicável. Mal posso imaginar um mundo sem Wendy Williams. Para mim, esse mundo foi profundamente diminuído.’ Seu último comentário sobre Wendy foi um sentimento compartilhado por milhares de fãs ao redor do mundo. Uma noite de homenagem foi realizada no CBGB, o local onde tudo começou 20 anos atrás. Em uma época, final dos anos 70, e em um local, a cena punk de Nova York, onde chocar o público muitas vezes era a ordem do dia, poucas bandas tiveram o poder de indignar como os ‘Plasmatics’.

wendy o. williams

wendy o. williams - ready to rock


plasmatics - new hope for the wretched (2001)    plasmatics - beyond the valley of 1984 (1981)

New Hope for The Wretched (1980)    |    Beyond The Valley (1981)

Tracklist: New Hope for The Wretched
01. Tight Black Pants 02. Monkey Suit 03. Living Dead 04. Test Tube Babies 05. Won't You 06. Concrete Shoes 07. Squirm (Live) 08. Wan't You Baby 09. Dream Lover 10. Sometimes I 11. Corruption 12. Butcher Baby

Tracklist: Beyond The Valley
01. Incantation 02. Masterplan 03. Head Banger 04. Summer Nite 05. Nothing 06. Fast Food Service 07. Hit Man (live Milan) 08. Living Dead 09. Sex Junkie 10. Plasma Jam (live Milan) 11. Pig Is A Pig

plasmatics - metal priestess (1981)    plasmatics - final days (1982)

Metal Priestess (1981)    |    Final Days: Anthems for the Apocalpse (2003)

Tracklist: Metal Priestess
01. Lunacy 02. Doom Song 03. Sex Junkie (Live) 04. Black Leather Monster 05. 12 Noon 06. Masterplan (Live)

Tracklist: Final Days: Anthems for the Apocalpse
01. The Doom Song 02. Stop 03. Brain Dead 04. Masterplan05. Just Like On TV
06. Propagators 07. Uniformed Guards 08. Opus In Cm7 09. Lies 10. The Damned 11. A Pig Is A Pig 12. 12 Noon 13. Finale

plasmatics - WOW (1984)

W.O.W. (1984)

Tracklist
01. I Love Sex (And Rock and Roll) 02. It's My Life 03. Priestess 04. Thief in the Night 05. Opus in Cm7 06. Ready to Rock 07. Bump 'N' Grind 08. Legends Never Die 09. Ain't None of Your Business

5 comentários:

Josi disse...

Caramba,que bacana ! rs Nunca tinha visto esse blog e gostei bastante, muita coisa boa aqui! Seguirei! Beijos!

Átila disse...

Nossa, esse sim é um post que me surpreendeu! Plasmatics é bom demais!

Parabéns pelo blog! =)

mara* disse...

Que bom que gostou Josi, adorei vê-la por aqui.

Átila, obrigada pela visita e comentário.

Voltem sempre. Beijão.

Anonymous disse...

Discordo do Rod Swenson, Wendy não estava mais no auge da carreira. Segundo alguns amigos p´roximo da cantora ela sofria pelo esquecimento que vinha tendo. Claudio

mara* disse...

Pois é Claudio e quando isto aconteceu o mundo não fez mais sentido, mesmo estando ela em uma missão edificante, na reabilitação de animais. Talvez não tenha aguentado ver o que alguns seres 'racionais' são capazes de fazer com seres indefesos.

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